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| Albino Rodrigues procede à escolha de campo num dérbi Marítimo-União em 1976. José Maria é um dos fiscais-de-linha. Capitães, Ângelo (M) e Humberto (U), este autor do golo do seu clube (resultado final: 1-1). |
E OS HOMENS QUE ARBITRAVAM OS DÉRBIS
QUE HAVIA NA MADEIRA TODOS OS DOMINGOS?
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| O grande Albino Rodrigues, árbitro madeirense que dirigiu muitos dérbis no Funchal e que no seu tempo foi muito longe na arbitragem, atingindo sensacionalmente a I Divisão Nacional. |
Noutros tempos, as provas regionais eram disputadas a 4 clubes. Pelo que em cada domingo havia: ou um Marítimo-Nacional ou um Marítimo-União ou um Nacional-União. A quarta equipa era o Sporting da Madeira (chegou a ser o Carvalheiro e o Santacruzense).
São os homens que integravam essas equipas os convocados para entrevistas sempre que se realizam dérbis na Região - hoje em dia que temos 3 clubes madeirenses na I Divisão nacional.
Mas... e o árbitro que assumia dirigir cada dérbi regional, sempre acalorado e com peripécias mil que iam assanhando mais as hostes adversárias umas contra as outras? Esses homens que, depois do desafio, em vez de se meterem no avião para o Continente, como acontece hoje, tinham de enfrentar adeptos, dirigentes e jogadores dos clubes todos durante a semana inteira, fosse nos locais de trabalho, nos cafés e tascas ou pelas esquinas da cidade...?
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| O popularíssimo José Fernandes Oliveira 'Paredes', figura indissociável dos dérbis na Região. |
Desde os primeiros pontapés no Almirante Reis, de 1910 em diante, os jogos eram apitados por atletas escolhidos entre as equipas que não estivessem em campo. O jogador do Marítimo apitava o União-Madeira, o do Madeira apitava o Marítimo-Internacional e assim sucessivamente. Então, esses jogadores - e com dirigentes-árbitros o mesmo procedimento - eram inscritos como representando os respectivos clubes na arbitragem, sobretudo depois de fundada a AFF, em 1916. Como se fazia em Lisboa, no Porto, em todo o lado.
O processo perpetuou-se e, nas décadas de 40, 50 e 60, havia árbitros que não apitavam jogos dos seus clubes - mas aí os juízes não podiam ser jogadores no activo.
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O carismático Romão com Olímpio Craveiro à sua direita. |
Na Madeira, a rivalidade entre os quatro clubes das últimas décadas teve crescimento galopante, como se sabe. Os jogadores rivais iam armazenando nos fígados as quezílias uns contra os outros. O mesmo entre jogadores e árbitros. À volta cá te caçarei...
Claro que, futebol à parte, muitos se davam bem uns com os outros, na vida 'civil'. Mas, desde que o assunto fosse futebol...
Havia então resultados de 5-0 em que os adeptos derrotados, depois das discussões na descida, a butes, dos Barreiros ao Funchal, conseguiam pôr as suas cores a ganhar por 6-5, porque o árbitro não marcou 3 penáltis, o fiscal-de-linha inventou foras-de-jogo...
Persistem hoje histórias de arbitragens com um misto de drama e irónico.
José Manuel Silva, árbitro conotado com o Marítimo, decidiu um dia levar as leis do penálti ao extremo do rigor. O sportinguista Adão chutou a penalidade e o guardião nacionalista Cobo defendeu. O árbitro mandou repetir. Cobo defendeu outra vez. E assim sucessivamente, até à quinta conversão... que Cobo defendeu mais uma vez. O Sporting trocou de rematador e lá foi Sabino, homem dos 'Canhões de Navarone', fuzilar as redes alvi-negras com tal violência que Cobo já não teve tempo para nada.
Noutra vez, o Sporting da Madeira conclui um ataque contra o Marítimo com um remate a dar a sensação de golo. O malandro do Adão, aproveitando a confusão na baliza verde-rubra, foi sorrateiro por fora das redes, pegou na bola, levou-a para meio campo... e golo! Se não estamos em erro foi um dos irmãos Góis o árbitro da proeza...
Tudo isto com o público a ver!
E quem não se lembra do Zèquinha, do SCM, autor de um golo ao Marítimo que lhe justificou uma sucessão de saltos mortais em festejos desde a área verde-rubra até ao meio-campo... ficando depois a cargo do árbitro tratar do resto até ao fim o jogo para o Marítimo perder por 1-0 e deixar escapar o título de Campeão da Madeira para o Nacional... Foi na época 1968/69. Já agora, cabe recordar que João-o-Velha, chefe da claque nacionalista, contratou uma banda para acompanhar os golos do Nacional na última jornada diante do Marítimo, com os alvi-negros virtualmente campeões. Só que o Marítimo ganhou 4-1. E João, para não desarmar, mandou a banda tocar os golos-contra.
Histórias dos dérbis e não apenas que fizeram dos árbitros aqueles protagonistas e heróis que os tempos deixaram cair no esquecimento.
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| José Manuel Silva mandou repetir um penálti 5 vezes num Nacional-Sporting da Madeira! Os alvi-negros acusam: foi para ajudar o Marítimo! |
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| Um dérbi com alguns anos: Humberto (Marítimo), Sarmento e Emanuel Silva (Nacional) e a enchente de sempre. |