No interior, lá tenta explicar informando que a CMF
dera parecer negativo à actualização do tarifário dos serviços praticados pela
ARM e prometia recorrer a todos os meios para evitar que os aumentos se
repercutissem na factura dos funchalenses.
Continuava a dita “notícia” que o aumento previsto
para a água era de 21% (de 24,4 cêntimos para 29,6 cêntimos, por metro cúbico).
No caso dos resíduos, a ARM teria proposto um aumento, pasme-se, de 330% (dos
22,82 euros para os 75,4 euros).
Ora, a ARM veio, logo
no dia seguinte, fazer um esclarecimento que não teve honras de primeira
página, tendo sido relegado para uma página interior.
Talvez por isso, a
ARM terá comprado um espaço de publicidade um dia depois, onde, preto no
branco, rebate a “notícia” da CMF.
Voltemos à água. E que esclareceu a ARM?
- que a actualização para a água prevista para 2017
fora apenas de 3% (não sofria qualquer actualização desde 2014!), o que
representava menos de um cêntimo por cada 1.000 litros de água consumida ou
seja cerca de 10 cêntimos na factura mensal de um agregado familiar médio;
- que se o fornecimento de água à CMF para 2017 fosse
de 24 milhões de m3, o que corresponde, em média, a 646 litros por habitante
(estimativa que já é superior em mais do dobro ao valor padrão de perdas
aceitáveis), a CMF então, pese a tal actualização de 3%, pouparia, em água, em
relação a 2015, 375 mil euros;
- que, relativamente aos resíduos, não havia qualquer
aumento previsto para 2017;
- que, quanto aos resíduos, a própria CMF reconhecera,
em documento enviado à ARM, a 29 de Março, que iria pagar menos 229 mil euros
face à 31 de Dezembro de 2015.
Qualquer cego
«consegue ver» de que lado está a verdade, quer pela objectividade da resposta
da ARM quer pela ausência de resposta directa da CMF.
Alguns dias depois,
vieram em socorro da CMF, tentando confundir os seus leitores. Bem, não
generalizemos, a mim, tenho de reconhecer, baralhou-me e muito.
Do que se conclui,
assim, que os números dos alegados aumentos pornográficos apregoados pela CMF
só podem resultar de «fantasias» dos seus magos financeiros.
Mas, com esta cortina
de fumo, tentam esconder o que é mais importante que é a CMF estar a adquirir
muito mais água do que a necessária, sem se preocupar com a sustentabilidade
dos recursos naturais (esquecendo que a água da Madeira não é um recurso
infindável e que também tem de estar disponível para outros) e onerando,
desnecessariamente, os seus munícipes.
Em 2 de Julho de
2015, já Cafofo reconhecia, testemunhado no DN, que no Funchal as perdas de
água já eram de, aproximadamente, 60% e, por isso, a CMF adjudicara um
diagnóstico de rede de água.
Alguém sabe onde pára o resultado desse diagnóstico
passados quase dois anos? Se foi feito, deve estar numa gaveta.
E sabem porquê?
Porque deverá concluir que se perde cada vez mais
água, o que não interessa publicitar e porque a vereação de Cafofo nada fez
para contrariar esse crescente esbanjamento, investindo, como devia, nas
infraestruturas de distribuição de água em baixa.
Conforme dados da base de dados Prodata, na vereação
anterior da CMF do PSD, investiram-se no Funchal, em 2010, 2011, 2012 e 2013,
respectivamente, 19,7, 16,3, 17,7 e 23,0 milhões de euros. Ou seja, uma média
de 19,2 milhões de euros por ano.
E o que releva o Prodata nos primeiros dois anos da
vereação de Cafofo: irrelevantes 7,7 milhões de euros em 2014 e ainda mais
residuais 6,1 milhões de euros em 2015. Ou seja, 6,9 milhões de euros, em
média, por ano. Pouco mais de um terço por ano dos investimentos da vereação do
PSD!
E, não, não pensem que eu, de propósito, me esqueci do
valor de investimento em 2016 para sub-valorar o investimento médio anual da
vereação. Bem quis obter esse número para incluir nas minhas contas, pois estou
certo que a média anual de investimento ainda desceria mais, mas, como não o
encontrei em fontes dignas de crédito, preferi não apresentar um valor que não
era à «prova de bala« (como os outros) e abrir um flanco para a contestação
esperada dos “teclistas” camarários.
Em 4 anos, assumindo, com
condescendência, a média acima (-12,3 milhões de euros de investimentos por
ano), a vereação fez/fará menos 49,2 milhões de euros de investimentos na
cidade do Funchal que a anterior do PSD!!!
Como em qualquer
empresa, os investimentos camarários fazem-se com recurso a financiamento
bancário. A dívida. Se não há investimento, não se contrai nova dívida,
amortiza-se a dívida anterior, logo, reduz-se a dívida. Elementar.
Assim é fácil
reduzir-se a dívida da CMF. Nem era necessário vir com as contas que aqui
desmontei há uma semana.
Mas a que custo se
fez/faz essa redução da dívida? A um custo muito elevado e grave para nós e
para os nossos filhos. A dívida era o que era (a não a que falsamente tentaram
passar!) porque nas duas últimas décadas foram feitos grandes investimentos com
a preocupação de melhorar a qualidade de vida dos funchalenses, os de então e
os vindouros.
A sorte é que a nossa
cidade ainda funciona, nomeadamente, a água ainda chega (apesar do custo
altíssimo e desnecessário) a casa das pessoas em virtude dos investimentos que
se fizeram durante a vereação anterior do PSD.
Segundo os relatórios de gestão anuais da autarquia do
Funchal, em cada um dos dois últimos anos da vereação do PSD (2012 e 2013), nas
águas, foram feitos investimentos de 2,8 milhões de euros.
Andei à procura dos valores de
investimento nas contas de 2014 e 2015, nas águas e, a muito custo, lá
encontrei 550 e 440 mil euros, respectivamente.
Ou seja, a CMF de Cafofo, no que respeita a
infraestruturas de águas, nos seus dois primeiros anos, não chegou a investir
sequer um quinto do que a vereação do PSD investiu nos seus dois últimos anos
de mandato.
Nem os peritos camarários da contabilidade criativa
conseguem desmentir estes números de (falta) de investimento.
E assim vai, para o nosso mal, a Mudança, cantando e
rindo. Porque, quanto a “Confiança”, estamos entendidos!
José Prada