As três prioridades hospitalares
Como está ao debate público a questão hospitalar - que é uma coisa muito séria para estar condicionada ao sabor dos Partidos políticos que temos e de “cartas do leitor” - aconselhei-me com quem sabe para, junto com a experiência governativa, legitimamente formular uma opinião pessoal.
Temos, portanto, o Hospital Central do Funchal.
O Hospital Central do Funchal é um complexo hospitalar constituído pelo Hospital Dr. Nélio Mendonça e pelo denominado Hospital dos Marmeleiros. O ex-Sanatório Dr. João de Almada integra outra rede.
O Hospital Central do Funchal é um complexo hospitalar chamado de “fim de linha”, tal como os de Lisboa, Porto e Coimbra, porque com um elevado número de valências, especialidades e equipamentos, destinado a atender doentes com situações mais complexas e graves.
A diferença do nosso em relação a Lisboa, Porto e Coimbra, é a de se situar num território insular, descontinuado da rede hospitalar do Continente e servir um universo populacional que, mesmo com a população flutuante, não atinge trezentos mil habitantes (300.000 h).
No Continente, enquanto os mencionados complexos hospitalares de “fim de linha” são todos públicos (universitários ou não), os Hospitais mais recentes:
- são mais pequenos;
- foram construídos e equipados por “parcerias público-privadas”, regime de “chave na mão”, em troca da respectiva exploração;
- por isso, têm menos camas, menos valências, menos especialidades e menos equipamentos do que os complexos hospitalares de “fim de linha”, porque estão apontados a fins lucrativos;
- resultado, os doentes mais graves são passados ao complexos hospitalares de “fim de linha”.
Isto explica que, por exemplo, o Hospital de Todos-os-Santos, previsto para substituir os antigos Hospitais Civis de Lisboa, e já com terrenos reservados e expropriados AINDA DO ANTIGO REGIME, a sua construção, manutenção e exploração não seja apetecível à iniciativa privada, visto que, ao ter exigências de complexo hospitalar de “fim de linha” em valências, especialidades e equipamentos, já não é lucrativo.
Tal ilustra a dificuldade de construir hospitais de “fim de linha” no Continente. Agora, então, considere-se a Madeira onde seriam maiores os custos e a manutenção dos equipamentos, quer os velhos, quer os novos, num sector sempre em acelerada evolução tecnológica, até pela necessidade de maior coexistência no tempo desses referidos velhos e novos equipamentos. Seria também mais cara a construção.
Logo, maiores custos por cama na Madeira do que no Continente.
Após o 20 de Fevereiro de 2010, os meus Governos encontraram-se com a situação seguinte:
- agravou-se, então significativamente, a deterioração do Hospital dos Marmeleiros - o aterro situado à sua frente passou a ter risco de deslizamento para a Estrada dos Marmeleiros;
- um Plano de Ajustamento Económico e Financeiro colonial e separatistamente imposto à Região Autónoma, não sendo a Dívida Pública desta considerada nacional apesar de mais de cinco séculos de expoliação do nosso Território pelo Estado português, o que sobrecarregou as dificuldades financeiras da Madeira;
- inexistência de grupos privados, para o efeito prospeccionados, interessados numa “parceria público-privada” para um novo hospital na Madeira tipo “fim de linha”;
- não se tinha conseguido pagar sequer vinte por cento dos terrenos reservados para o novo hospital;
- não fôra concretizado o novo projecto arquitectónico hospitalar, baseado na actualização do programa funcional, entretanto feita;
Neste contexto, seguindo orientações europeias e reavaliada a situação, bem como dispondo de terrenos na Cruz de Carvalho, e ainda no interesse de os doentes beneficiarem de todas as valências, especialidades e equipamentos de um hospital de “fim de linha” como tem de ser o da Madeira, decidimos juntar as estruturas e serviços numa ampliação e numa remodelação do Hospital Dr. Nélio Mendonça.
Obviamente que, como qualquer Hospital, velho ou novo, pela vida fora terá de ser permanentemente beneficiado e actualizado.
O que não se pode, é depois dos investimentos aí feitos, muitos nos últimos anos, pura e simplesmente pô-lo de lado sem, em alternativa, estar definido um novo destino de igual prioridade.
O que não pode deixar de ser feito, é dar primazia ao seu constante reequipamento e à neutralização de todas as fontes de infecção que provenham da deterioração de estruturas existentes há mais tempo.
No que não podemos ficar “dependurados” é nas “promessas” da República que, em relação à Madeira, nem a Constituição cumpre quanto às suas obrigações com os encargos de Saúde. Não poderemos progredir, também no campo da Saúde, nem resolver os contenciosos da Autonomia e da impropriamente chamada “dívida da Madeira”, pois sem isto ficaremos mas basbaques à espera do que nunca virá e sujeitos a custos de manutenção impossíveis, mesmo havendo nova unidade hospitalar.
O que não pode deixar de ser feito, é solucionar o problema do Hospital dos Marmeleiros.
Portanto:
Solução na própria Cruz de Carvalho, já em curso. Remodelação rápida no Hospital Dr. Nélio Mendonça de tudo o que possa oferecer riscos. E enfrentar o problema nos Marmeleiros - aqui, é que se calhar pode ser necessário outra construção e noutro local, para os mesmos fins a que este Hospital responde.
São estas as três prioridades, na minha modesta opinião.
Funchal, 19 de Novembro de 2015
Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim

O que dirão os comentadores da "pirula" a mais esta lição? Vou esperar na certeza de que, como o tema é saúde, lá aparecerá a palavra pastilha (sempre fica melhor que, pírula LOL).
ResponderEliminarO Hospital dos Marmeleiros, no Monte, é uma VERGONHA!! Não há quem neste governo fale disso?!...falamos nós!
Calisto, vc tá lixado...com esse colaborador.
ResponderEliminarÈ que quanto mais lhe batemos, mais vai ele aparecer. Ele sempre foi do contra. Tristeza. Agora é especializado em Hospital . O Dinheiro da Marina do lugar de Baixo e mais uns túneis e campos de futebol etc, tinham dado para o Hospital novo...
E a Escola Horácio Bento foi erradamente construída nos terrenos naturais para expansão do Hospital.
ResponderEliminarERRO crasso...Senhor
Seria bom saber porque este senhor vive à custa da FSD e os funcionários à custa do PSD (André Freitas e companhia...), para depois passar o dia a dizer mal do PSD. Vergonha!!!
ResponderEliminarLi, e vou deixar o meu comentário.
ResponderEliminarO Povo Superior esteve habituado a que tudo aquilo que lhe facultavam fosse sempre, como sabemos, do bom e do melhor.Tudo muito acima da tristeza "cubana". Não podemos aceitar comparações com os "fins de linha" existentes no "rectângulo".
O nosso modelo tem ser uma ilha exemplar. A Grã-Bretanha podia ser o termo de comparação. Porém, aversão do autor do texto aos "Ingleses" levou-o a esta pobre comparação com o "fim de linha" dos famigerados hospitais dos caloteiros portugueses. Deixo o meu protesto. Esqueça o autor do texto a Inglaterra, compare-nos a umas ilhas de jeito. Não cobro pela ideia mas quero ver o Povo Superior comparado ao Japão.
Já que tudo isto é coisa de "fim de linha" que seja em grande. Com hospitais de "fim de linha", já agora, para todas as especialidades
Vai para a Fundação dormir umas sestas pá.....lol....ai ninguém vê
ResponderEliminarNinguém vê? Dizem que Há pessoal a tirar fotos dos que lá entram quer no estacionamento Superior quer discretamente pela rampa.... Já dá para um documentário ...
ResponderEliminarde onde vem o financiamento da Fundação Social Democrata ? a pergunta que parece fora do contexto , é para conseguir perceber algo sobre obras , nomeadamente as em apreço e a sua ligação a empresas de construção ( não são assim tantas )
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