A CACETADA
Gil Canha
A recente “guerra
das barraquinhas” de Natal na denominada Placa Central da Avenida Arriaga
acabou da pior forma, com uma resolução estapafúrdia, desproporcionada e
autoritária do Governo Regional, que na minha opinião, abre um precedente
gravíssimo, um verdadeiro rombo no chamado poder e autonomia local dos
municípios, ganho a muito custo e a pulso, desde a constituição de 1822 (inspirada
nas circunscrições administrativas napoleónicas), reforçado pela sábia legislação
de Mouzinho da Silveira, e depois cimentado pelo movimento republicano de 1910
e pelo próprio 25 de Abril de 74.
E, pior ainda, esta
medida “a cacete” do Governo Regional, agrava a crise de AUTORIDADE da Câmara
Municipal do Funchal, já de si abalada pelos últimos anos de “bandalheira cafofiana”, onde o espaço público
municipal foi tomado de assalto por privados, perante a complacência e
passividade da autarquia.