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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 

OPINIÃO


Luís Calisto                                                                                             





Candidato sibilino

INCÊNDIOS E PANDEMIAS

DO PRESIDENTE MARCELO

                                                                                                  


Se houvesse mais Pedrógão, ele ia embora;

porque há mais pandemia, ele fica!



Marcelo Rebelo de Sousa foi à Versailles ontem pela tardinha desfazer o tabu. Com a curiosidade de que não havia tabu nenhum para deslindar. A não ser na boca de alguns comunicadores sem ideias para mais.

Pode ter havido um fugaz tabu há meses. Marcelo a pensar: e se Zé Povo daqui até Janeiro volta a descobrir-me as incompetências e me despacha para canto como os lisboetas fizerem nas autárquicas de 1989? Ou então: e se do nada se ergue um político-fenómeno capaz de chamar a si o eleitorado, humilhando-me nas urnas?

Depressa o antigo comentador se convenceu em definitivo de que a populaça não quer maçadas, nem sequer para uma segunda volta. Quem está - fica. E o tabu foi um nado-morto.

Em todo o caso, Marcelo supostamente desfez um 'tabu' ontem, na pastelaria vizinha do Palácio de Belém. 

Ele vai mesmo recandidatar-se a PR. 

Claro que vai. 

O homem dos cenário políticos, descritos domingo a domingo durante 20 anos na televisão, consoante as conveniências, tem a situação controlada. Mas - parece doença - vai continuar a cozinhar doses de sopa vichyssoise como aquela que serviu a Paulo Portas, no tempo de Soares Presidente.  

O pratinho começou a sair ontem. A sua declaração de recandidatura foi um fartote de portuguesismo, patrioteirismo, solidariedade nacional. 

Disse que se apresenta igualzinho ao Marcelo de há 5 anos, isto é, não está com propósitos de complicar o mandato do governo socialista. 

De passagem, recordemos que Mário Soares, enquanto Presidente (bem sei que no segundo mandato) não parou de azucrinar os ouvidos do então Primeiro Cavaco, a ver se este se mexia para resolver a situação de um País onde havia fome. Cavaco chegou a implorar: "Deixem-me trabalhar!"

No caso actual, Marcelo e Costa precisam um do outro. Costa protege o Professor com guarda-chuva (literalmente) e trata-o como vaca sagrada das Índias. Marcelo dirige-se ao povo e alarma: vamos lidar todos unidos para evitar a instabilidade. Percebe-se: votando "bem" nas Presidenciais e nas Legislativas, não há ondas e a populaça continua cantando e rindo.

Assim mesmo: uma estabilidade com partidos vitoriosos que não conseguem formar governo, com partidos que vão para o governo sem ganhar eleições, com o País a escorregar paulatinamente para a extrema-direita de tiques nazis.

Um patriota não quer fazer patifarias ao povo. Um patriota sabe que a democracia vive do debate e da escolha de ideias. Não é tudo a rezar pelo mesmo rosário, a não ser nas grandes causas nacionais, acima da luta político-partidária.

Marcelo, cliente da Versailles, olhou para a câmara e falou-nos a nós, portugueses patetas. E disse candidatar-se "porque temos uma pandemia a enfrentar, porque temos uma crise económica e social a vencer, porque temos uma oportunidade única de vencer a crise e mudar Portugal para melhor".

Alguém acha que um patriota diria algo como isso, consciente de que só resolve problemas a partir da sua mente sibilina e ardilosa? 

Mudar Portugal para melhor? Foi o que se viu nestes 5 anos! 

Mudar Portugal para melhor com Marcelo e Costa!

De rir como doidos.

Acreditar em Marcelo seria se ele confessasse: temos uma pandemia mortífera pela frente e uma crise económica para vencer; uma vez que pouco ou nada percebo de pandemias e de crises não me recandidato e deixo caminho para outro melhor. 

Isto sim, mereceria muitos aplausos ao nosso Avô Cantigas.


As televisões têm mostrado um excerto de entrevista com o Presidente da República em que este afirmava, com uma apreciável segurança de voz e pose: "Se a tragédia de Pedrógão se repetisse, aí estaria um motivo que levaria à minha não-recandidatura."

Ora cá está uma boa posição. Por sentir que não conseguiria obrigar as instituições próprias a debelar os incêndios, como o de Pedrógão, nem sequer aborreceria os Portugueses nas eleições para o segundo mandato. Decisão altruísta e patriótica.

E agora vejamos: temos pela frente uma pandemia em nada mais suave do que os incêndios estivais, dado que mata indiscriminadamente por aí - em Portugal, na Europa, no Mundo - e o homem vem dizer que não foge e pretende continuar porque "há uma pandemia para enfrentar".

Quem é que percebe isto?

No caso dos incêndios, dada a sua gravidade, ele iria embora. No covid 19, ainda mais grave, ele fica. 

Ouvimos bem: perante os perigos da pandemia 19, o homem não vira as costas ao País; perante incêndios assassinos, o homem viraria as costas ao País.

Intrigante.

Que é que vai dentro daquela cabeça? 

Já sei: dentro daquela cabeça impera uma auto-confiança desmedida. Mas pior: asneire ele o que asneirar, o eleitorado dos brandos costumes dá-lhe o voto. 

E assim vamos vivendo nesta miseranda política à portuguesa.

Como remate, peço tolerância para o estilo irónico do arrazoado acima. Mas não pode ser apenas o Sr. Professor a brincar com a gente. 

2 comentários:

Anónimo disse...

Excelente artigo é penas que os jornais regionais, comprados pelos DDT, sejam tão pobres e com escritos tão triviais, que já não há pachorra para lê-los. Parabéns Calisto.

Manuela_a_Lusa disse...

Bom tê-lo de volta para enriquecer , alimentar e atualizar nosso conhecimento, já que estamos fora de Portugal.