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quinta-feira, 24 de março de 2016

O melhor do mundo


RAPTARAM A ESTÁTUA?



Esta manhã, demos com a estátua do maior do mundo envolta como uma múmia no Egipto. Ao lado, uns homens preparavam um caixote - o que não nos pareceu coisa boa. Retratámos a curiosa cena e até mostrámos a imagem no facebook.
O pessoal ia comentando na Praça do Mar: se calhar, há mestres preparados para desbastar aquela parte da estátua.
Agora mesmo, um amigo do Fénix envia-nos uma foto com a estátua mumificada... feita em zero. Desapareceu da zona.
Uma achega desse nosso amigo: havia mais gente a fotografar a ausência da estátua do que do que quando ela lá estava.

Boas férias




quarta-feira, 23 de março de 2016

A visita do primeiro-ministro
















TODOS A FAZER-SE AO 'BONECO'

O dia de ontem no Funchal ficou marcado por uma renhida e inédita disputa entre os políticos operacionais da Região, a ver quem mais tempo ficava ao lado do primeiro-ministro e, por essa via, mais a jeito das digitais.  
Se o presidente do governo é mestre a tratar com as revistas de cabeleireiro, para divulgar 'en rose' o novel Blue Establishment, o seu sucessor na Câmara não lhe fica atrás no marketing da imagem pessoal. É questão de ver o tamanho do seu nome na placa do Lido em cujos dizeres reivindica para si a criação de uma praia que, afinal, tem 94 anos. Ninguém 'reparou' nisso e aí está o mérito da sua máquina de propaganda. Com suplementos milionários na imprensa que servem de bula ao chefe do executivo municipal e o convite a jornalistas do Expresso para cá virem cobrir os seus passos, não há perigo de estardalhaço nos media, por maior que seja a bronca.
Vejamos uns flagrantes do incrível dia de ontem, através da objectiva de GREGÓRIO CUNHA 


Cafôfo, Miguel Albuquerque e Carlos Pereira fingem-se atentos às declarações de Costa na chegada ao Mercado, mas para demarcar terreno na zona fotografável.

Mais lesto, chefe das Angústias ganha a dianteira e encaixa-se ao lado do primeiro-ministro.

Os outros notáveis recuperam terreno, chegam-se à frente e ficam claramente dentro do 'boneco', salientando-se Paulo Cafôfo na marcação cerrada a Costa.

Miguel pega num biscoito de mel para chamar as atenções das câmaras, enquanto António Costa consulta os números com os dolorosos custos do novo hospital, dizendo para os seus botões: vai ser uma doença prolongada.

Cafôfo e Costa apercebem-se de que Albuquerque 'pegou na isca' e riem-se a bandeiras despregadas. Albuquerque e Carlos Pereira sorriem sem saber porquê, só para estarem 'por dentro'.

António Costa consegue uns segundos para respirar, já no recato do Parlamento. "O meu juízo!"

Já nas Angústias, Albuquerque vinga-se dos rivais. "No Mercado, manda o Cafôfo, aqui mando eu!" E lá vai o chefe do governo mostrar onde barafustavam as araras do antecessor.

E pronto, seguiu-se uma sessão fotográfica dos dois dignitários sem autarcas ou deputados a estragar a imagem. Albuquerque tirou a barriga de misérias.




Mas Cafôfo não desiste. Já no Lido, o presidente da Câmara lidera mesmo a brigada das vedetas da política, cumprimentando novos e velhos antes dos outros dois. Os velhos eram os mesmos do Mercado, levados dos centros de dia em camionetas para os 'banhos de multidão' que faziam parte do protocolo. A velhada ficou atrás das grades, sem acesso aos comes e bebes, mas com a rapaziada da natação foi pior: ficou tudo na rua, apesar de convidada. 
O requinte da 'inauguração' levou a uma formatura dando a ideia de orquestra num concerto com maestro Costa no estrado.

Cafôfo vai explicando ao primeiro-ministro o seu trabalho para erguer um Complexo Balnear de raiz, sobre uns penhascos pelos quais ninguém dava um 'tusto'.

Ao fim do dia, e depois de mais uma rábula na Ribeira Brava, os notáveis levaram António Costa a tomar um copo, para que o homem não chegasse a Lisboa com fome e sede. Então, seguindo cada um à sua vida, todos ansiosos por ver plasmadas nas montras oficiosas as fotos do dia, respiraram fundo, sorriram e foram felizes para sempre.

terça-feira, 22 de março de 2016

Distorção histórica



O LIDO NASCEU HOJE!!!


Estávamos capazes de jurar que nadámos numa piscina e no mar de um complexo balnear chamado Lido vai para muitas décadas. Com cabinas, campo de madeirabol e prancha de mergulhos, com o ilhéu adiante e tudo. Situado ali, perto da praia do Gorgulho. Hoje ficámos na dúvida: a idade vai fazendo a cabeça imaginar coisas?
É que a placa descoberta na cerimónia desta tarde no Lido, com António Costa, Albuquerque e Cafôfo, reza o seguinte:

COMPLEXO BALNEAR DO LIDO

Inaugurado a 22 de Março de 2016... etc


Se o Leitor também foi apanhado pela imaginação de já ter frequentado aquela praia, acompanhe-nos numa visita ao médico.
Raios, julgávamos que iam inaugurar hoje os melhoramentos ou a 'recauchutagem' da praia. Afinal, inauguraram um complexo balnear de raiz! 
A sério: como inaugurar um complexo balnear que começou a funcionar em plenos anos 30 e 40 e que teve nos anos 80 uma cerimónia de melhoramentos profundos, que nem sequer foram forçados por uma tragédia como a do 20 de fevereiro?!

Daqui a 50 anos, os visitantes da praia vêem a placa e dizem: esta praia começou a funcionar em 22 de Março de 2016!

Francamente, presidente Cafôfo! 


O que faz um copo de vinho!


FARRA NO 'JANTAR PRIVADO'
FINANCIA NOVO HOSPITAL

- A reunião secreta foi na concorrida marisqueira 
'Doca do Cavacas'


Se os altos dignitários abusaram esta manhã nos licores do Mercado, ainda por cima com o Dr. Emanuel e o Cafôfo a desafiar, ficaram com 'a mesma' da véspera. Não é por acaso que o comandante São Marcos está ali à espreita. (Foto GREGÓRIO CUNHA)


Fracos de comer dado o adiantado da hora, os participantes no 'encontro privado' que ocorreu ontem à noite ao sabor de santolas e lapas, na Doca do Cavacas, depois de uns 'penáltis' valentes, despacharam e iludiram os jornalistas com as suas conversas de bebedeira


'In vino veritas' é expressão latina que faz muito sentido. O que, depois de uns copos valentes, também não impede uma pessoa de dizer coisas pela boca fora sem um pingo de veracidade.
Foi o caso de ontem. Miguel Albuquerque e Rui Abreu levaram o primeiro-ministro a uma patuscada no apreciado restaurante Doca do Cavacas. Pregaram-lhe com uns brancos bem frios a regar o marisco. Tratando, eles também, de mandar abaixo meia dúzia de lanternas. Resultado: ao serem todos apertados pela imprensa, disseram o que primeiro lhes veio à cabeça, para agradar aos jornalistas de serviço. Que, durante o jantar haviam trocado impressões sobre os dinheiros para o novo hospital.
É mais do que evidente que foi o vinho a falar. António Costa até chegou ao Aeroporto de Santa Cruz disposto a conter os ímpetos, metendo-se no carro sem umas palavrinhas aos jornalistas dignas de um ínfimo RM ou que enchessem meia coluna de jornal. A viagem de avião para cá tinha-se atrasado e estavam todos com uma larica danada. Ora, quando se dirigiram para a Doca do Cavacas, iam fracos de comer e os aperitivos provocaram os primeiros efeitos. Depois, com o vinho gelado a escorrer pelas gargantas ressequidas, ficaram todos meio atontalhados, excepção feita talvez a Rui Abreu, perito a andar nestes ambientes.
Antes, e para justificar a patuscada, os porta-vozes das Angústias e de São Bento anunciaram um 'jantar privado, sem divulgação de agenda, para criar ansiedade aos caçadores de cachas.
Os jornalistas contavam com manchete para resolver a edição de hoje. As 'fontes' oficiais admitiram que sim, que o financiamento do novo hospital se calhar era assunto à mesa do 'jantar privado'. 
Pronto, assunto encerrado. A grande novidade vai para a rua, a do financiamento do hospital. 
Mas...
...Como não bebemos nada hoje, vejamos as coisas com sobriedade. 
A tratar-se de um 'jantar privado', isto é, de um encontro de trabalho sem copos, entre um primeiro-ministro e um presidente de governo regional, alguma vez teríamos à mesa chefes de gabinete de um e de outro lado, e até secretários de Estado?! A não ser que a presença destes, os secretários de Estado do Turismo e da Indústria, tivesse a ver com o tema supostamente a tratar, o do novo hospital. Realmente, há incontáveis baixas fraudulentas, com pseudo-doentes a fazer turismo no hospital. E há um jornal hoje que fala de reuniões industriais, para 'partir pedra'.
A sério: então dois governantes com responsabilidades iriam tratar do financiamento ultra-milionário de um novo hospital ali na pândega com os amigos e colegas, num restaurante público, no meio da copofonia e da martelada ensurdecedora do partir dos cascos de santola e patas de caranguejo, com os mais animados a implicar com os empregados para que trouxessem mais uma dose de lapas, mais uma garrafinha bem fresca?! Já repararam no pé-de-vento que podia rebentar ali no meio dos vapores e da euforia etílica, o Miguel a exigir que Costa pagasse o hospital na totalidade porque de contrário estava f..., o Costa a dizer a Miguel que fosse gozar com o c..., o Rui Abreu, que também não é muito macio, a ameaçar meter os emigrantes no projecto, e mesmo algum rufia na mesa do lado a mandar uma boca mais atrevida... Porra, a gente aqui também gosta de uns copos valentes, que ninguém é santo. Mas não quando há assuntos de responsabilidade a tratar. 
Temos de dar desconto, pois, às notícias de hoje na imprensa regional oficiosa. Coisas de meia bebedeira, admitamos. Se por acaso aflorou a questão do hospital, o primeiro-ministro deve ter feito juras esta manhã de que não cairá em ressaca semelhante.
Repare-se que os jornalistas tiveram de fazer um esforço para, embora ingloriamente, tentar dar uns laivos de credibilidade à matéria em apreço. O DN aponta estrondosamente um "Financiamento para o hospital' para depois segurar os cavalos e falar baixinho sobre o tema que nem tem a certeza se foi tratado na orgia marisqueira, o mais certo é que "terá sido um dos temas tratados". O JM tenta diluir ainda mais claramente o estardalhaço dos temas de "partir pedra", já que nem dá a certeza de que tenha havido mesmo paparoca, defende-se aventando que "Albuquerque 'terá mantido' um jantar com Costa". 
Os leitores baralham-se: afinal, falaram de quê? Falaram mesmo uns com os outros? Terá sido uma caldeirada para enfrascar? Houve mesmo essa m... de jantar privado?
Bom, ou então isto está tudo grosso!
Concluamos rapidamente, que isto já parece conversa de bêbedos, se é que não é mesmo - hein?! 
Não sabemos se os licores que provaram no Mercado já esta manhã deixou aqueles comparsas com 'a mesma' da véspera. Fazemos votos que não. De contrário, é capaz de haver mais equívocos nos discursos que devem estar a correr neste momento em plena Tabanca das Angústias. O que seria chato. É certo que os convidados para o almoço de gala são políticos, secretários regionais, pessoal terra-a-terra. Mas também estão lá entidades militares e até o sua excelência reverendíssima das 4 Fontes.
Amen.

Opinião


NÃO TENHAMOS MEDO


Em 1989, a queda do Muro de Berlim trouxe uma entrada de países em avalanche na União Europeia (UE), receando a evolução a Leste.
O capitalismo selvagem, com a queda do “inimigo principal”, a União Soviética, sentiu o terreno seu e conseguiu a desregulação da actividade financeira, beneficiando da cumplicidade dos Partidos políticos, estes ocupados mercê de os poderes financeiros pagarem a inscrição de gente para os ter na mão.
Vendeu-se a utopia liberal, como se os mercados funcionassem em termos do Bem Comum sem a intervenção correctora dos Estados.
A par do controlo dos Partidos, o controlo da Opinião Pública pelos mesmos poderes financeiros, impôs o Relativismo sobre o Personalismo, apagando Referências, Valores e Princípios, sem os quais não há base lógica para os modelos políticos. Temos a Europa Decadente, já que o Marxismo se encarregava, antes, de vir subvertendo os Sistemas Educativos.
A desregulação permitiu assim a especulação financeira. Os Estados e os privados encontram-se na impossibilidade de pagar os seus compromissos, na medida em que os países europeus mais fortes querem salvaguardar os seus Bancos depois de, antes, terem oferecido facilidades de empréstimo de dinheiro e de terem beneficiado do resultante aumento do consumo nos países mais débeis.
Esta frieza, esta falta de solidariedade europeia, as imposições de resgates, tudo causou um verdadeiro genocídio social nestes países mais desfavorecidos.
Os países ricos usaram a mesma estratégia de quando a Europa endividou os países árabes e do Médio Oriente, no início do século XX, antes e depois da I Guerra Mundial, com as potências colonialistas a imporem Protectorados e outras formas de ocupação. Só que estes Povos mantiveram-se agarrados ao Corão, enquanto na Europa o Cristianismo derrapou.
Neste momento, atém de decadente, a União Europeia está num impasse. ou avança para o Federalismo, ou recúa para o Mercado Comum apenas. Ou para e simplesmente implode.
Que fazer?
Face ao Relativismo e consequente apagamento dos Valores Europeus, é necessário reafirmar Princípios através de NOVOS MODELOS DE INTERVENÇÃO POLÍTICA QUE NÃO NOS ACTUAIS PARTIDOS. É imprescindível regressar à construção de IDEOLOGIA coerente com o século XXI e deste modo criar REFERÊNCIAS para BASES LÓGICAS na construção de NOVOS modelos políticos. Falhou o “sonho europeu” de conceber a “felicidade na Terra” fundada apenas na Economia e respectivas regras incompetentemente desenhadas pelos eurocratas, aceites por Governos incapazes e nas mãos do capitalismo selvagem.
É fundamental avançar para o FEDERALISMO EUROPEU, através de mais poderes da UE ante os Estado-Membros e não sermos arrastados pela chantagem dos ingleses; fundamental dar mais poderes ao Parlamento Europeu; dar mais voz às Regiões, numa Segunda Câmara do Parlamento Europeu; políticas comuns nos domingos seguintes: Direitos, Liberdades e Garantias individuais, Finanças e Banca, Política Fiscal, Assuntos Sociais e Coesão do Território.
Há que suprir as actuais omissões e deficiências na Coesão Social e na Coesão do Territorial
Como, para já, é também urgente resolver a questão das migrações  sobre a Europa, distinguindo o Dever de Asilo, de outras circunstâncias. Na História, as grandes migrações estiveram sempre na origem de posteriores subversões de legítimos modelos de vida. Não se pode comparar, como erradamente se faz, o êxodo muçulmano com a emigração europeia para as Américas e a África. É que, então e ao contrário da Europa hoje, havia aí um défice de população.
Urgente repensar a desastrosa política europeia com o mundo árabe e o Médio Oriente, de uma vez por todas entendendo que o conceito de poder muçulmano articula os poderes político, religioso e militar num só.
E, desagrade a quem desagradar, perceber que só é possível uma Europa forte, se do Atlântico aos Urais, como a A concebia o General De Gaulle, se integrar também a Rússia - claramente uma Cultura europeia e uma potência económica que interessa a todos - e a Turquia, para a ponte que será cada vez mais necessária com o Islão.
Para além da UE reforçar a sua integração na NATO e devolver o poder aos Cidadãos através da descentralização política nos Estados-Membros.
Perdido o império colonial na África e na Ásia, ainda que se mantendo aspectos colonialistas na Madeira e nos Açores, o FUTURO DOS PORTUGUESES depende de dois factores principais: da evolução na UE e do sistema político-constitucional nacional.
O actual sistema político português é imposto ao Povo pelas forças que dominam Portugal, de natureza económica, política, corporativa e lóbis de acesso fácil à Opinião Pública.
O sistema político português é um sistema conservador, caduco e com tabus, por exemplo o falecido “socialismo” de há 50 anos. É um sistema que não expressa as necessidade de progresso social, mas antes AMARRA os Portugueses, impedindo-nos de responder aos desafios do século XXI.
Obsta à Reforma do Estado, pretendendo começa-la pelo telhado, sem ir aos alicerces. Um regime político que não é democrático, mas sim PARTIDOCRÁTICO, e que vem agora destruído o Estado Social, agravando as desigualdades e penalizando os mais desfavorecidos.
Logo, é necessário mudar o Sistema, mantendo os Princípios Fundamentais da actual Constituição da República nos artigos 1.º a 11.º, à excepção do “Estado Unitário” (artigo 6.º).
Não vou repetir aqui, o que consta da minha proposta de novo modelo constitucional para o País e que está em www.facebook.com/albertojjardim
É um modelo para DEVOLVER a soberania democrática aos Portugueses.
Um modelo para derrotar a decadência e impasse que, a partir de Lisboa, os poderes financeiros, sobretudo estrangeiros, a classe política lhes subordinada e as corporações internas, estão a impôr ao Estado e ao Povo Soberano.
Claro que tudo depende também do que ocorrerá na Europa e de como aí soubermos desenvolver uma estratégia eficaz, ao contrário da incompetência diplomática e do desastre de actuação dos Governos de Lisboa.
Mas, aceitar as coisas como estão, lá isso é que não!
Os grandes momentos da História do Povo português verificam-se quando arriscamos.
Quando temos a ousadia e a criatividade para mudar.
Que nada têm a ver com o conformismo e a cumplicidade estagnantes que, na Madeira, desacreditadamente, une todos os partidos políticos até na aceitação da dívida, a qual é do Estado para connosco.
Todos estes padecem de uma obsessão ante o passado recente que desenvolveu o arquipélago e iniciou a conquista de uma Autonomia Política, razão até da falta de consideração revelada nas omissões inadmissíveis quando do falecimento do primeiro Presidente do Governo da História da Democracia e da Autonomia. O povoamento da Madeira e do Porto Santo iniciou-se em 1418, e não em 2015.
S. João Paulo II dizia “não tenhais medo!”.
Isto significa que, se quisermos, o futuro pode estar nas nossas mãos, e não nas dos interesses que não são os de Portugal.
Mas é preciso que não tenhamos medo!
 

Funchal, 22 de Março de 2016

Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim

Terror à solta em Bruxelas


JOGO DE MORTE 'O GATO E O RATO'
VITIMA MAIS INOCENTES



Bruxelas acordou para um dia de pesadelo. Um múltiplo atentado ao início desta manhã espalhou a morte no Aeroporto de Zaventem e depois na estação de metro que serve embaixadas e o quarteirão de instâncias europeias. O aeroporto foi evacuado em pânico e os voos estão suspensos. No metro, é o desnorte total.
Mais vítimas inocentes, pois, cujo erro era viverem no tablado onde se entretêm a brincar a um fatal jogo-do-gato-e-do-rato, por um lado, fanáticos que manifestam os seus traumas em cobardes actos de terror; e, por outro, aparelhos arrogantes da política ocidental que actuam para exibir os troféus inimigos promotores de carreiras mercenárias. 
E os inocentes impotentes para escapar entre os que cortam ou fazem explodir cabeças e os falcões do modernismo desumanizado.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Santo e as vidas privadas



PTP em acção: "Enquanto o Presidente do Governo viaja o povo morre por falta de assistência médica"

                            

CAMÉLIA AMARELA

Nome científico: Camellia nitidissima (syn: Camellia chrysantha)
Nome vulgar: Camélia-amarela
Família: Theaceae
Porte: Arbusto
Origem: Sul da China, Norte do Vietname

Morada: Viveiro do Vale, freguesia das Furnas, São Miguel

Observações: No dia em que nasce a Primavera, entendi por bem partilhar duas imagens da camélia-amarela, que captei exatamente há uma semana.
Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1948, mas só a partir de 1970 começou a ser comercializada pelos viveiristas da Europa e da América do Norte.
Na China e no Vietname existem outras camélias com pétalas amarelas, mas esta espécie foi a primeira a ser cultivada e continua a ser a mais vendida.
 Texto e fotos: Raimundo Quintal

Futuro da Europa e de Portugal


JARDIM DÁ CONFERÊNCIA NO PORTO


O Presidente do Conselho de Administração da Fundação Social Democrata da Madeira e ex-Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, realiza uma conferência na próxima terça-feira, 22 de Março, no Clube Rotário, em Gaia no Porto.

O convite foi dirigido pelo Clube Rotárioe a palestra denomina-se: “FUTURO DA EUROPA E DE PORTUGAL”.

Texto FSD

Irreconhecível


ALFÂNDEGA DE CARA LAVADA


Quem não tenha ido nos últimos dias à baixa funchalense é capaz de não reconhecer este edifício aqui, alvinho e todo catita. Porque até há bem pouco tempo ele integrava o lote dos piores cortelhos da capital, a par daquele que se vê à direita, de particulares, paredes-meias com o que nos traz aqui.
Sim, trata-se do edifício em que o Leitor está a pensar. Depois de 5 séculos e tal a engordar o erário nacional com as receitas da Alfândega do Funchal (e não precisamos de recorrer ao famigerado 'Deve e Haver'), o Estado lá conseguiu adquirir uns quilos de cal e mandar civilizar as paredes daquilo. Mais vale tarde do que nunca. A espelunca oficial está decente agora, pelo menos por fora. Já não parece o chiqueiro medonho e mal-cheiroso que servia de wc aos noctívagos. 
Já que passámos anos a condenar o desleixo dos mangas de alpaca estatais, parabéns a eles e obrigadinho. 

sábado, 19 de março de 2016


MAIS UMA PLANTAÇÃO

Com nevoeiro, com a atmosfera fresquinha, mas com o ânimo bem quente, os voluntários da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal plantaram espécies indígenas da Madeira no Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha e na Achada Grande, entre os 1500 e os 1600 metros de altitude.
As plantas foram oferecidas pela Direção Regional de Florestas e hoje contámos com a participação dum grupo de trabalhadores e hóspedes do Galo Resort.
Esta foi a última plantação da época 2015 - 2016. A partir de abril e até setembro, será o tempo dos trabalhos de manutenção, fundamentais para a sobrevivência das jovens plantas.
Muito mais importante do que difundir números de plantas colocadas no solo, é saber quantas se mantêm vivas um ano após a plantação.
                                                Funchal, 19-03-2016
Raimundo Quintal

Vida Municipal


Lido, põe-me o nome, pá!


A remodelação do Lido a que esta Câmara assume 15%, pois o resto está na Lei de Meios, vai ter presença na terça feira do PM António Costa, para dar corpo ao momento-Mudança-PS

E a placa já deu história e gargalhada da grossa. Tudo porque a presidência de Cafôfo que até é professor das historietas, andou em papos de aranha com a formulação do texto a ser inscrito na placa para assinalar a remodelação. Nome completo ou não, o logotipo assim ou assado, colocado de forma frita ou cozida. Coisas de aprendiz, que nem protocolo, pesca à linha.
Conclusão, o texto teve que ter mesmo reescrito a partir de Lisboa da assessoria de António Costa, mal viu o emaranhado da escrita, como se fosse feita em cadernos de duas linhas num qualquer aviso de que "ali se vende poncha". Percebe-se. O  Sr. Cafofo ainda nem percebeu como aqui chegou, já despachou o corrector Bento que balizava o google dentro dum plágio suave, vai daí que felizmente Costa tem mais anos e sobretudo, bem mais neurónios disto.
Se algum PS-Madeira se quiser mesmo levar no andor o Cafofo, ainda que a contragosto doutro PS-Madeira, convém dar umas dicas de protocolo e etiqueta ao autarca-proveta, pois a obra do seu curto regime merecia outra dignidade e menos estrondo. Há outros camaradas socialistas que juram a pés juntos, que a pedra lapidar do mandato, já está encomendada e paga.

K-Solário

'Cuba Livre' à brasileira


Despacho de K-Veneno

"O Impeachment contra a Dilma tem por suporte a manipulação das contas públicas. Qualquer semelhança com a operação 'Cuba Livre' sobre ocultação de dívida é pura coincidência.
Se Marcelo convidar Jardim para conselheiro de Estado, temos mais uma coincidência com a imunidade de Lula."

Nota do Fénix - Kalmaria, K-Venenoso. Ainda não há culpados. Outra pura coincidência.

Primeiro-ministro prefere ir ver as couves ao Mercado


ANTÓNIO COSTA IRRITA
EMPRESÁRIOS DA ZONA FRANCA




Que programa esquisito delinearam 
estes senhores para terça-feira!

Há empresários instalados no Caniçal que estão para o diabo os levar. Então não é que o programa da visita oficial à Madeira de António Costa, segunda e terça, riscou a tão ambicionada visita à Zona Franca em troca de uma manhã do primeiro-ministro a ver batatas e semilhas no Mercado dos Lavradores?!
Vejamos se estamos a perceber bem a caricata situação. Os assessores de São Bento estiveram na Madeira para estudar 'in loco' as propostas a incluir no programa de visita, que se realiza - não é despiciendo observá-lo - a convite do presidente do governo regional. Nesse propósito, deram uma saltada à Zona Franca. Com toda a lógica, os empresários da ZFM prepararam-se para receber a valiosa visita de Costa. De repente, a Lusa tem acesso ao programa oficial dos dois dias de visita e, para a manhã de terça-feira, dia previsto para Costa ir ao Caniçal, aparece uma 'coboiada' no Mercado dos Lavradores. 
Juntamos o nosso espanto ao dos empresários: um primeiro-ministro dedica uma manhã da sua primeira visita à Madeira para ver o bazar chinês dos Lavradores, onde também se vendem hortaliças e chicharros?! É verdade que à terça-feira há sempre peixe fresco. Mas não acreditamos que um primeiro-ministro venha a este lado do Atlântico comprar bogas e chicharros, até pelo cheiro impróprio com que impregnaria o avião de regresso a Lisboa. Apesar de ter quase uma hora e meia do programa para andar a pastar no nosso Mercado, também duvidamos que António Costa esteja com ideias de fazer as compras lá para casa, para o resto mês. Não enganem o homem, se é disso que se trata. Os produtos da Madeira podem ser muito bons, mas os preços também estão muito acima dos praticados na Ribeira, por exemplo. 
...Ou então é treino já para a campanha eleitoral socialista de 2017 nos mercados, pró-Cafôfo, já que evidentemente o presidente da Câmara do Funchal acompanhará sua excelência o primeiro-ministro nesta enigmática cavaqueira entre as floristas, barraqueiros e pesquitos.
Já não chegava o primeiro-ministro inaugurar na parte da tarde, terça, uma obra municipal, o Lido, aliás (re)feita a meias pelas vereações de Albuquerque e Cafôfo...
Notável: fora de campanha eleitoral, não temos ideia de ter visto a meio das couves e das cenouras do Mercado nem Mário Soares nem Balsemão nem Cavaco nem Guterres nem Sócrates!
Alguém terá de explicar esta troca da Zona Franca pelo Mercado dos Lavradores, no programa oficial de Costa.
Só mais um pormenor: se a memória não nos atraiçoa, João Soares, o ministro socialista da Cultura que já estreou a sua lista de saneamentos, escolheu as câmaras socialistas para visitar na sua próxima vinda à Madeira. Será a maneira de recordarmos o outro que dizia nas campanhas autárquicas: não haverá um tostão para as câmaras que não forem do PSD!
É rifão batido, mas, na realidade, há discos com a mesma música de um lado e do outro. 




sexta-feira, 18 de março de 2016

AAPEF - Plantação de Espécies Indígenas - 19 de Março de 2016



No próximo sábado, 19 de Março, a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal organizará uma plantação de espécies indígenas no Pico do Areeiro e no Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha.
 Os interessados em participar nesta atividade podem fazer a inscrição por e-mail — amigosdoparque@gmail.com — ou através do formulário de inscrição no blogue da associação - http://goo.gl/wGk4rJ - até às 18:00 de 6ª feira.
 Também o poderão fazer pelo telefone 291 783 999, esta sexta-feira, entre as 16:00 e as 18:00.

Estilos de diplomacia











MARCELO VOA MAIS DEPRESSA
DO QUE OS CHEFES DA TABANCA

Em praticamente 24 horas, o Presidente Marcelo concluiu um raide ao Vaticano e a Madrid, para encontros de alto nível com o Papa Francisco e o Rei Filipe VI. 
Já conhecemos e continuamos a conhecer simples chefes tribais que, para desempenhar a mesma missão, levariam dois meses de preparação a enfardar as ajudas de custo, a escolher a companhia para as viagens, a garantia das passagens Vip e escolha de hotéis de 5 estrelas, tudo com montes de entrevistas e divulgação de programas - e finalmente duas semanas de périplo a comer do bom e a beber do melhor entre os destinos a visitar.
Mas também há que reconhecer: o regedor da missão, no regresso, ao prestar declarações na sala Vip de Santa Cruz, faria as delícias da comunicação social com as suas novidades empolgantes sobre o desejo incontrolável do Banco Ambrosiano - ou do seu sucessor - para financiar projectos madeirenses e sobre a promessa dos esforços reais castelhanos para pôr o Palácio da Moncloa a facilitar a vida ao CINM.
...Ao passo que Marcelo vem de mãos a abanar, com excepção talvez do aviso que deixou em Madrid contra o domínio espanhol sobre a banca lusa. O PR voa depressa demais, não dá tempo a fazer nada.

Europerguntas


- O JM de hoje puxa para título de 1.ª página uma frase da deputada ao PE pelo PSD Cláudia Monteiro a dizer que a União Europeia precisa de "uma liderança forte e com grande sentido de responsabilidade". Para tanto destaque, não seria melhor que a jovem deputada pedisse uma liderança da Europa frágil e de grande irresponsabilidade?

- A RyanAir anda às avessas com os aeroportos de Faro, Lisboa e Porto, com contratos de operacionalidade estoirados. É agora que, depois do fogachal na Europa, com direito a páginas e mais páginas da Nova Tabanca, a eurodeputada socialista Liliana Rodrigues traz para cá a messiânica companhia de baixo custo?

Imprensa em crise


UM ADEUS DOLOROSO



Esta é a última edição do Diário Económico


O Diário Económico está hoje na rua pela última vez, em papel. Depois de 26 anos a formar e informar, a publicação capitula vergada aos novos tempos, em que as condicionantes económicas obrigam à substituição do papel pelo virtual.
O ritual da visita às bancas desaparece paulatinamente.
Esperamos que, a continuar o projecto em suporte digital, conforme anunciado, a qualidade que tanto nos ensinou durante estes anos se mantenha. Mas a perda daquele produto folheável salmão deixa uma lacuna que dói.
A nossa solidariedade e um obrigado a quantos nos proporcionaram um jornalismo económico politicamente diversificado, fundamentado, fresco e criativo.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sabedoria de Lula


Um Leitor lembrou-se do que Lula disse um dia.
Nós ajudamos a localizar. 
Pois é. Quando sonhávamos que as esquerdas ajudariam a limpar a lixeira, vejam só!




O Santo e o jornal oficial



Aperto nos calos (2)


Já tivemos feedback sobre a questão colocada respeitante ao regresso à barra do Tribunal de Contas de algumas câmaras, por insistência do MP.
A situação é esta:
Foram agendados até fim deste mês 13 julgamentos de processos envolvendo municípios da Região.
De 15 a 19 de Fevereiro estiveram 'lá' os responsáveis de Câmara de Lobos, Porto Moniz, Machico, Santana e Santa Cruz.
Já este mês, e para concluir a série amanhã, sexta-feira, chegou a vez (alguns em 'encore') da Ribeira Brava, Machico, Santa Cruz, Ponta do Sol e Santana.
Para 12 e 13 de Abril, há 3 julgamentos agendados, das contas da Assembleia Legislativa.

quarta-feira, 16 de março de 2016


A VEREDA ENTRE O MONTE E O BOM SUCESSO NÃO É UM MATADOURO DE TURISTAS!

Hoje morreu mais um turista na vereda entre o Largo das Babosas, na freguesia do Monte, e o Bom Sucesso, na freguesia de Santa Maria Maior.
Conheço muito bem este percurso, a que chamei de Corredor Verde da Ribeira de João Gomes e fui responsável pela sua abertura em 1999, após um longo e cuidadoso trabalho de recuperação da velha vereda, que estabelece a ligação do primitivo Caminho do Curral dos Romeiros e a origem da Levada do Bom Sucesso, bem como da esplanada e do canal da levada até às proximidades da capela do Bom Sucesso.
São cerca de 5 Km de descoberta da natureza e de vistas fabulosas da baía do Funchal. Duas cascatas extraordinárias, núcleos de vegetação prenhes de espécies endémicas.
O Corredor Verde da Ribeira de João Gomes tem enormes potencialidades como percurso pedestre. Não é um matadouro de turistas.
Enquanto fui responsável pelo Pelouro do Ambiente na Câmara do Funchal por ali passaram milhares de turistas e ninguém morreu. Nem sequer houve um acidente grave.
E sabem porquê? Porque eu próprio, acompanhado duma pequena brigada de trabalhadores da autarquia percorria mensalmente esse e muitos outros trilhos e quando detetávamos qualquer anomalia nos varandins ou no piso procedíamos de imediato à reparação. Quando havia escorregamentos ou derrocadas mobilizávamos meios humanos e equipamentos com o objetivo de reabrir o trilho em segurança o mais rapidamente possível.
Nessa altura não se falava em gestão de proximidade. Praticava-se!
A Câmara do Funchal, a Secretaria Regional do Ambiente e a Secretaria do Turismo não podem continuar a varrer o lixo para debaixo do tapete. Chega de propaganda
. 
Têm de agir rapidamente. O que ali está para reparar não é nada do outro mundo. E não me venham com a desculpa de falta de dinheiro.
Um governo que vai indemnizar em mais de 800.000 euros quem não cumpriu com o dever de preservar a Quinta do Monte e dá subsídios para "trails" em catadupa é um governo abastado!.
Uma câmara que gasta muitos milhares de euros em propaganda e entretenimento tem dinheiro!
O Corredor Verde da Ribeira de João Gomes tem de ser recuperado urgentemente. Entendam-se!

Funchal, 16.03.2016

Raimundo Quintal

PASTORÍCIA NAS SERRAS
DA MADEIRA

A OPINIÃO DE TRÊS CIDADÃOS QUE SE DISTINGUIRAM NA DEFESA DOS ECOSSISTEMAS DA ILHA

Num momento em que se debate na Assembleia Legislativa Regional o regresso do pastoreio às terras altas do maciço montanhoso central da Ilha da Madeira, entendi por bem divulgar as opiniões de três homens, que se notabilizaram pela sua dimensão ética e pelo profundo conhecimento dos ecossistemas da ilha.
Seria bom que todos os deputados refletissem sobre os avisos do Conselheiro José Silvestre Ribeiro, do Eng. Rui Vieira e do Eng. Cecílio Gomes da Silva.
Área entre o Pico do Areeiro e o Pico do Cedro, setembro de 1995 (foto: Raimundo Quintal)

  
-       Conselheiro José Silvestre Ribeiro, governador civil da Madeira entre 1846 e 1852.
“Quem está à frente dos negócios administrativos da Madeira não pode um só momento perder de vista a arborização das suas serras, e a indispensabilidade de providenciar que se conservem religiosamente as matas que ainda existem, e se plantem novas nos sítios onde a devastação funestíssima de longos tempos tem chegado.
É por isso que não cessarei de chamar a toda a hora a atenção das câmaras e dos magistrados administrativos sobre este assunto, e pedir-lhes instantemente que se deem as mãos, e empreguem todas as diligências imagináveis para que se ponha um dique à devastação do arvoredo, e se trate novamente dos novos plantios.
Quantos inimigos se não conjuram contra o arvoredo? Aqui os lenheiros e carvoeiros; além os criadores de cabras e por ventura de outro gado; acolá os curtidores de peles, fazendo uso da casca do vinhático e do aderno para aquele mister; por um lado a indolência e o descuido das autoridades; por outro a falta de perseverança dos proprietários; e finalmente a impunidade dos devastadores.
Porque não havemos de acordar um dia desse letargo embrutecedor? Porque não abriremos um dia os olhos à luz da razão? Porque seremos surdos à voz dos nossos interesses?   
(…) Faltam-nos as leis? Não. Temos muitas, e além dessas, temos também posturas das câmaras, que para o caso de que se trata são leis imperiosas. O que nos falta é a vontade de as executar.
(…) Os vereadores são quem devia obstar à devastação das serras e concorrer fortemente para o plantio de novos arvoredos – diz o público; mas em vez disso, são indolentes, fecham os olhos aos abusos que se praticam e evitam a severa execução das leis, porque também entre eles há criadores de gado, também entre eles se aproveitam madeiras das matas, também entre eles se tira vantagem dessa devastação, que vai assolando tudo.”
(Carta enviada aos administradores de concelho a 28 de Fevereiro de 1850 – DRUMOND DE MENEZES,1850: 446-449).
Área entre o Pico do Cedro e o Pico Escalvado, setembro de 1995 (foto: Raimundo Quintal)


-       Engº Rui Vieira
“Eu diria até, numa atitude um pouco extremista mas mais consentânea com a realidade madeirense, que não se justifica haver gado nas nossas serras, porque o património florestal é mais importante que as cabeças que pastem nessas áreas. É que a pastorícia é uma actividade pouco rentável.
Ela só tem razão de ser em zonas onde haja um clima e um solo muito favoráveis à alta produção forrageira, o que não acontece na Madeira.”
(Diário de Notícias – 14.07.1989)

“Mas os trabalhos de rearborização e revestimento florestal, que interessa acelerar, também, para que não se intensifiquem processos de desertificação, de que há indícios em muitos pontos do arquipélago da Madeira – sejam de plantações de exóticas, sejam de reconstituição da floresta clímax – não podem ter êxito, se por um lado não se usar de todos os cuidados que a técnica silvícola recomenda e, por outro, se não se controlar o pastoreio, mais ou menos selvagem, nas áreas delimitadas que, para isso, forem destinadas e melhoradas, ou acabar de vez com a presença, nas serras da Madeira e Porto Santo, do gado, mais ou menos faminto, que continua a devorar tudo o que vai encontrando no seu caminhar contínuo e indisciplinado…”
(“FLORA DA MADEIRA, o interesse das plantas endémicas macaronésicas” – Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1992)

Área entre o Pico do Areeiro e o Pico do Cedro, setembro de 1995 (foto: Raimundo Quintal)


- Engº Cecílio Gomes da Silva

“Habituado aos ambientes do fundo dos vales e das levadas, jamais esqueci a angústia que senti quando pela primeira vez galgámos o Pico das Pedras, lá bem acima da Alegria, e avançámos serra fora até ao Pico das Esteias.
Paisagem amarelada e salpicada de cinza, ravinas riscando chapadas, barrancos avermelhados e ásperos, cascalheiras e pedregulhos espalhavam-se por toda a superfície. E a sede! Água, só à saída para o norte do Pico das Esteias na pequena levada que vinha lá de dentro do Dente de Cão e descia ao longo da escadaria do Pico das Pedras. Impossível dar repouso à vista!
       Em toda a volta o panorama fazia doer os olhos e só fechando-os eles tinham algum descanso.
Os cabeços que coroavam a espinha dorsal daquela serra desde o Pico do Areeiro ao Pico Queimado passando pelo Pico Escalvado lembravam ossos descarnados rompendo a crosta e emergindo das entranhas da Terra. Ao longo daquelas escalvadas chapadas, o calor abrasava e a terra exalava um cheiro quente de excrementos caprinos, de musgo seco e pedra sobreaquecida.
       Tais contrastes fizeram de mim um silvicultor. O amor à floresta nasceu à primeira vista e o horror à desertificação jamais desapareceu.”

       (“O problema dos altos-chãos da Madeira: floresta ou pastorícia” – DRAC, 1996)

Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal