Onde anda o dinheiro
prometido por Lisboa?
Miguel Costa
As pessoas já estão fartas do jogo
do empurra e de tanto ping pong no que diz respeito ao apoio às vítimas dos
incêndios. Empurra Carlos Pereira, empurram deputados, empurra Governo regional,
empurra Cafôfo, empurra Gil Canha…Empurra… Empurra…
PING:
Carlos Pereira disse esta semana
que o Governo da República vai apoiar a reconstrução de todas as habitações afectadas
pelos incêndios, incluindo aquelas que ficaram excluídas do PROHABITA e ainda
acrescentou que há uma verba de 15 milhões inscrita no OE para o efeito.
Confesso que estas afirmações me causaram asco.
Então não foi o próprio Carlos
Pereira, juntamente com a sua Geringonça, que chumbou a proposta do PROHABITA
na Assembleia da República, deixando 30% das vítimas dos incêndios fora dos
apoios?
PONG:
Vânia Jesus atacou o malabarismo
sórdido de Carlos Pereira. Disse que a Madeira ainda não recebeu um tostão de
Lisboa e que em matéria de solidariedade com a região, o Governo nacional
fica-se pelo plano das intenções, acrescentando que "compromete-se com as
palavras mas demite-se das suas obrigações".
PING:
A secretária da Inclusão já disse
que não se calará. Denunciou várias vezes que a Madeira ainda não recebeu
nenhuma verba da República, e que não sabe quando virá essa verba.
Mas, neste ping pong político com
a Geringonça, o Governo regional parece que já conseguiu alojar quase todas as
vítimas e vai garantir que aquelas que ficaram fora do PROHABITA irão ser
apoiadas, pela via da criação de uma lei de exceção. Parece que o Governo
regional tem adiantado verbas próprias e utilizado dinheiro de fundos solidários
para a reconstrução de casas danificadas e construção de outras.
PONG:
Vem mais uma vez Carlos Pereira
numa tentativa de atirar areia aos olhos das pessoas, dizendo que Lisboa tem 15
milhões para apoios. Uma tentativa frustrada porque já ninguém acredita nas
bacoradas que o deputado da Assembleia da República vai à RTP dizer, sempre
apoiado por números ‘muitos relevantes.’
PING:
No meio disto tudo temos, ainda,
Paulo Cafôfo, o presidente da câmara do Funchal que viajou até a Alemanha
buscar um donativo de 10 mil euros, mas
levando dois elementos do staff camarário atrás de si. Ou seja, foi
buscar 10 mil euros, mas gastou 10 mil na viagem a três. O saldo ficou em 0,00€
É de recordar que enquanto o
Funchal pegava lume, Cafôfo, em vez de estar no seu posto, andava atrás das
câmaras de televisão com o comandante dos bombeiros a servir de motorista. Nos
primeiros dias saiu bem na fotografia, mas já se percebeu a jogada baixa e
ardilosa do ‘Tanto Querer Aparecer’.
PONG:
Agora também temos Gil Canha
metido ao barulho, a acusar o Cafôfo de usar o dinheiro dos donativos das
vítimas dos incêndios para publicidade e para a campanha das autárquicas, em
vez de ajudar quem mais precisa.
PONG:
Cafôfo cerrou os dentes e já meteu
um processo contra Gil Canha por difamação e atentado ao ‘bom nome’.
PING:
Este jogo vai alimentando a
Comunicação Social. Uma comunicação social que consome o imediato. Uma
comunicação social que cada vez menos faz investigação e cada vez mais se
limita a reproduzir sons. Uma comunicação social que dá eco às mais insanas
declarações, que não faz perguntas, que não cruza dados, esquecendo-se do espírito
crítico que lhe é devido.
PING PONG:
Vamos ao que interessa: ENTÃO E OS
APOIOS? VÊM OU NÃO VÊM? E QUANDO É QUE CHEGAM?