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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

LARANJAL NOVO


O apoio de Adolfo Brazão será recompensado por Albuquerque. Aqui, ambos os social-democratas com Sérgio Marques, num convívio de Natal.


PODER DE TRANQUADA E FILIPE
EMBARAÇA DEPUTADOS PSD-M


No interior do partido, desconfiam que Albuquerque, fechado estes dias a trabalhar, vai satisfazer a nova clientela na base das amizades. "Se unir o partido é isso...", desabafa um barão incomodado.





Os deputados do PSD-Madeira anteviam que a entrada de Miguel Albuquerque para novo líder do partido provocasse mudanças na chefia do grupo parlamentar. Mas pelo menos alguns deles estranham que Jaime Filipe Ramos e Tranquada Gomes, actualmente vice-presidentes do grupo, tenham funcionado esta semana como líderes nos primeiros plenários depois das eleições internas. Jaime Ramos, chefe do grupo há muitos anos, quase nem fala. Talvez porque Miguel Albuquerque tenha anunciado publicamente, nos debates da campanha, que ele, Jaime, integrou um ciclo que agora se fecha e que, nessa base, não contará com ele.


Tranquada, e não Filipe, falado para sucessor de Jaime Ramos

Deste modo, quem tem contactos privilegiados com o novo líder do partido são Filipe Ramos e Tranquada Gomes. Isto segundo a impressão dos deputados que, sem que alguém anunciasse qualquer mudança, têm de ficar 'em sentido' perante as ordens daquele dueto, limitando-se a cumpri-las. Sobretudo nas horas importantes de votar a favor ou contra.
Já se sabe que a direcção do grupo parlamentar colocará os lugares à disposição de Albuquerque na próxima segunda-feira, depois do congresso. Na primeira reunião da nova comissão política, também na próxima semana, serão indicados os nomes para a futura direcção, a fim de que os deputados a confirmem por meio de votação. Ora, no grupo parlamentar persiste o sentimento de que Filipe Ramos será o novo líder da bancada. Mas, no ambiente mais próximo do ex-presidente do Funchal, percebe-se que o escolhido para número um será Tranquada Gomes. Uma forma de desviar o foco do 'peso' Ramos na era Miguel Albuquerque.
Há quem se interrogue acerca do preciosismo de nesta altura se proceder à mudança de direcção do grupo. A não ser que se trate disso mesmo: demarcar Albuquerque da imagem Jaime Ramos-pai. O que não deixa de ser uma concessão perante as acusações sobre uma ligação desse género, propaladas na campanha interna e retomadas pela oposição agora. Vale mesmo a pena mudar de direcção de bancada? Afinal, quase não haverá plenários até às eleições antecipadas. 
Justifica-se a suspeita de uma desnecessária 'operação de cosmética'.


Um lugar para Adolfo Brazão

Há um ambiente esquisito entre os deputados. Que alastra a outros quadrantes do PSD. Nada tem transpirado dos vários dias de trabalho, com Miguel Albuquerque e Rui Abreu no centro de operações. Em surdina, comenta-se que Miguel está a enveredar pela escolha de velhos amigos para os cargos mais visíveis do partido, a anunciar no congresso de sábado e domingo.
Fotografias publicadas no facebook espicaçam a imaginação de observadores internos do Laranjal Novo. A quadra natalícia propiciou encontros de amigos que não podem ser desligados da vida partidária. Adolfo Brazão convidou à sua casa o velho companheiro Albuquerque. E ainda Sérgio Marques, ex-Delfim afastado da corrida na 1.ª Volta das internas. 
Há muita imaginação, mas também impressões substanciais. Garantem-nos que Adolfo Brazão tem lugar importante para ocupar na hierarquia do partido. Ele exaltava, no facebook, total apoio à candidatura de Miguel Albuquerque, escrevendo a propósito do referido convívio de Natal, dia 26, que reuniu em sua casa as três personagens (ele, Albuquerque e Sérgio) - "O meu sonho: ver estes meus amigos juntos. Para enfrentar tudo e todos! Estou convosco: Miguel Albuquerque para presidente e Sérgio Marques para o que der e vier."
No caso de Sérgio, já estivemos mais inclinados a 'ver' a sua integração num governo chefiado por Albuquerque, em caso de vitória laranja nas eleições antecipadas. Hoje, suspeitamos que o novo líder quer reservar o competente quadro, antigo deputado no Parlamento Europeu, para outros voos. 
Pressentimentos. Mas seria uma surpresa, deixar Sérgio fora de um governo.


Conselho de jurisdição: quem livrou Albuquerque da expulsão exigida por Jardim?


Neste contexto, dizem-nos que Adolfo terá promoção que lhe conferirá notoriedade no PSD. Provavelmente, presidente do conselho regional e da mesa do congresso. Pensámos no conselho de Jurisdição para aquele advogado, velho amigo de Albuquerque. Mas aí o espaço estará ocupado. Com a equipa cujo actual mandato chega ao fim. 

Presumimos.
Tudo depende, claro, de Miguel Albuquerque dar ou não dar importância às peripécias da pré-campanha e da campanha. Sem a coragem do conselho de jurisdição (CJ) presidido por José Prada, ele, Albuquerque, não seria consagrado sábado como presidente do PSD-Madeira. Mas é isso, não sabemos se o novo chefe acha importante que o CJ tenha resistido às insistentes pressões de Jardim para expulsar do partido o Delfim ex-presidente do Funchal. O que equivaleria a consumar-se a perpetuação do 'eterno líder' na Rua dos Netos. Porque o processo de sucessão daria inevitavelmente uma cambalhota, já que até havia Delfins comprometidos com a afirmação de nunca irem a votos contra Jardim.
Caso Albuquerque tenha convidado ou vá convidar a equipa de Prada, então Adolfo Brazão poderá ser presidente do conselho regional. 
Tudo isto, claro está, segundo as conjecturas dos tais observadores internos. Inquietos com o que prevêem ir encontrar de novo durante o congresso. "Há grandes surpresas à espera", aventa uma fonte do Laranjal. "Miguel Albuquerque vai tentar satisfazer a nova clientela, vai tratar se acomodar bem os amigos."


Grupos de trabalho para ocupar os mais jovens 

Que os lugares não dão para todos, sabe-se. Miguel Albuquerque, nestes dias muito cheios a preparar a participação no congresso, mais os dossiers que pretende entregar a Passos Coelho, no domingo, mais a selecção de nomes a integrar os órgãos por completar, Albuquerque revela o desejo de ocupar em permanência as camadas mais jovens do partido. A solução é criar grupos de trabalho que sirvam de trampolim para os valores do futuro. Se nos disseram bem, Albuquerque até pediu aos outros ex-Delfins nomes de gente nova com capacidade para integrar esses grupos de trabalho.
Não está mal pensado: o novo líder faz, dessa maneira, o contraponto com aquele a quem vai substituir, isto é, o outro expulsava militantes, ele, Albuquerque, chama gente para dentro. 
Enfim, pacificar. Unir. Liderar sem ondas.    

Ex-Delfins convidados, mas alguns não aceitam

Quanto aos ex-adversários, Albuquerque convidou todos os adversários das eleições internas para integrarem uma lista única de conselheiros regionais. Já houve negociações nesse sentido. O objectivo é evitar mais lutas, em nome da união do partido. Há quem não vá aceitar. Julgamos que João Cunha e Silva não aceitaria baixar de presidente do conselho, que é agora, para baixo de um novo nome que apareça no topo do órgão, como Adolfo Brazão. Mas é tudo mera especulação nossa. Que os interessados não se enervem. Descontraiam. Nestas alturas, é assim: impera o palpite.


PS 1 - Na manhã desta quinta-feira, terá de ser resolvida de uma vez a lei de Miguel de Sousa - que fixa um sistema fiscal para a Madeira. As ordens para despachar o assunto na Assembleia Legislativa chegam da nova liderança do PSD - ou seja, da equipa de Miguel Albuquerque. Ora, isso não é brincadeira. Se tão importante questão (estamos a falar de 2 mil milhões de euros para os cofres da RAM) não passar agora, se calhar só em 2016 o tema volte à mesa.


PS 2 - Jardim afirmou hoje na Grande Entrevista da RTP que assumirá a derrota do PSD-M caso ela aconteça nas eleições antecipadas. Nesta base: se o PSD passar de vencedor a perdedor é porque a liderança anterior não preparou devidamente a transição. Mas deixou claro que não acredita nessa derrota. Na sua perspectiva, ganhará Miguel Albuquerque. "O meu líder", como fez questão de esclarecer.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015


PAINÉIS PUBLICITÁRIOS 
E COMENTADORES ANÓNIMOS

Painel publicitário na área de proteção do Palácio de São Lourenço (01.02.2009)

No passado Domingo difundi na minha página no Facebook e por e-mail uma nota intitulada "PUBLICITANDO HISTÓRIA, MOLESTANDO O PATRIMÓNIO HISTÓRICO", manifestando indignação pela implantação dum “MUPI” à beira da estátua em homenagem a João Gonçalves Zarco.
Escrevi e repito que aquela peça de mobiliário urbano, que ostenta publicidade do “Madeira Story Centre”, não é boa vizinhança para o monumento inaugurado em Maio de 1934 e interfere negativamente na visualização do edifício do Banco de Portugal.
       Afirmei e repito, que, para além de molestar o património histórico, o novo “MUPI” é mais um obstáculo para os invisuais.
Por detrás da abominável máscara do anonimato, surgiram reações de indefetíveis adeptos da atual gestão camarária, acusando-me de não ter tido a mesma abordagem crítica em relação ao grande painel publicitário localizado entre a estátua de Zarco e o Palácio de São Lourenço, porque tinha sido colocado quando eu era vereador da Câmara Municipal do Funchal e porque sou “albuquerquista”.
Acontece que terminei o meu mandato em Janeiro de 2002 e o tal painel foi instalado em Janeiro de 2009.
Acontece, ainda, que no dia 01 de Fevereiro de 2009, quando o Dr. Miguel Albuquerque era presidente da Câmara do Funchal, escrevi e difundi através da minha rede de e-mails o seguinte protesto:

“O Palácio de São Lourenço é o mais importante elemento da arquitectura civil e militar madeirense, sendo mesmo ‘considerado um dos melhores exemplares conservados e idealizados da fortificação portuguesa dos séculos XVI e XVIII’ (Guia dos Monumentos do Funchal).
       Em Agosto de 1943 foi classificado como Monumento Nacional.
Em Janeiro de 2009, revelando falta de respeito pelo direito dos cidadãos desfrutarem do património histórico, uma empresa de publicidade instalou um enorme painel electrónico na Avenida Arriaga, que fere gravemente a paisagem do núcleo urbano onde se integra o Palácio de São Lourenço e o Largo da Restauração.
Apelo a todos os funchalenses com sensibilidade cultural para que exijam à Câmara (cmf@cm-funchal.pt) a retirada imediata daquele espantalho e que proceda à desmontagem do quiosque da estilista Fátima Lopes, que se mantém encostado ao Palácio, quase um mês após o fim das comemorações dos 500 Anos da cidade do Funchal.”

No dia 07 de Fevereiro de 2009, no programa “CIDADANIA” na RDP – Madeira, voltei a manifestar a minha indignação, tendo defendido que a localização do referido painel violava a Lei nº 107 / 2001, segundo a qual, os monumentos nacionais “beneficiarão automaticamente de uma zona geral de protecção de 50 m, contados a partir dos seus limites exteriores, cujo regime é fixado por lei” (Artº. 43) e nenhumas intervenções relevantes “podem alterar a especificidade arquitectónica da zona ou perturbar significativamente a perspectiva ou contemplação do bem” (Artº 52).
Infelizmente o Tribunal Administrativo do Funchal teve uma interpretação diferente e a Câmara do Funchal manteve a licença de localização do monstruoso painel publicitário, que continua a ferir a paisagem da Avenida Arriaga, entre a estátua de Zarco e o Palácio de São Lourenço.

A atual administração camarária ao invés de intervir no sentido de erradicar o inestético e tecnicamente ultrapassado painel localizado rente à Praça da Restauração, autorizou a implantação de mais uma peça de mobiliário urbano, que interfere negativamente na qualidade estética daquela zona nobre da cidade e constitui um novo obstáculo para os invisuais.  
  
O FUNCHAL MERECE MAIS SENSIBILIDADE!

Painel publicitário na área de proteção do Palácio de São Lourenço (04.01.2015)

MUPI junto à estátua de João Gonçalves Zarco (04.01.2015)

MUPI junto à estátua de João Gonçalves Zarco.
Nem a calçada foi respeitada (04.01.2015).

Texto e fotos: Raimundo Quintal

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Política


LÍDER DO PP-M PEDE 
AUDIÊNCIA URGENTE
COM REPRESENTANTE IRENEU




Rodrigues falará da demissão de Jardim, da dissolução do parlamento e proporá 29 de Março para as eleições antecipadas

Explicar ao representante da República a posição do PP-Madeira no que respeita ao momento político regional é o objectivo que leva José Manuel Rodrigues amanhã pelas 11 horas ao Palácio de São Lourenço.
O encontro foi pedido por Rodrigues a Ireneu Barreto, com carácter de urgência, e acontece a 5 dias de Jardim comparecer na residência oficial do representante para lhe apresentar o pedido de demissão de presidente do governo regional. 
Esse obviamente será um dos temas que o chefe do PP leva em agenda, associado à dissolução da Assembleia Legislativa Regional, tudo na ressaca da mudança de presidência no PSD-M.
José Manuel Rodrigues deixará já nas mãos de Ireneu Barreto a sua preferência para a realização das eleições antecipadas: 29 de Março.
Como se sabe, o partido de governo realiza o seu congresso regional este fim-de-semana, de onde sairá consagrado um novo líder dos social-democratas, Miguel Albuquerque.

Parlamento


ATÉ JAIME RAMOS APROVOU
CORTE NO MANÁ 'JACKPOT'




Já vimos mudanças, mas assim tão rápidas e até um pouco antes do tempo como esta!...

A proposta de corte nas subvenções do parlamento aos partidos, da autoria do PP-M, passou ao fim da manhã por unanimidade. 
Como os tempos mudam as cabeças!
Até Jaime Ramos, exaltado adversário da redução de verbas, votou a favor! Acompanhado, aliás, também pelos outros ultra-conservadores do grupo social-democrata.
E é sempre em 'passo de corrida' para não se perder tempo: o texto baixa à comissão para acerto do corte, já amanhã. O PP-M propõe 50%, Miguel Albuquerque fala em 40.
Na quinta-feira, a discussão volta para o plenário, a fim de as alterações serem votadas.
Rapidamente, para não arrefecer.


Jardim teme dependência dos partidos em relação aos grupos económicos...


Espantado deve estar o ainda líder Jardim. Mas, como sempre, consegue sorrir e disfarçar o pasmo. Abordado pelos jornalistas depois dos trabalhos parlamentares de hoje, passou a mensagem de que é necessário não proceder a um corte tal do jackpot que deixe os partidos políticos nas mãos dos grupos económicos.
Posição já exibida pelo PCP, no plenário da manhã.
Podiam era ter preparado tudo para não haver esses perigos.
Mas deixamos um reparo a propósito: o PSD-M foi abundantemente 'ajudado' ao longo do jardinismo por grupos económicos e nunca os empresários ou os empreiteiros mandaram no chefe das Angústias.

...E não sabe se vai ao congresso do fim-de-semana


Quanto ao congresso da consagração de Miguel Albuquerque e sua equipa, a começar sábado, Jardim não revelou se lá vai ou não.Está a estudar ainda. E não sabe dizer se, comparecendo, usará da palavra ou não.
Embora tendo recebido uma carta com a convocação para o congresso, o que a seu ver é uma "trapalhada" dos organizadores, porque não concorreu às eleições internas nem faz parte de qualquer lista, o presidente cessante nem sequer é delegado. Como explicou aos jornalistas ao fim da manhã, ele só pode ir ao congresso à luz da inerência do cargo de líder que ainda ocupa. Nessa qualidade, pode inscrever-se para falar, no magote de intervenientes, se acaso não for convidado para subir ao palanque.
A concluir, uma palavra para o corte no jackpot: o efeito Albuquerque já influencia decisivamente... e o homem ainda nem tomou posse! 
Mas ainda não decidiu se vai e se, em caso afirmativo, usará da palavra.

Dúvida de um Leitor acidental


ONDE FOI O JM DESENTERRAR
ESTE 'NOVO LÍDER' DO PSD-M?


"Que ovni é este que nunca vi mais gordo nas
páginas do JM?", pergunta o aturdido Leitor.



"Caros responsáveis desse blogue:
Sou um leitor fanático, e em exclusivo, do nosso Jornal da Madeira. Mas deparo-me hoje com uma dúvida que gostaria de desfazer.
Claro que devia fazê-lo junto do próprio JM, e já o tentei. Só que ninguém me atende de lá: nem pelo telefone nem por e-mail, nada. Da diocese disseram-me que os comissários dirigentes do jornal estão ocupados esvaziando gavetas e outros andam concentrados a ver arder as barbas do jackpot, no incêndio deflagrado esta manhã no parlamento.
Trata-se do seguinte:
Acompanhei toda a campanha eleitoral interna do PSD-M pelas edições do Jornal da Madeira. É que não leio mais nada nem vejo tv nem ouço rádio. Se hoje dei com este blogue foi por sorte. Como dizia, é uma tara minha fixar-me naquelas primeiras páginas do JM, pintadas de laranja. Como as piadas dos bonecos são de esmorecer a rir. Idem com as doutas opiniões. E o artigo da última página que agora deveria vir na necrologia política. 
Acontece que hoje me deparo com duas páginas anunciando que um novo líder vai tomar posse sábado, que ele vai apoderar-se da liderança da nossa 'gaiola das malucas', em congresso regional. Isso eu sabia, que iria haver novo líder. Mas eu só conhecia o Manuel António, o Cunha e Silva e o Jaime Ramos, das páginas do jornal, claro - presença diária, como se impunha. 
Não é que o JM desta terça fala de um tal de Miguel Albuquerque para novo chefe, sujeito esse de que nunca ouvi falar? Até publicam duas fotografias com feições que me dão a ideia daquele 'espetador de facas' antigo presidente da Câmara do Funchal, onde trabalhou ao serviço da maçonaria e dos bretões.
Na verdade, nunca vi no JM este nome nem fotografias do indivíduo em causa, pelo menos nos últimos dois anos. Como é que ele aparece nas sacras páginas, assim do nada? Quem é o sujeito? De repente, julguei-me na secção religiosa, já que me veio à cabeça a imagem de Cristo. Mas não, aquele olhar é de pecador.
Se me conseguirem explicar a marosca, agradeço."
  
"Será este um 'homem das neves' que aterrou
na Fernão de Ornelas vindo do nada?"

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CRISE


MAIS DESEMPREGADOS

Dezenas, dezenas e dezenas. Na Loja do Cidadão. Hoje. Tratando da papelada para receber subsídio de desemprego. Novas vítimas já este ano.
Linda herança.
Façam o que Passos Coelho propôs: embarquem.
Mas seria melhor se, juntos, fizessem embarcar o primeiro-ministro que, com preciosas ajudas regionais, faz isto aos madeirenses.

REGIONAIS ANTECIPADAS


PARTIDOS EM CONTRA-RELÓGIO
PARA CONSTITUIR COLIGAÇÕES

É uma corrida a todo o vapor para tentar impedir a passagem do feitiço das 'maiorias absolutas' de Jardim para Miguel Albuquerque. Seguem-se uns dias frenéticos repletos de discussões acaloradas nos lados da oposição.

O PS mal terá tempo para respirar, estes dias.

Sucedem-se vertiginosamente contactos entre os vários partidos da oposição em busca de entendimentos que levem à formação de alianças para impedir a continuidade da hegemonia social-democrata na Região, agora na era Miguel Albuquerque.
O caso é que, parece-nos, os partidos que correm desesperadamente para evitar nova maioria absoluta perderem demasiado tempo... e acordam tarde. O calendário das eleições no PSD-M foi conhecido com muita antecedência. O favoritismo de Albuquerque era mais do que evidente. Mas os oposicionistas, salvo raríssimas excepções, decidiram passar as festas de Natal assistindo tranquilamente à refrega em casa do adversário.
Isto para dizermos que não há mais um minuto a perder. Sabemos dos vários patamares partidários - são vários - onde se discutem possíveis coligações. Não se tendo ainda chegado sequer, em nenhum lado, à definição de critérios de lugares e funções para depois do acto eleitoral legislativo. 
Desconhecemos também que eficácia possam ter coligações estabelecidas sem a realização de uma sondagem que espelhe o sentir do eleitorado - agora, que a direcção do PSD-M mudou para um estilo diametralmente oposto ao anterior.
As duas ou três sondagens que estão a servir de ponto de partida nas conjecturas de alguns partidos estão fora de prazo. Ou não?
Para estes dias está programada muita conversação entre cúpulas partidárias da oposição. Nada mais avançamos, pois aceitamos as recomendações das nossas fontes: o segredo é a alma do negócio. 
E não é preciso lembrar aos crânios da oposição que o tempo voa. Que não estão apenas em jogo interesses individuais ou de facção, há também uma população à espera da mudança-mudança. 
A grande responsabilidade está com Victor Freitas e seus mais directos colaboradores. Deixar fugir o 'novo PSD' seria dramático para os socialistas. 
O PP está a jogar nas condições que detém para integrar sempre uma coligação de governo pós-eleitoral, com o PSD ou com o PS. Porém, em caso do terramoto que seria a 'maioria absoluta' dos social-democratas, a devastação não passaria apenas pela área socialista.

Parlamento


DEPUTADOS DO PSD 
VOTAM A FAVOR 
DA REDUÇÃO DO JACKPOT




Lá se vai o dinheiro para circo, cantores pimba e festanças nas campanhas eleitorais


Os deputados do PSD-Madeira finalmente estão de acordo: é preciso acabar com os gastos astronómicos, à custa do povo, em campanhas eleiçoeiras e iniciativas partidárias afins. Amanhã mesmo, será debatido o projecto de decreto regional, da autoria do PP, que prevê um corte substancial nos dinheiros atribuídos pela Assembleia Legislativa aos grupos parlamentares e que depois são canalizados subrepticiamente para os partidos.
Vários deputados social-democratas, incluindo os que apoiaram Miguel Albuquerque nas recentes internas do PSD, votarão a favor da proposta dos populares. Um número de votos da maioria que deverá ser superior ao esperado.
José Pedro Pereira, que já pediu a sua reintegração no grupo parlamentar do PSD, votará a favor da proposta que reduz o famigerado jackpot.
"Ao fim de 7 anos, conseguimos fazer aprovar esta medida", regozija-se um dirigente do PP-Madeira. No entanto, outras forças sempre defenderam a redução dos absurdos dinheiros dispendidos pelo parlamento.
Já que a oposição se pronunciará favoravelmente, os votos emergentes do PSD farão o resto.
Jaime Ramos é que votará contra. Supostamente. Curioso, mas, na reunião de hoje do grupo que ainda lidera, ele propôs-se marcar um plenário para depois do congresso do PSD-Madeira, que decorre no próximo fim-de-semana. Sendo preciso um companheiro lembrar-lhe que ele já anunciou a demissão do cargo de chefe do GP. Ou seja, que já não manda nada.
Costumes de 40 anos que será difícil esquecer...


Projecto de Miguel de Sousa deverá passar

Apreciação positiva deverá merecer também o projecto de proposta de lei destinado à Assembleia da República tendo em vista fixar um sistema fiscal para a Madeira. Iniciativa do social-democrata Miguel de Sousa, exposta em profusão na campanha eleitoral para a liderança do PSD-M.



Publicamos aqui o projecto daquele deputado social-democrata:





Miguel de Sousa

ESQUINA DO MUNDO OU RECANTO DAS BARRACAS?

"Aquele ângulo do Funchal era, entre as esquinas do Mundo, um dos mais dobrados pelo espírito cosmopolita do século. Em viagem de recreio ou em trânsito para Áfricas e Américas, davam volta ao cunhal do «Golden Gate», diariamente, homens e mulheres de numerosas raças, o passo vagaroso, o nariz no ar, as mãos carregadas de cestos, de garrafas e de bordados da Madeira" (Ferreira de Castro - "ETERNIDADE" - 1933).
Por obra e graça da Secretaria Regional do Turismo e Cultura, com a bênção da Câmara Municipal do Funchal, a Esquina do Mundo transformou-se num recanto com barracas. 
Parafraseando o saudoso António Aragão Mendes Correia: Viva o Putrimónio!

O FUNCHAL MERECE MAIS SENSIBILIDADE!




Texto e foto: Raimundo Quintal

PUBLICITANDO HISTÓRIA, MOLESTANDO O PATRIMÓNIO HISTÓRICO



Recentemente foi implantado um “mupi” à beira da estátua em homenagem a João Gonçalves Zarco, criada pelo escultor Francisco Franco, sobre pedestal de calcário da autoria do arquiteto Cristino da Silva.
A estrutura, que ostenta publicidade do “Madeira Story Centre”, não é boa vizinhança para o monumento inaugurado em Maio de 1934 e interfere negativamente na visualização do edifício do Banco de Portugal.
Para além de molestar o património histórico, é um novo obstáculo para os invisuais.
O FUNCHAL MERECE MAIS SENSIBILIDADE!



Texto e fotos: Raimundo Quintal

sábado, 3 de janeiro de 2015


A FESTA DA FLOR COMEÇA 
NO PRIMEIRO DIA DO ANO

Magnolia denudata - 01.01.2015

No Jardim do Tojal, freguesia do Faial, nordeste da Ilha da Madeira, as magnólias oriundas da China (Magnolia denudata) estão começando a florir, as trombeteiras naturais do Equador (Brugmansia aurea) mantêm a vistosa e aromática floração, os camarões da África do Sul (Tecomaria capensis) espreitam o mar, as chocalheiras da Ásia Tropical (Crotalaria semperflorens) exibem as elegantes flores douradas.
Na Madeira é assim. A Festa da Flor começa no primeiro dia do ano.

Brugmansia aurea - 01.01.2015

Tecomaria capensis - 01.01.2015

Crotalaria semperflorens – 01.01.2015

Texto e fotos: Raimundo Quintal

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Estertor


ESTÃO VERDES, NÃO PRESTAM




Os madeirenses, embora tardiamente, deixaram de ligar às contradições dele e por isso já não se sentem intelectualmente insultados. Aquilo também está nas horas do 'badagaio'.
Mas o surrealismo do regime estrebucha até ao fim.
Agora foi ele a dizer, certamente influenciado pelo champanhe da meia-noite, que o processo com que os companheiros de partido o correram da política partidária e governativa... foi programado por ele! Que ele escolheu a altura de sair e o tipo de substituição!
Pois, também dizemos, Caro Leitor: porra!
Os madeirenses estavam capazes de apostar em como ele o que queria era ficar até morrer na cadeira das Angústias, conforme demonstrou de 4 em 4 anos desde 1980. Logo, não programou substituição coisa nenhuma. Idem aspas, para ele não havia altura de sair. O plano dele era perpetuar-se lá em cima. Ponto.
Quando ameaçado pelo avanço de Miguel Albuquerque, esforçou-se desesperadamente para evitar congressos e eleições internas, a ver se continuava lá.
Consumado que ia ser corrido, montou um combate implacável para evitar a vitória de Albuquerque. Calúnias, insultos, avisos aos militantes eleitores do PSD - foram 2 anos diabólicos. Ao constatar dolorosamente que nenhuma influência tinha sequer no interior do partido, tentou de tudo para fazer-se substituir por um Delfim que, caridosamente, deixasse o 'desempregado político' mandar um pouco e lhe proporcionasse imprensa para ele desovar diariamente vísceras deterioradas. Em vão.
E vem dizer agora, diante das câmaras de televisão, à vista dos madeirenses que conhecem a escabrosa história da mudança interna, que "todo o processo correu bem e como previsto"!
Num último estertor, andou a mendigar em Belém mais uns meses de 'rabo quente' nas Angústias. Que o deixassem lá ficar até Outubro. Levou sopa. Pois ao dealbar do ano novo, aparece a lamentar que, tendo ideias de entregar já o poder ao homem que se segue, por haver eleições terá de "aguentar isto mais 3 ou 4 meses"!
Como remate final, e já que as uvas estão fora do alcance, perdigota que as suas ideias vingaram até ao fim, que "o jardinismo funcionou até ao fim". 
Ora, só neste tipo de trampolinice o jardinismo "funcionou até ao fim".
Bem, o passado fica para trás. O tempo das raposas expirou. Entendamos as delirantes declarações do homem como auto-medicação para não sucumbir às mágoas. No fundo, ele sabe que nunca teve nível para ocupar os cargos que ocupou.
Vêm aí tempos tramados. Mas tempos novos a ser vividos dentro de uma normalidade que anda ausente da Madeira desde o longínquo ano de 1978.

2015 Mensagens


Como é habitual, os portugueses foram brindados com uma mensagem de Belém que deve ser seguida em 2015 como se se tratasse da estrela peregrina dos reis magos. Sabedoria com que tentamos também inspirar a mensagem do 'Fénix' nos avisos para o ano eleitoral de 2015.




MENSAGEM 
DO PRESIDENTE 
DA REPÚBLICA




"Há que ser cuidadoso nas promessas eleitorais que se fazem e que, não podendo depois ser cumpridas, acentuam perigosamente a desconfiança dos cidadãos em relação à classe política e às instituições."




MENSAGEM 
DO 'FÉNIX
DO ATLÂNTICO'






"Há que ser cuidadoso com as influências eleitorais que faz este Presidente da República e que, visando defender o ultraliberalismo do sistema que deu as suas ajudas tanto no caminho para Belém como em certos jogos bancários, acentuam perigosamente a desconfiança dos cidadãos em relação à classe política que ele a todo o custo tenta perpetuar no poder, preparando já uma campanha eleitoral pró-Passos/Portas com vista a Outubro." 


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015


Quem ficou a desfrutar do espectáculo é bom que se apresse a reagir ao novo fenómeno do endiabrado Laranjal. (Foto GREGÓRIO CUNHA)


OPOSIÇÃO: TOCA A SALTAR DA POLTRONA


O espectro da maioria absoluta laranja volta a atacar e com inesperada impetuosidade



Os líderes da oposição já repararam: com a reviravolta no PSD, o contexto político mudou estrondosamente. E devem ter reparado que essa mudança foi para pior. 
Pior para a oposição. 
Resta descobrir se aqueles que pretendem derrubar finalmente o poder laranja conseguem fazer a leitura correcta da situação. E se, fazendo essa leitura correcta, estarão dispostos a sacrifícios em nome de uma real mudança de filosofia político-social na Região Autónoma.
A oposição gastou os últimos meses - muitos meses - sentada na poltrona, desfrutando do espectáculo em cartaz na área social-democrata. Julgando que 'eles' lá dentro se destruiriam a si próprios, fazendo implodir o partido e deixando tudo em escombros.
Bem poderia a oposição ter-se esforçado por fazer uma projecção do futuro político mais cuidada - e matreira. Se o fizesse com humildade e frieza, estaria hoje organizada e mais preparada para uma luta que exigirá muito suor. E o impacto do processo de sucessão no PSD não teria monopolizado as atenções de toda a Madeira.
Houve alguns avisos para despertar a oposição. Sem nenhuns resultados práticos.
Nuvens negras formam-se no horizonte.
A oposição não quis, e parece não querer ainda, aceitar que há muito deixou de ser razoável o princípio de que, enquanto o líder histórico do PSD-M estivesse no poder, quase não valia a pena concorrer a eleições, e que, assim que o líder caísse, adeus PSD-M. Ou seja, a oposição menosprezou as mudanças em casa do adversário, não as acompanhou com realismo. Ouvimos muitas críticas contra o demasiado destaque cedido aos episódios que se sucediam na telenovela dos Delfins. Mas o tema não era despiciendo, de todo, como se sabe agora. As coordenadas alteraram-se substancialmente na Rua dos Netos, devido a factores internos e a factores gerais, actuando de fora para dentro.
Internamente, o aparecimento de Albuquerque como rival do eterno chefe abalou irremediavelmente o desengonçado edifício laranja insular.
Externamente, cresceu a olhos vistos o cansaço popular perante um insuportável estilo de liderança com perto de 40 anos. Situação a que se associavam resultados incrivelmente ruinosos da governação social-democrata, com saliência para a descoberta de dívidas ocultas preocupantes mesmo para o maior estoira-vergas. Tudo junto, as reacções populares à simples presença do chefe incendiavam-se gradualmente. Uma ameaça permanente traduzida em cerveja atirada ao presidente do governo, vaias na mesma direcção, um mal-estar que não prenunciava nada de bom. O reforço da segurança não tranquilizava satisfatoriamente. O resultado das eleições internas de 2012 fez o resto. Até o presidente ancião entendeu finalmente que vivia fora de prazo, nos cargos partidário e governativo. O que percebeu ainda melhor em Setembro de 2013, ao perder 7 câmaras municipais, incluindo a capital madeirense.
Miguel Albuquerque insistiu e avançou decididamente à conquista da liderança. Os outros Delfins foram saltando para a pista, um a um.


O grande obstáculo do teimoso

Ainda assim, o velho chefe tentou tudo por tudo para eliminar o grande obstáculo da sua carreira, aquele que o corria do pedestal. Sugeriu, exigiu e pressionou o Conselho de Jurisdição para que expulsasse Miguel Albuquerque. E se o CJ de José Prada não actuasse com o rigor e a coragem com que actuou, a vida do PSD para os próximos anos seria diametralmente diferente: o ancião avançaria para a recandidatura, já que outros prometeram não avançar contra ele, e tudo faria para se perpetuar nos píncaros das Angústias até aos seus últimos dias. 
Claro que raciocinou mal: se, por absurdo, ganhasse outra vez o partido, o eleitorado regional mandava-o para casa na oportunidade seguinte. Então sim, o PSD-M desaparecia do mapa.
Apesar de tudo o que estava à vista, o teimoso e obcecado líder exerceu uma campanha eleitoral anti-Albuquerque até ao dia limite de 29 de Dezembro. Objectivo: ganhar as internas um outro que, supostamente, o deixasse continuar a mandar na terrinha e lhe garantisse a tribuna do JM para ele continuar a praguejar insultos diariamente.
Enquanto este penoso processo decorria dentro do PSD, os opositores do regime esfregavam as mãos, bem refastelados a seguir o espectáculo e até a despachar piropos para o campo de batalha. Inclusivamente, disparando alguns tiros para enfraquecer os adversários que pareciam mais fortes - mas tiros que iam fazendo ricochete em forma de boomerang.
Hão-de aniquilar-se uns aos outros, a mudança de cores no poder há-de surgir naturalmente - insistiam os responsáveis dos maiores partidos da oposição. Assim mesmo: uma ideia fixa que deixou cada um deles cair na tentação de se perfilar como o 'senhor seguinte'.
Erro perigoso. A oposição entra em 2015 no fio da navalha. Dispõe de uns dias para se definir e traçar caminho rumo a eleições decisivas dentro de 3 ou 4 meses. 
Mudou de lugar o tal conceito de que depois de Jardim o poder penderia claramente para o lado da oposição. O conceito deslocou-se. Como na teoria da relatividade. Agora o que se dá como certo é que, extinto aquele PSD aos bocados do líder cessante, agora é que será o cabo dos trabalhos para mudar as cores do poder.
Como havíamos de adivinhar esta reviravolta? - interrogam certamente os chefes oposicionistas, com alguma razão. 
Mas o que interessa é a nova realidade que temos na política regional. É com isso que eles têm de lidar.


Oposição: contas em cima do joelho


O socialista Vítor Freitas parece descansado no que diz respeito a maiorias. Baseado nos mais recentes actos eleitorais e nalguma sondagem particular, ele entende que o PSD se vai afastando cada vez mais da maioria absoluta. Daí deduzir que pode ganhar as próximas eleições, desde que se apresente ao comando de uma boa coligação à esquerda. Depois é questão de se entender com o PP e tomar o leme do governo.
José Manuel Rodrigues, também convicto de que o PSD, mesmo o novo, não conseguirá maioria absoluta, denota tranquilidade: ou com o PS ou com o PSD, o novo governo regional terá de incluir populares. 
Ora, estes estados de espírito dos mais poderosos líderes da oposição aumentam substancialmente os perigos do momento. As convicções de Victor e de José Manuel só ajudam Miguel Albuquerque e o partido a que dentro de 10 dias ele presidirá.


Albuquerque: para baixo todos os santos ajudam


Miguel Albuquerque vai para eleições regionais catapultado pela dinâmica eleitoral interna que desembocou na sua ascensão categórica e indiscutível à liderança.
O partido da Rua dos Netos, em vez de se despenhar no abismo para onde o velho chefe o levava, revoltou-se e mobilizou-se para encontrar o caminho certo. Falam por si os 87% de votantes tratando-se de uma eleição interna! O Laranjal quer revitalizar-se. Sem a menor hesitação podemos dizê-lo.
Albuquerque beneficiará de novo impulso no fim-de-semana de 10 e 11, quando do congresso da sua glorificação.
Ele, novo chefe, terá na corrida eleitoral o apoio das massas laranja mas também dos barões do partido, incluindo das alas que o combateram. Os militantes não perdoariam a quem ensaiasse entravar a mobilização em marcha.
Miguel Albuquerque tudo fará para que as eleições legislativas regionais se realizem o mais depressa possível. Obviamente quer evitar ser abafado pela onda socialista nacional que António Costa criará com destino às eleições gerais de Outubro.
Por tudo isto, Victor e José Manuel não deviam escarnecer da hipótese de Albuquerque conseguir a maioria absoluta nas regionais antecipadas - é mais seguro prevenirem-se para todas as hipóteses.
Observa José Manuel Rodrigues com optimismo: as últimas maiorias absolutas de Jardim já foram por escassa margem...
É verdade. Mas isso aconteceu numa conjuntura onde Jardim surgia desencontrado com o seu eleitorado tradicional - 40 mil votos esfumaram-se em meia dúzia de anos.
Ora, a mobilização das recentes internas reflecte as vontades dos eleitores em geral. Os militantes laranja regressam premiando a extinção do jardinismo. Ou seja, o PSD-M, com a nova liderança, pode voltar às maiorias de outrora. 
Com uma agravante: quem anda na rua percebe facilmente que Albuquerque pode muito bem entrar no eleitorado socialista e no popular. 


Lavar roupa suja... mas sem esquecer o projectozinho


Alarmismo imbecil - podem reagir a esta nossa leitura os líderes do PS e do PP. E o futuro próximo é capaz de lhes dar razão. Podem estar a contar com bons resultados da estratégia que o comentador Ricardo Vieira indicou na televisão nos dias eleitorais de 19 e 29 de Dezembro: durante a campanha para as regionais, explorar as "fragilidades" de Albuquerque. Referia-se o antigo líder do PP aos mandatos municipais do novo chefe PSD.
É tudo muito novo para sabermos efectivamente qual o melhor caminho. Mas vem-nos à ideia o massacre de Basílio Horta a Mário Soares numas presidenciais, que deu o resultadão que deu ao nosso 'Bochechas'. Foi noutros tempos? Pois foi. Mas, ainda há meia dúzia de dias, Paulo Cafôfo, instigado por Victor Freitas, foi desenterrar uma auditoria negativa para Miguel Albuquerque, publicando-a antes da 2.ª volta no PSD. E o resultadão não deixou de se verificar.
Para dizer o seguinte: é normal utilizar numa campanha expedientes como esse, o das fragilidades do adversário. Mas não é lá muito seguro centrar demasiado a mensagem na denúncia dos defeitos alheios. Como aconteceu com Soares, o eleitorado não parece estar em momento de aplaudir quem desanque em Albuquerque. 'Ouro sobre azul' é, além de evidenciar essas "fragilidades", mostrar um projecto para a Madeira melhor do que o proposto pelo novo PSD.


Jardinismo espiritual e jardinismo material

Que fazer, então? 
A palavra é de Victor e de José Manuel. Como simples amadores da política, entendemos que, tendo mudado o PSD da noite para o dia, a oposição deveria urgentemente baralhar e dar de novo. Descomplexadamente. Indiferente a preconceitos. Com a perspicácia que o novo cenário exige. Pode ser mania nossa, mas não achamos tão improvável assim a Madeira levar com mais 3 ou 4 mandatos de Laranjal. Quem há muito sonha com uma mudança nas cores do governo regional certamente ficaria mais descansado se os dois principais partidos da oposição abdicassem de interesses sectários e pessoais para evitarem, no arranque do pós-jardinismo, a repetição de uma maioria absoluta laranja  que pode ser fatal. Isso passa por acordos abrangentes, abertos a mais forças partidárias e à Sociedade. Uma vez esclarecidos os madeirenses de que a Região pode ser governada por não social-democratas que daí não nos cai o inferno em cima, então cada um dos partidos da oposição que se volte para os seus interesses de grupo.
Mas isto somos nós a elucubrar para preencher o feriado.
Já agora, existe ainda uma esperança para a luta eleitoral que se aproxima, chamada 'pequenos partidos'. Eles têm toda a razão de existir e competir. O jardinismo espiritual morreu. Mas o jardinismo material está 'mal enterrado'. O sistema com fundações de 40 anos fincadas nas profundezas do Laranjal tentará sem dúvida erguer-se dos escombros resultantes do terramoto Albuquerque.
A luta continua.



Os partidos mais pequenos não são dispensáveis, têm muito que fazer