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sábado, 6 de abril de 2013

AMBIENTE



PLACA DE FERRO DE 90 Kg VOOU NO PICO DO AREEIRO




A 14 de Dezembro de 2011, numa mensagem intitulada “Perigo no Pico do Radar”, escrevi o seguinte:
- “No Pico do Radar (ex-Pico do Areeiro) o ambiente não está famoso, como seria desejável num dos locais da Madeira mais procurados pelos turistas.
O vistoso pórtico do edifício contíguo à instalação militar está forrado com pesadas placas de aço, que, ainda antes da inauguração, já ameaçam desprender-se. É perigoso passar ali por baixo e o risco será muito maior quando ocorrerem os ventos fortes de Inverno.
Numa ilha que necessita de turismo de qualidade, é indesculpável tanto laxismo!”
         Há um mês, mais exatamente a 02 de Março, divulguei uma nota sobre o mesmo tema onde constava este alerta:
- “As placas de ferro aguardam por uma rajada de vento mais forte para abandonar o edifício onde funciona um centro de interpretação ambiental e um bar.”
De quinta para sexta-feira (de 4 para 5 de Abril) o vento arrancou a placa que eu mostrei numa das fotografias da mensagem de 02 de Março e atirou-a até à fachada do estabelecimento de venda de produtos regionais. Felizmente, porque foi durante a noite, o objeto de ferro, com cerca  de 90 Kg, não atingiu pessoas, mas deixou uma mossa numa porta, que atesta a violência do impacto.
No dia anterior ao incidente, o Representante da República tinha programado uma visita ao “Centro freira-da-madeira Dr. Rui Silva”, localizado no mesmo edifício, que não se concretizou devido aos ventos fortes que se faziam sentir nos picos mais altos.
Agora que o vento acalmou e antes que outras placas voem, sugiro uma visita do Dr. Irineu Barreto ao Pico do Areeiro, com o objetivo de compreender como foram gastos milhões de euros para estragar uma das paisagens mais emblemáticas da ilha da Madeira.

Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal








DESPORTO



ANTIGOS DO MARÍTIMO DINAMIZAM ENCONTRO MENSAL

Carlos Pereira explicou o que espera do grupo


O presidente costuma participar nas iniciativas dos mais antigos, mesmo quando é preciso correr.


O presidente do Marítimo, Carlos Pereira, marcou presença mais uma vez no almoço mensal dos antigos atletas do clube, quinta-feira no Arsénio's, Zona Velha. Entusiasmado pelo crescendo de dinâmica neste encontro de exaltação maritimista, Carlos Pereira manifestou desejo de estreitar o mais possível os laços que unem actuais e antigos protagonistas da História da colectividade verde-rubra. 
No caso, afirmou contar com a experiência dos velhos futebolistas, nadadores, ases do atletismo (José Frias esteve presente) e demais modalidades a quem recorrer ao nível de consulta, quando a vida do clube o exigir.
O repasto, como habitualmente, teve prolongamento pela tarde fora, sempre na Zona Velha, mais precisamente na esplanada do Café Vitória, paredes-meias com a remota sede ao n.º 17 da Rua D. Carlos I, onde os antigos atletas cresceram para a vida.
Várias iniciativas estão na forja, com vista a consolidar ainda mais o grupo marítimo, que cresce de mês para mês.



Jogaram com a mesma camisola - o n.º 2 de lateral direito - em épocas diferentes: António João (filho do campeão de Portugal Besugo) e Raul de Sousa. Em boa companhia: Ilídio Petita 'Pé Canhão', Dr. José Augusto Araújo (foi craque na piscina) e Elmano Coito (ex-director). Foto num local velho conhecido, o 'Vitória'. 

 
O prolongamento corre na esplanada, na companhia de Rogério, patrão do 'Vitória'... e unionista! À direita, o antigo médio Ernesto, elemento da célebre equipa  do Marítimo que triunfou em África.

Calinhos (de boné), abraçado por Sidónio, conta histórias aos atentos Ângelo, António João, Isaque e Dr. José Augusto Araújo.

Foto família com os resistentes que costumam passar a tarde perto da velha sede do clube, enquanto os mais sensatos regressam aos seus postos logo a seguir ao almoço.

Há sempre quem leve fotografias para recordar histórias.

Todos começaram nas camadas jovens do Marítimo, como esta equipa de juniores, onde por exemplo figuram (de pé) José Luís Silva, Bacanhim, Calaça, João Carlos, Fernando, Vitorino, Agrela, e (primeiro plano) Martins, Jana, Pimenta, Feliciano, Nelson, Vasco, Fernando Luís, Viegas e Eugénio.
Muitos tiveram a sorte de participar também nos históricos torneios infantis do Almirante Reis. Vejamos esta formação do Alma Lusa, do nosso Amigo Faria, recheada de futuros consagrados: Vasco, Fernando Luís, Neves, João Carlos, José Luís, Gastão, Jorge do Cornélio, Gilbert e Ilídio Petita.



SIC - 3 de Abril de 2013 - CHEIAS,

DESABAMENTOS, DESLIZAMENTOS




A SIC emitiu uma reportagem sobre Cheias, Desabamentos e Deslizamentos, no JORNAL DA NOITE de 03 de Abril.
            Quem não teve oportunidade de assistir, pode ver e ouvir em: http://www.youtube.com/watch_popup?v=JpQmLalumEw

            Saudações ecológicas,
            Raimundo Quintal

sexta-feira, 5 de abril de 2013


BLOCO COMEMORA 4 DE ABRIL


Situação hoje volta a ser triste

Roberto Almada, em acção política para o efeito, lembrou que a Revolta de 1931 teve na sua origem também uma crise monetária europeia, numa altura em que Salazar era ministro português das Finanças. O futuro ditador "curiosamente aplicou várias medidas de austeridade, como temos hoje em dia", contou Almada, exemplificando com a centralização no Estado da importação de cereais, para controlar o seu comércio. Medida que levou à suspensão da importação de farinha, com o subsequente "aumento desmesurado do preço dos cereais e do pão".
Na Madeira, o desemprego, tal qual hoje, era galopante - descreveu o líder do Bloco -, e "a fome apertou por via dessas medidas de austeridade tomadas pelo governo da Ditadura".
"É triste, 82 anos volvidos, salvaguardadas as devidas distâncias, estarmos numa sittuação idêntica, a braços com medidas de austeridade", concluiu Almada.

MADEIRA AO VIVO



Onde estão os assistentes administrativos?

Talvez o Leitor já tenha reparado, mas porventura não se interrogou: onde estão os  e funcionárias do desgoverno regional que usavam calça (ou saia) azul escuro e camisa azul claro?
Pois, eles estão lá. Mas sem farda. E porquê? Porque se democratizou a vida naqueles corredores? 
Não. Ao que nos dizem, falta verba até para as fardas.
Aquele Sócrates!...

MADEIRA AO VIVO



MANIF HOSTIL ANULA VISITA DO CHEFE

Da Ponta do Sol chegam novidades em que custa acreditar

Prevenimos a ilustre audiência: o nosso agente K7 não confirmou as novidades que recebeu à passagem pelas 'costas de baixo'. E, para sermos leais com quem nos lê, confessamos que até nos custa a crer em tais informes.
Em todo o caso, é nosso dever deixar passar o noticiário, relevando a conveniência das prudentes reservas.
Diz-se na Ponta do Sol, pois:

1. Que 'Meio Chefe programou visitar a mostra da Cana do Açúcar, domingo, nos Canhas, mas que a viagem foi desmarcada porque às Angústias teriam chegado palpites sobre uma manifestação hostil ao Único, preparada secretamente para aquele dia e local.

2. Que o snack do Ponta do Sol Shopping fechou as portas por falta de clientes... já que grande parte deles, funcionários e quadros da Câmara, começaram a procurar almoço na Escola Primária, o que conseguem por... 1 euro!

3. Que perpassa um certo descontentamento nas alas maioritárias do concelho, dado que para os oito lugares pagos e bem pagos na Câmara - 4 eleitos e 4 nomeados - há demasiados candidatos. 

Cá ficam as dicas, para descarregarmos a consciência. Mas trataremos de averiguar a veracidade, ou não, das dicas.


POLÍTICA DAS ANGÚSTIAS / SÁBADO



COSTA NEVES PREGOU COM O PROTOCOLO 
NO ORGULHO DE JARDIM



O poder actual devia coerentemente comemorar o 2 de Maio e não o 4 de Abril 



Não é esta tomada de São Lourenço, em 4 de Abril, por militares e populares que vinham da I República, e por isso atacados hoje pelo poder  na Madeira, que o poder ilhéu comemora....

...Mas sim a marcha em 2 de Maio das tropas continentais (desembarcadas no Caniçal) rumo ao Funchal, a fim de prenderem e exilarem os revoltosos, onde se incorporara a esquerda da época. 


Estamos em crer que o vereador Henrique Costa Neves ansiava por uma oportunidade destas para devolver ao seu antigo chefe Jardim as desconsiderações e ofensas dos últimos tempos. Então, aproveitando a cerimónia do 4 de Abril, sacou do protocolo e pregou com ele em cheio no orgulho do 'Único Importante', recusando estender a mão quando a isso convidado. Albuquerque e demais autarcas funchalenses anti-Angústias estiveram metidos na trama, ou estaremos a especular?

É que isso do protocolo exige algumas considerações. A começar pela pergunta: que andaram a fazer os responsáveis por essa parte do programa, incluindo João Carlos Gomes, que é pago todo o ano pelo governo (antes a Secretaria dos Recursos Humanos e hoje a da Educação) para garantir um ou dois trabalhos como este, passando o tempo ao serviço da Assicom?
Aquela cerimónia parece mal-assombrada. Num ano tocam o hino da Região primeiro do que o Nacional, noutro é a gaffe no discurso, agora o protocolo a fazer chocar entidades umas contra as outras.
Não?
Logo à chegada. Como se sabe, aquilo é por ordem. Apeia-se o representante da Câmara, que cumprimenta a entidade seguinte, o presidente do desgoverno, à chegada deste. Finalmente, aparece a entidade máxima regional, o presidente da Assembleia Legislativa. Pois este ano aquilo foi Miguel Mendonça ali à espera de Jardim - ao contrário do que manda o protocolo -, queimando tempo a inspeccionar o seu carrão preto parlamentar. Até que chegou então o rei da tabanca... agredindo o protocolo no atraso, mas levando com ele quando se dirigiu a Costa Neves.
A bagunça não se ficou por aqui. Ao contrário dos ditames da etiqueta, Jardim antecipou-se a Miguel Mendonça na deposição do ramo de flores no monumento, e depois dele avançou para o mesmo gesto Henrique Costa Neves.
Uma fossada.


A hipocrisia de que não se fala

O facto mais visível da cerimónia foi essa recusa de Costa Neves de embarcar nas habituais hipocrisias do quotidiano madeira-novense. Uma pessoa é ofendida pelo chefe e logo depois se agacha perante uma palmadinha. Com Costa Neves foi diferente.
Mas há outro comportamento hipócrita que ano após ano passa despercebido.
O 4 de Abril, no espírito dos madeirenses, representa um grito de revolta contra o fascismo que em 1931 se enraizava no País cultivando, entre as suas componentes, um desprezo cada vez mais execrável pela Madeira, que Salazar (em carta a João Abel de Freitas) não escondia.
As condições para o movimento precipitaram-se na sequência da 'Revolução da Farinha' (que muitos confundem com o 4 de Abril, apesar de ter ocorrido dois meses antes, em Fevereiro, com algumas mortes no Funchal). Se a 'Revolução da Farinha' fora genuinamente madeirense, popular, o 4 de Abril já contou com reforços: militares em serviço e os deportados que a ditadura enviara para cá.
Oficiais madeirenses e continentais colocados na ilha e muitos deportados planificaram o golpe. E o povo aderiu em massa, jamais cessando apoio aos bravos revolucionários até à rendição final - tragédia político-militar que ficou a dever-se ao então pároco do Caniçal, que ensinou aos expedicionários salazaristas a bordo da 'Esquadra do Carapau' como desembarcar e progredir no terreno até Machico.
Retomada a situação anterior, os madeirenses e continentais afectos à ditadura, detidos no Lazareto durante os 28 dias da Revolta, voltaram aos seus postos e meteram nos calabouços os militares e os populares mais desatacados na luta contra os ditadores. Seguir--se-ia o degredo em África. Entre os revolucionários banidos, figurava o valente coronel Ernesto Machado, avô do presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque.

E onde está a hipocrisia na actualidade? 
Sabe-se o que alguns crânios do poder regional madeira-novense costumam dizer dos políticos e militares da I República, período marcado pelos desmandos. E de outra forma não poderia ser. Balbuciava um regime republicano ainda criança, depois de 7 séculos de monarquia. 
Pois o movimento de 4 de Abril de 1931 sustentou-se precisamente nos militares e políticos da I República entretanto marginalizados pelo salazarismo que se impregnava no Estado português. Em foco, velhos activistas do PRP (Partido Republicano Português) e de outros partidos com papel importante antes e depois de 1910.
Então, os detentores do poder hoje, que tanto verberam a I República, comemoram o golpe interpretado e apoiado por velhos republicanos, em 1931? Aqueles a quem estes ignorantes chamam os 'comunas' da época?
Seria mais decente se tais cavalheiros comemorassem o 2 de Maio de 1931, maldito dia em que as forças da ditadura sufocaram a nossa revolta. Se vivessem na altura, os actuais oportunistas estariam, em 2 de Maio, a sair eufóricos do Lazareto para ajudar a prender e a mandar para os confins do Equador aqueles que dizem homenagear, hoje.
É só ver os figurões que fizeram a política madeirense de 1931 em diante, perseguindo com apoio da Situação muitos conterrâneos madeirenses que acabaram por morrer ignorados, sem que se lhes fizesse justiça sincera.
Deixem-se de hipocrisia, celebrem o 2 de Maio! Sem pruridos. Pelo menos não serão acusados de incoerência e oportunismo.


Nota - O ex-JM não assistiu ao episódio que marcou a agenda regional nas últimas horas, a nega de Costa Neves ao cumprimento presidencial. Vimos na última página de hoje um comunicado das Angústias a lamentar essa "falta de educação" de Costa Neves e corremos à zona da reportagem da cerimónia para ver o que se dizia de tão excitante acontecimento, com significado e consequências muito além de um simples fait-divers. Bolas! Ou estamos a precisar de óculos ou o caso simplesmente não se deu. Nem uma palavra sobre o assunto! Ou seja: na última página, o ex-JM divulga um comunicado sobre um assunto... que não aconteceu! Mais uma originalidade do ex-JM (que evidentemente não é obra dos jornalistas).


DELÍCIAS DA MADEIRA NOVA



GUILHERME EM BOLANDAS




Não sabemos se o Leitor assistiu àquele pedaço de televisão depois do debate em São Bento da moção de censura ao governo de Passos Coelho. O deputado madeirense Guilherme Silva a meter os pés pelas mãos na tentativa de justificar o seu voto 'não', atitude em defesa do executivo apoiado pelo seu partido... e flagelado diariamente pelo patrão Jardim nas páginas do ex-JM.
Por mais qualidades à MacGyver que o parlamentar laranja ilhéu detenha - e detém muitas -, Guilherme patinou a bom patinar perante as bordoadas do seu adversário interlocutor - também participante nesse programa 'Vice-Versa'. Foi desmentido instante a instante.
...E depois aquilo nas televisões de lá difere muito dos hábitos regionais. Nos programas domésticos, produzidos na Levada do Cavalo, o 'nosso' MacGyver interrompe incessantemente quem debate com ele, sobretudo quando se vislumbra uma sova nas políticas doidas do PPD-M. Já em Lisboa, bem pode ele tentar distrair e 'chatear' quem assiste ao programa, nos seus apartes e ruídos imperceptíveis, que o rival continua firme e com o seu direito de antena.
Desta vez, o agente secreto ao serviço de sua majestade falhou. Baralhou-se a ponto de, encurralado, admitir que discordara do 'Meio Chefe' ao votar contra a moção anti-Passos... e mais: assumiu que não há drama nenhum em desmentir o patrão e que não se tratava da primeira vez. Como se alguém acreditasse nisso.
'Meio Chefe' não deve ter gostado nada. Mas insistimos: Dr. Guilherme não precisava de passar por certas situações. Com tanta coisa que  há para fazer na vida...

OPINIÃO




O CANDIDATO


Gonçalo Nuno Santos

O candidato falava, sem grande entusiasmo, sob um céu cinzento, tendo atrás de si burocráticos guarda-chuvas pretos, solenemente abertos, e a Quinta Vigia na linha do horizonte. Falava enquadrado por obras que criaram um fosso na cidade, que cavaram a distância insuperável entre ele e aqueles que lhe abriram o caminho. Nenhuma ponte solidária foi estendida ao candidato, que cirandava entre fantasmas e combatentes de outro tempo, tendo por ruído de fundo o matraquear constante das máquinas que insistem em fazer do passado um presente constante, esventrando a terra, galgando o mar, recuando, avançando, recuando, avançando, recuando trac trac trac trac trac trac, o som velho e insano de um devir em betão. 

Na apresentação do candidato, onde estavam os dias soalheiros da cidade? Os dias da manga curta, das conversas na esplanada, do mar plano e azul, do tempo que corre como quer, dos jacarandás em flor, das árvores do fogo, dos cheiros imensos, das corriolas que trepam os muros nas encostas que escalamos, dos navios que chegam e que partem, do cantinho do céu, da esquina do mundo? Onde estavam os dias verdes e azuis e pretos de basalto? A música do mercado, a gente que percorre a Fernão de Ornelas, os penitentes da Senhora do Monte, os crentes que avançam por São Tiago? Onde estavam as correrias da saída das escolas, as imagens dos casamentos e da benção das capas nas montras das lojas de fotografia? Onde estavam os táxis vindos de fora, varados no Largo da Varadouros, os fatos e as gravatas dos finais das tardes de sexta na placa central, os dias longos, os dias curtos com cheiro a castanhas, os autocarros amarelos plenos de cansaço e de esperança, que voam até às zonas altas, os táxis amarelos que esperam dias melhores, a cidade velha acordada e a cidade nova que dorme pouco? Onde estavam os parentes que chegam, os bolos de mel e os licores do Natal, os imensos sonhos da Páscoa? 

Na apresentação do candidato, onde estava o Funchal? Atrás de negros guarda-chuvas burocráticos? Atrás das ideias tão velhas como a Sé? Encolhido sob um céu cinzento e chuva miudinha, com medo do vento, mal humorado? 

Ninguém disse ao candidato que a cidade precisa de entusiasmo, de dias claros? Que a cidade quer recuperar as suas cores vivas e o seu tempo? Quer ser criativa e não encolher-se? Quer esperança e não resignação? Quer ser livre e não quer estar à sombra da Quinta Vigia que ontem, como mãe protectora, velava por ele, que falava olhando para ela? Ninguém disse ao candidato que o tempo mudou?


quinta-feira, 4 de abril de 2013

OPINIÃO




E SAI MAIS UM PROCESSO KAFKIANO


EMANUEL BENTO


Há muitos anos, mesmo muitos, ainda tinha eu cabelo, um homem do teatro madeirense contou-me, numa mesa do Café Concerto (no Jardim Municipal) que era preciso desdramatizar Kafka, explicando as razões por que deveríamos rir sempre que o lêssemos. Na altura olhei-o com alguma estupefacção porque sempre me custara ler e digerir a obra do atormentado judeu, por a achar demasiado sofrida e angustiante, mesmo assustadora de tanto expor o absurdo da existência e da pequenez humana perante a irracionalidade da sociedade, que começa exactamente na família. Ainda adolescente havia, algumas vezes, iniciado a leitura da Metamorfose mas sempre sem conseguir acabá-la, o que só fiz uns anos mais tarde, e sem conseguir rir.
Dos vários livros que dele li, obviamente que “Der Prozess” ocupa lugar de destaque. A ideia de sermos acusados e julgados sem sabermos qual a causa do nosso suposto crime não é de todo impossível, pelo menos fora do espectro judicial, já que, no nosso dia-a-dia, creio bem que muitas vezes muitos de nós já fomos, por familiares, amigos, colegas de profissão, desconhecidos, acusados e julgados em sabermos bem as razões destes processos. Basicamente o mecanismo é este: insinua-se, acusa-se e julga-se. Bastam, pois, três etapas para que a suspeição sem razão passe a verdade de facto, pelo menos para alguns.
Tudo isto até agora escrevi, para dizer que continuo sem conseguir rir do absurdo que é Alberto João Jardim ameaçar com mais um kafkiano processo o Diário de Notícias, na senda de ameaças a tudo e a todos que dele discordem ou, simplesmente, não sigam obedientes no carreiro. O que na verdade sinto é pena por ser conterrâneo de um povo que se deixou manipular durante trinta e tal anos por este tipo de ameaças e parvoíces, ainda que até perceba as razões e limitações estruturais subjacentes a esta sujeição. Mas das elites da treta que foram cúmplices pena já não tenho, sinto apenas um orgulhoso desprezo…    

quarta-feira, 3 de abril de 2013

MAU TEMPO



MARINA FUSTIGADA




Notícias que nos chegam de oeste dão conta de nova carga marítima SW sobre a muralha da marina do Lugar de Baixo. O mar bravio manifesta-se em todas as zonas mais expostas das 'costas de baixo'. Na marina, quem assiste à escalada das ondas prevê que mais estragos se registarão, se a intensidade do temporal não abrandar depressa.  

MADEIRA AO VIVO



ACÇÃO POPULAR NOS CANHAS

O edifício de apartamentos crescia lampeiro, na recta dos Canhas, quando recebeu ordem de 'alto e pára o baile'. Era o tribunal a dar provimento a uma acção popular diligenciada contra as características e circunstâncias do futuro prédio. Que parou, evidentemente.
Por coincidência, o dito edifício está situado ao lado de um outro pertencente a uma empresa que, garantem-nos, avança com o empreendimento mesmo sem licença, às avessas com o PDM.
A Câmara da Ponta do Sol tem trabalho pela frente.

terça-feira, 2 de abril de 2013

AMBIENTE



MADEIRA IS... NATURE





Na passada sexta-feira quando cheguei à Quinta do Palheiro Ferreiro, em frente à porta principal estava estacionado um autocarro onde se podia ler a emblemática mensagem: Madeira is…nature.
Nele tinham viajado turistas que, antes de se deliciarem com aquele paraíso de flores, tiveram de percorrer uma paisagem horrorosa.
Muitas das árvores queimadas no incêndio de Julho do ano passado continuam por cortar. Muito do lixo que estava no interior da mata, continua por limpar. As construções de péssima qualidade, continuam por requalificar. O contraste entre a mensagem inscrita no autocarro e a imagem da área envolvente é chocante.
Os proprietários dos terrenos, a Câmara do Funchal e a Secretaria Regional do Ambiente têm de associar esforços para urgentemente melhorar a qualidade ambiental daquela área.  A conservação da natureza e a harmonia da paisagem humanizada são os slogans mais fortes para atrair turistas à Madeira.

Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal

Sítio do Palheiro Ferreiro, freguesia de São Gonçalo, concelho do Funchal, 28.03.13




SABOTAGEM



'FÉNIX' BARRADO COMO LINK E NO ACESSO DIRECTO

Os info-mafiosos continuam, provavelmente por inspiração tribal, a achar graça no bloqueio imposto a este modesto blogue. 
Já não chegava impedir ligar para cá através dos links amavelmente disponibilizados noutros blogues.
Não chegavam os ciberataques movidos contra este pobre pc, que tanto trabalho, e não apenas, nos têm exigido no 'estaleiro' técnico.
...Nem o lixo interminável metido cá no email, para baralhar os comentários.

A última que nos chega (hoje) de vários Leitores habituais é que tentar aceder ao 'Fénix' dá como resultado intrigante... o computador desligado.
Esperamos que o equipamento informático de cada qual não seja danificado à conta das 'brincadeiras' daqueles a quem os conteúdos deste espaço desagradam.
Se o seu computador se desligar ao tentar aceder ao 'Fénix', aconselhamos a um intervalo mais ou menos prolongado até voltar a fazê-lo.
Entretanto, vamos tomar as providências possíveis junto de amigos com vastos conhecimentos na matéria.





'MEIO PPD' REFORÇA CAMPANHA 
PARA RECUPERAR CÂMARA DO FUNCHAL 





O líder do meio PPD acantonado nas Angústias retomou a campanha contra o outro meio PPD sediado na Câmara do Funchal. Mais um 'round' na guerra Jardim-Albuquerque.
'Meio Chefe' da tabanca utiliza o número desta terça-feira do seu jornal privativo pago pelo povo, ex-JM, para colar às ideias do PND a vereação do Funchal, maioritariamente laranja-Albuquerque. 
Essa manchete (na imagem acima) reflecte um artigo do chefe do desgoverno de onde se induzem os dois objectivos de mais esta escalada: recuperação nas próximas eleições da Câmara do Funchal, entretanto subtraída ao pulso de 'Meio Chefe', e novo golpe na imagem de Miguel Albuquerque.
O pretexto para o novo ataque é a decisão do município funchalense de tomar posse administrativa dos 4 parques de estacionamento explorados pela SEP (Sociedade de Exploração de Parques). 'Meio Chefe' trata de virar os social-democratas e o povo em geral contra o actual presidente da Câmara - por causa da 'submissão' municipal laranja ao PND e dos 22 trabalhadores que a operação de resgate dos parques mandará para o desemprego.

O articulista, ou seja, 'Meio Chefe' Jardim, garante que a decisão municipal "está a provocar uma onda de descontentamento junto das hostes social-democratas", isto é, junto de Jardim.

Adianta que a posição da equipa de Albuquerque é "avaliada como inoportuna em ano de autárquicas" pelas mesmas hostes, ou seja, por Jardim.
"Fontes do PSD-M (ou seja, sua excelência o Jardim) garantiram ao JM (a Jardim, pois) que o partido (aliás meio partido) está frontalmente contra a decisão da Câmara" - pode ler-se no ex-JM de hoje, em local não longe de um comunicado contendo a defesa da SEP contra a vereação.
O autor do artigalho, que se percebe escrito por Jardim devido aos atropelos impiedosos ao Idioma, puxa ao sentimento popular, atribuindo a Miguel do Arco as culpas pelo tal envio de mais 22 madeirenses para o desemprego - o que eleva o número global de desempregados para 25.022, contando com os 25 mil que 'Meio Chefe' deixou desamparados (e não contando com os jovens obrigados a emigrar).

Do ponto de vista partidário, cresce a expectativa com o aproximar das eleições: conseguirá Jardim recuperar a Câmara do Funchal para a sua facção? Se realmente o pretende conseguir, o que tem a fazer é viajar durante alguns meses em mais um périplo por esse mundo e deixar Bruno Pereira desbobinar a campanha sozinho, como se não conhecesse 'Meio Chefe' de parte nenhuma. Desta vez, presença de Jardim é voto contra.

Estamos a falar a sério.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

TELEVISÃO



COLABORADORES DA RTP-M EM APUROS



A partir deste mês de Abril, o centro da Levada do Cavalo deixa de contratar colaboradores no exterior, fora os impreterivelmente necessários. Porque os serviços serão garantidos por efectivos da casa, com recurso a uma espécie de flexibilização de meios.
Tempos houve em que os sindicatos mostravam os dentes e nenhum trabalhador podia ser obrigado a fazer qualquer tarefa fora das suas funções definidas por ACT. Mas os tempos mudaram. Perante as ameaças do fecho puro e simples da estação pública, caindo toda a gente no desemprego, nada como aceitar o que for preciso - eis o que se pode ler da postura de vários sectores da casa.
Assim, os operacionais dos feixes, por exemplo, que nem sempre têm directos ou manutenção de antenas para observar, avançam para outros trabalhos nas horas mais folgadas. O mesmo acontecendo com os carpinteiros. E outros. Há quem tenha de se adaptar às VT (não sabemos como é possível...) ou a tarefas de assistentes de operações, mesmo sem curso. 
É a política de Martim Santos para, na medida do possível, aplacar os ímpetos da RTP central, sempre desejosa de se livrar das ilhas. Uma política praticamente inevitável, se feita com prudência e olhando para os efectivos de cada sector como especialistas, não como números.

O centro regional precisa de muita atenção, face aos perigos sobre a cabeça. Não devia, por exemplo, segundo afirma gente da casa, abrir telejornais ao domingo com a notícia de que os madeirenses consomem nesta Páscoa... menos cabrito. Ou apresentar, depois das cerimónias fúnebres da sexta-feira santa, um trabalho sobre o luto de quem perde um animal! Terá sido mesmo? Nem devia dizer, ao sábado: "Hoje, domingo, quem for ao Centro de Ciência Viva, no Porto Moniz, recebe amêndoas grátis."
Óbvio, são lapsos de que ninguém está livre. Só não erra quem não se expõe. Aliás, nada de espantar com esse estado de espírito criado pela situação em que os poderes colocaram a RTP-M. Mas atenção, veja-se o que está a acontecer aos colaboradores, mesmo sem os cometerem. 
Outro problema é que, numa altura em que se fala da fusão de redacções televisão-rádio (pontapé nos mais elementares princípios do bem fazer uma e outra), também se prevê a desvinculação, logo que possível, dos colaboradores da Informação.
...O que é muito pouco conveniente, no estado em que o mercado de trabalho se encontra.
Fazemos votos para que os trabalhadores da casa forcem uma solução urgente para a televisão pública. O caminho que está a ser seguido, com uma impressionante corrida às rescisões amigáveis e consequente perda de valores firmados, nada de bom promete às necessidades de uma RTP em condições na Madeira.
Não acham, senhores da política governativa de cá e de lá, que estão a exagerar no massacre a que condenaram o centro regional? Esta é outra  para julgamento da História.




'FÉNIX' SEM APEGO AO PODER
RENOVA MANDATO





Uma justificação àqueles a quem prometemos ir embora: continuamos agarrados ao tacho porque alguém nos inspirou







Comecemos pelo princípio, a fim de que os raciocínios se encadeiem com sentido.
Hoje, começo de Abril de 2013, o 'Fénix do Atlântico' encontra-se teoricamente fora de prazo. O blogue deu os primeiros passos em Março de 2012, levando-se então ao conhecimento dos mais próximos o tempo de vigência do novo espaço de combate divertido, que era um ano. 
Nas suas origens, o projecto blogueiro consistia em arranjar uma rampa suave para descermos do trem onde fizemos barulho durante 40 anos de jornalismo. Uma espécie de fade-out que nos permitisse terminar a carreira  e regressar à 'vida civil' sem sentir, sem drama. Devagarinho.
O blogue foi alternativa caída do céu, mesmo para quem, e era o caso, não morria de amores pela blogosfera.
Ficavam prejudicados os projectos entre mãos para os próximos tempos, aliás bem absorventes, mas o estratagema terapêutico impunha-se.

O ano de transição correu com altos e baixos no tocante ao afastamento gradual do activismo nos media. Uns escritos, uns apoios e umas críticas adversas, como deve acontecer, e o mês de Abril 2013 cada vez mais perto.
Mas... eis-nos chegados à data e continuamos no ar.
- Olha, aquele que fala mal dos políticos afinal não cumpre a única promessa que fez! - castigam-me alguns, neste momento, e com motivos para o fazer.
Permitam-me explicar por que diacho decidimos continuar.
Olhemos para aquele governo de Lisboa. Passos e Gaspar, que perante a crise em que cada vez mais afogam o país, revelam tal apego ao poder que se recusam a empacotar as máquinas de calcular e partir para longe - que é o que deviam fazer.
Em contraste, vemos um 'sua excelência' cá da tabanca que, mau grado 3 décadas e tal a sentar o presidencial rabichol na cadeira das Angústias, representa o desapego ao poder em carne e osso! O homem já lá está desde 1978 e, contra o alapanço de Passos e Gaspar, para ele, 'Meio Chefe', tanto se dá como se deu ter a vara na mão! Desprendimento é isso, meus senhores.

No meio do esclarecimento que fazemos a quem esperava neste momento ver o 'Fénix' pelas costas, deixemos escapar esta confissão: o que nos motiva e dá forças para renovar o mandato é precisamente o desapego de 'Meio Chefe' ao poder, ainda por cima um desapego com quase 4 décadas e que em 2016, se Deus der vida e saúde ao dito-cujo, baterá o recorde salazarento de imortalidade política, salvo seja.

Há outro factor a considerar na nossa decisão de ficar mais um tempinho. E, mais uma vez, sob inspiração de 'Meio Chefe'. 
Pode ser copiar demais, porém preferimos confessar.
Trata-se do seguinte: ao longo deste longo aninho, muitas patifarias foram feitas para, sem dó nem piedade, atingir o 'Fénix'. Os vírus - e que vírus! - cravaram-se desalmadamente na pobre da avezinha já de si feita em cinzas. Computador para baixo, computador para cima, consertos e actualizações em série. 
Amiúde, grãos de areia no email, prejudicando PC e tlm com gravidade.
Perdemos a conta das vezes em que, num período tão curto, este pc 'Asus' esteve de baixa, para submeter-se a delicadas intervenções às mãos dos especialistas informáticos. 
E os leitores a julgarem que as ausências eram baldas nossas!
Outra: o leitor que experimente aceder à 'Fénix' através dos blogues que, amavelmente, nos colocaram entre os seus favoritos. Alguém bloqueou esses caminhos.

Mas a verdade é que, se os transtornos eram muitos e consideráveis, o entretimento proporcionado aqui ao pessoal correspondia-lhes. 
Porra! Não é que estamos a importunar sevandijas, sibaritas, jagunços e feiticeiros da tribo, como acontecia naquelas 4 décadas?!

À medida que chegávamos ao previsto fim de mandato, crescia o desencanto do adeus. Até porque as ameaças a um tempo mauzonas e hilariantes que nos inundavam o correio electrónico, a par das centenas e centenas diárias de emails só para encher, tudo isso nos galvanizava. 
Bom: que costuma dizer 'Meio Chefe' quando vai para fim de mandato? Isto: "Se pegam comigo, recandidato-me!"
Claro que ninguém pega com ele, a ver se se vai. Mas, à falta de argumento, ele queixa-se de estar a ser 'pegado' pelas pedras e recandidata-se mesmo.
Então nós, com quem pegam mesmo, porque os vírus não caem do céu, iríamos perder a ocasião para nova candidatura?!
Tal como sua excelência, estamos de todo desapegados do poder, por isso continuamos.
Enquanto há luta, há esperança.

Nota - Esta não é uma peta de 1.º de Abril. Prosseguimos de verdade. Os projectos absorventes não perdem pela demora.


BRONCA POLÍTICA



Depois de muita reflexão pascal no Porto Santo

'MEIO CHEFE' BATEU COM A PORTA DAS ANGÚSTIAS
...E JÁ ESTÁ EM CASA





Ele saiu mal disposto do meio das araras, há pouco, bateu com a porta do gabinete, disse bye-bye, meteu-se no carro e foi para casa.
...Estuporado porque não arranjaram motivo para um almoço oficial no centro de dia, lá foi ele dar maçada em casa, na Pena, com aquela frugal refeição do costume.
Às 3 da tarde, ei-lo de regresso ao centro de dia das Angústias, para desfrutar da sesta costumeira.

Nota - A 'bronca política' do antetítulo é para criar ambiente. Hoje é dia das petas.

AMBIENTE



QUINTA DO PALHEIRO FERREIRO - RECANTOS 






A Quinta do Palheiro Ferreiro é uma das unidades mais valiosas da paisagem humanizada da Madeira.
Começou a ser construída em 1804, por iniciativa do primeiro Conde de Carvalhal. Em 1885 foi comprada pela família Blandy, que ainda a mantém.
Passei a Sexta-feira Santa a observar muitas das setecentas espécies de plantas ornamentais que povoam os jardins e a fazer registos fotográficos de recantos desta Quinta, que, com mais de dois séculos de vida, associa uma rara beleza paisagística a uma extraordinária riqueza botânica.
Neste Domingo de Páscoa partilho convosco uma dúzia de recantos que me apaziguam a mente.  

Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal