PLANO ESTRATÉGICO
PARA A 'OPUNTIA TUNA'
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| O que vai ser debatido esta tarde neste histórico edifício é tema digno de um Conselho de Estado. |
Caros Leitores, não costumo arranjar desculpas para a perda de credibilidade que a chamada Informação vai perdendo com o passar do tempo. Os grandes culpados de isso acontecer são os jornalistas, e por razões que não vale a pena escalpelizar agora. Assumo essas culpas, na quota parte que me cabe.
Muitas vezes, porém, são factores exógenos a enterrar ainda mais o jornalismo na lama da descredibilização. Objectivando, para não se perder mais tempo, veja-se o caso do governo regional e o exemplo mais actual, já que vai acontecer estar tarde no Golden.
Se eu escrever aqui que a Secretaria de Humberto Vasconcelos vai levar em frente o projecto de um plano estratégico para o tabaibo, o que é que o Leitor diz?
- Lá está o escriba a brincar outra vez com coisas sérias, e depois quer que a gente acredite naquelas porcarias que ele escreve.
Não é assim?
Damos razão aos Leitores que nos vilipendiassem desta forma. Quem é que, no seu perfeito juízo, acredita que um governo em funções, devidamente eleito pelo povo, se presta a gastar dinheiro num plano dedicado a uma planta que dá frutos interessantes, sim, mas que se cultiva espontaneamente nas rochas escabrosas voltadas ao mar e em bermas de caminhos de cabras do Porto Novo, Caniço de Baixo, e afins - sim, quem é que acredita que um governo reunisse tanta gente numa Secretaria para discutir esse tema?
Não estamos a falar de uma comissão de internados num manicómio a preparar as festas dos santos populares, falamos do governo da Tabanca.
Perante a informação em apreço, sem dúvida que, aos olhos do Leitor, quem está a inventar planos para o tabaibo é o profissional que tem a obrigação de dar a notícia.
Alguns irão ao ponto de nos acusar de fazer ficção só para queimarmos o secretário Humberto!
Obviamente que, neste caso, usei algumas defesas. Deixei primeiro que o assunto fosse plasmado nos jornais oficiais, porque aí vem tudo certo, consoante a vontade do Blue Establishment. E ninguém pia. É verdade porque sim. Mas, mesmo em segunda mão, publico isto com pinças, usando na manchete o nome científico da tabaibeira, na esperança de que o Leitor, não percebendo o 'latim', resmungue um palavrão para os seus botões e passe à frente sem ler esta peça, salvando-nos de outra saraivada de vocábulos irreproduzíveis.
Não foi uma vez nem duas que, em rapaz, comi meia dúzia de tabaibos por um escudo quando os homens os vendiam à volta do mercado, montando até barraquinhas para o efeito. Na força do calor estival, a doçura e aquela frescura do tabaibo, que maravilha! Havia um fenómeno subjacente ao serviço: os vendedores abriam o tabaibo com sabedoria, alguns deles sem luvas, apesar dos terríveis espinhos, a gente tirava o fruto direitinho, mas, chegados a casa, havia sempre um desses espinhos ariscos enfiado num dedo, para se desalojar uma semana depois.
Muito, muito a sério, talvez tenhamos contribuído para esta ridicularia do governo que é fazer um plano para o tabaibo. À força de fazermos humor com planos estratégicos de outros frutos, bastas vezes dissemos que só faltava um plano assim para o tabaibo. Será que eles não entenderam o humor e tomaram o texto irónico como proposta séria? Estarão a fazer de revindicta - "ai queres brincar com o tabaibo, julgas que temos medo?"
Bem, estamos p'ràqui a dizer estas coisas e às tantas o Humberto junta-se ao Jorge Carvalho e ao Eduardo, montam um plano executivo conjunto cheio de empreendedorismo e, num futuro próximo, temos aí escolas a funcionar para turistas e alunos madeirenses, proporcionando alpinismo na encosta do Pináculo com o pretexto da apanha do tabaibo mais umas sessões de asa delta com voos rasantes de foice e sacola nos Reis Magos, a ver quem apanha mais frutos.
Com esta gente, nunca se sabe o que há-de sair dali. E tanto assim é que já nem vamos brincar a pedir planos para a nêspera ou o tremoço.
Terminamos com um pedido aos Leitores. Dois. Primeiro: acreditem que hoje não estamos a gozar com o serviço, o governo arranca esta tarde no Golden com um plano para o tabaibo. Mesmo. Segundo: para a próxima, sejam mais condescendente com os jornalistas, porque às vezes a descredibilização vem de gente responsável, eleita e religiosa.
E que viva a 'Opunia Tuna'!
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| À última hora, conseguimos esta prova de que, desta vez, não somos nós a 'inventar', é o governo com mais uma das suas ridicularias próprias da filmografia de Woody Allen. |