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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cultura, Culturas



A CULPA NÃO FOI DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS


Lombo do Cunha - São Jorge


Na “Madeira Velha” os mestres erguiam muros de pedra aparelhada capazes de suportar com eficácia os tabuleiros de solo e refrear a erosão.
Na “Madeira Nova” constroem-se muros de betão, não raras vezes projetados em gabinetes privados por engenheiros funcionários públicos, para aterros que, com alguma sorte, poderão ser cultivados.
Tudo legal. Tudo com a aprovação das câmaras, dos serviços hidráulicos e agrícolas do governo regional. Tudo com apoio financeiro da Europa.
Os exemplos são mais que muitos, mas para já limitar-me-ei a um caso notável.
No sítio do Lombo do Cunha na freguesia de São Jorge, concelho de Santana, durante anos foi crescendo um aterro no local conhecido por Banda da Fonte.
Ignorando a ação da água da nascente, que esteve na origem do nome daquele lugar, os camiões foram despejando terras e alterando a orografia. Com o objetivo de conter o aterro, foi construído uma enorme parede de betão com drenos minúsculos.
A água da nascente, mais a água da chuva, mais milhares de metros cúbicos de terras acumuladas, mais um muro fracalhote, estiveram na origem duma enxurrada na madrugada de 05 de Novembro de 2012.
Desta vez não morreu ninguém e por isso não foi notícia. No entanto, as marcas do caudal de lama e restos vegetais ainda visíveis ao longo do córrego da Igreja até ao Calhau de São Jorge, o estado em que se encontra o muro do aterro e o volume de terras que poderão ser arrastadas nas próximas chuvas, exigem uma intervenção urgente e tecnicamente bem orientada, com o objetivo de evitar uma catástrofe anunciada.
As 14 fotografias com que ilustro esta nota são mais que suficientes para demonstrar que a enxurrada do dia 05 em São Jorge não foi por culpa das alterações climáticas. As terras, as canas vieiras e os troncos correram do Lombo do Cunha para o Calhau de São Jorge devido à incúria humana!
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
 

Lombo do Cunha - São Jorge

Lombo do Cunha - São Jorge

Lombo do Cunha - São Jorge

Lombo do Cunha - São Jorge

Lombo do Cunha - São Jorge
Aqueduto obstruído

Aqueduto obstruído
Aqueduto sob o edifício da Junta de Freguesia

Aqueduto sob o edifício da Junta de Freguesia
Pelo caminho rasgou outro aterro
Córrego da Igreja ou das Flores perto do Calhau de São Jorge
Foz do Córrego das Flores
Calhau de São Jorge
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cultura, Culturas



ESPECIALIS​TAS EM HIDRÁULICA


Vertente ocidental da ribeira de João Gomes.


Sempre que uma pessoa, no exercício dos seus direitos de cidadania, critica ou tão só questiona alguma medida do governo regional lesiva do ambiente, logo surgem os desmentidos oficiais e os epítetos depreciativos com o objetivo de desencorajar a massa crítica e de manter a sociedade anestesiada.
Na Madeira sempre que alguma catástrofe acontece, a culpa é da orografia difícil, da geologia complicada, das alterações climáticas e das obras da “Madeira Velha”. Desde que o domador da natureza tomou conta do poder, há mais de três dezenas de anos, todas as obras foram bem feitas e são fundamentais para minimizar os males provocados pelas águas revoltas ou pela fúria do fogo.
Na Madeira, como em qualquer parte da Terra, o que se exige aos detentores do poder político é que impeçam as intervenções no território que agravam os efeitos das catástrofes naturais.
A observação no terreno das intervenções nos canais de escoamento das três ribeiras que desaguam na baía do Funchal, levam-me a concluir que infelizmente muito pouco se aprendeu com o passado. E pior ainda é ouvir e ler a opinião do diretor regional de Infraestruturas e Equipamentos, que deveria ser responsável pela boa gestão das bacias hidrográficas. Na edição de hoje (11.11.12) do Diário de Notícias tentou desvalorizar as críticas com uma explicação digna duma tese de doutoramento em hidráulica:
“Se retiram o excesso de material, dizem que estão a colocar em risco a segurança. Se não fazem, também. As mesmas denúncias não têm em conta que as margens das ribeiras são sujeitas à erosão, ao vento, à chuva e que o aluimento de terras nem sempre se deve à ação humana”.
Sem querer entrar em polémica com aquele especialista em hidráulica, tomei a liberdade de vos mostrar meia dúzia de fotografias da margem ocidental da Ribeira de João Gomes.
No topo da vertente é visível a embocadura dum túnel com um diâmetro de cerca de 2 metros. Esse túnel foi aberto após a catástrofe de 20 de Fevereiro, entre a Quinta dos Reis e a Ribeira de João Gomes, com o objetivo de descarregar o caudal do Ribeiro da Pena, que naquele dia trágico matou 6 pessoas. Trata-se duma opção correta, que em muito reduzirá os riscos das cheias na área das ruas Luso Brasileira e Pedro José de Ornelas.
Com as chuvas deste Outono a nova cascata começou a destruir o coberto vegetal e a incrementar a erosão, como é bem visível nas fotografias. Mas o que é verdadeiramente notável é a dimensão do tubo (80 cm?) colocado cá em baixo para dar passagem às mesmas águas mais os materiais arrancados à vertente. Tudo isto integrado no caminho por onde continuam a circular os camiões com blocos de basalto para a baía.
Não é necessário ser especialista em hidráulica para saber que esta e todas as outras bacias hidrográficas não são corpos estáticos e que ocorrem alterações naturais nas margens. Mas, o que tenho dúvida é se algum especialista em hidráulica, não dependente do governo regional e no seu perfeito juízo, avaliza a intervenção na margem ocidental da Ribeira de João Gomes no período com maior probabilidade de ocorrência de chuvas fortes e cheias repentinas.
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
Vertente ocidental da ribeira de João Gomes.

Vertente ocidental da ribeira de João Gomes.

Vertente ocidental da ribeira de João Gomes.

Vertente ocidental da ribeira de João Gomes.

Vertente ocidental da ribeira de João Gomes.

sábado, 10 de novembro de 2012

Cultura, Culturas




Da serra escalvada à serra florida





 
 
Com muita persistência e algum saber podemos ajudar o maciço
do Pico do Areeiro a recuperar a biodiversidade. Porque acreditamos que é possível transformar a serra escalvada numa serra florida, passámos mais um dia a plantar espécies indígenas adaptadas ao ambiente edafoclimático dos píncaros da Ilha. Plantas que deverão adaptar-se com sucesso às previsíveis alterações climáticas.
O trabalho começou com frio, nevoeiro e chuva miudinha. Por volta da uma da tarde, quando já estavam na terra mais de 500 plantas, as condições atmosféricas pioraram, o que obrigou a uma paragem e a um recuo estratégico até ao abrigo.
Como por magia, em menos de meia hora o tempo transfigurou-se. O céu azul e os raios de sol impeliram-nos para o terreno e às duas e meia, quando o macarrão quentinho foi para a mesa, já estava tudo plantado. Na terra ficaram mais 730 plantas, de 7 espécies indígenas da Madeira, criadas no viveiro da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, localizado na Quinta Jardins do Lago.
No fim de mais esta jornada em que estiveram empenhados 31 voluntários, é justo fazer um agradecimento especial a Heike e Torsten Poggenklas, um casal alemão que, desde Outubro de 2010, vem trabalhando com grande entusiasmo neste projeto. Amanhã regressarão à Alemanha, mas em Janeiro cá estarão para mais umas férias ativas com a flora da Macaronésia.
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
 









 

Política das Angústias / SÁBADO



JARDIM, GUILHERME E CORREIA DE JESUS
COMEÇAM A METER O PAÍS NA ORDEM

Reunião para combinar a guerra: quem fica do lado dos maus, quem fica do lado dos bonzinhos. Até a tropa se presta a isto!


O governo de coligação PSD-PP viveu uma semana muito dura em função da incansável pressão exercida sobre a capital do reino por funcionários da Região Autónoma da Madeira.
Como aqui referimos, o rei da tabanca, falando perante uma plateia de médicos, chamou literalmente burros aos governantes lisboetas. Fê-lo mediante a prescrição de uma receita infalível para debelar a crise lusitana: restaurar a confiança no sistema financeiro, manter o estado social a todo o custo e redinamizar a economia e o emprego.
Os médicos participantes nas jornadas ficaram à espera que o 'meio chefe' (chefe de meio PPD) traduzisse tais objectivos por miúdos, para ficarem a saber como os atingir. Mas evidentemente que o rei da tabanca também não pode fazer tudo. Aliás, se soubesse como se comunicar com a banca, como perpetuar a missão do estado social e como voltar a mexer com a economia, já tinha evidentemente aplicado a táctica à Região, em vez de a oferecer aos cubanos. Os burros de lá que se desenrasquem, a partir das dicas esbarrigadas na tabanca.
 
Ainda volteavam o juízo para cá e para lá, e eis os cubanos a levarem com mais uma lição de vida hoje, às mãos do chefe local, outra vez em primeira página do seu eterno 'jornal de campanha', o ex-JM.
"Jardim diz que é preciso fazer algo para acautelar a segurança e a defesa nacional", titula o ex-JM com foto do rei a olhar por cima dos óculos, para simular sabedoria.
"Bom, ele agora diz que é preciso fazer alguma coisa para acautelar a segurança e a defesa nacional, como reagimos a isto?", perguntou Passos Coelho aos ministros para o efeito reunidos de emergência.
Para não voltar a ser atacado por falar sem documentar o que diz, o chefe das araras desta vez especificou a sua filosofia, criticando a "passividade", na matéria em causa, das Igrejas, das Forças Armadas e das Universidades.
Chefe tribal refere-se a todas as igrejas, tanto as urbanas como as rurais. Abades, curas, sacristães, irmãos das confrarias, filhas de Maria e simples beatas das limpezas, todos devem centrar as suas orações a santinhos e anjinhos para que seja devidamente acautelada a segurança e a defesa nacional.
E a tropa, claro. Quando nos tempos que correm os soldados manejam melhor a podoa para limpar matas e a mangueira de combate a incêndios do que a velha canhota, exige-se que lhes seja ministrada pelo menos uma hora diária de ordem unida. Se o inimigo entrar por aí dentro, porque os canarianos, os bijagós e os santomenses são incertos na lua, ao menos podemos recebê-los com um desfile marcial decente enquanto eles não tomam o aterro e a dupla foz das ribeiras.
Quanto às universidades, o grito de sua excelência vai no sentido de as associações de estudantes meterem a mão na consciência e, nos intervalos das manifestações em que não mostram as partes íntimas, reflictam sobre o estado da segurança e da defesa nacionais.
 
Este ataque de pedagogia perpetrado pelo rei da tabanca diante de experts, incluindo militares, que participavam num curso intensivo de segurança e defesa cá no Funchal, inspirou-se um tanto erradamente na voluntariedade tribal de dar lições aos ouros. Afinal, não estavam ali participantes num daqueles vulgares simpósios género "curso de defesa sem mestre para principiantes" ou "Técnicas para abrir a cabeça ao invasor em 10 lições".
 
Em todo o caso, o recado ficou. E complementou, inclusive, o autêntico 'sabão' que o nosso Correia de Jesus, deputado em S. Bento, passou ao ministro Aguiar Branco a propósito da NATO. Jesus alinhou de tal modo meia dúzia de questões ao ministro, para acabar em grande com a importância geoestratégica da Madeira, que ele, Aguiar Branco, jamais comparecerá no hemiciclo antes de mandar uma funcionária entretar durante o tempo que for preciso o diligente deputado da Rochinha.
 
Guilherme Silva fez pior, estes dias? Nem pensar. O deputado 'MacGyver', especialista em justificar as injustificáveis calinadas de Jardim, também aparece este sábado em manchete no ex-JM a propósito de uma reunião onde se haverá sentado com o ministro Gaspar.
Há testemunhas: estiveram lá Ventura Garcês, o director de calotes regionais Rui Gonçalves e a deputada Cláudia Aguiar, que não se sabe se lá continuará apesar do apoio a Jardim nas internas.
Como se impõe nestas circunstâncias, a notícia do ex-JM fala mesmo em "reunião" quinta-feira, mesmo sabendo-se que "reunião" é quando as pessoas se encontram para debater e que ali só quem falou, para dar ordens financeiras, foi Vítor Gaspar.
Depois, a chamada no frontispício do ex-JM é suficientemente ambígua para nada se perceber dela.
Aponta-se quem lá esteve. Diz-se que de Gaspar houve um "sinal positivo". Que "a 14 tudo deverá estar resolvido em relação às propostas da Madeira". E que "para já" haverá "uma forte possibilidade de inscrever no OE uma norma que aponta para a defesa da Zona Franca". Agora, nada se percebe sobre o que terá recebido o "sinal positivo". Nem o que estará resolvido a 14 nem o que são as propostas da Madeira. Nem que raio se assume como "forte possibilidade" de inscrever visando a defesa da ZFM.
Na "notícia" interior, percebe-se que se fala dos debates do OE e da posição dos deputados madeirenses na votação, que aliás nada interessa para o diâmetro da Terra.
Mas pouco mais se sabe, a não ser que o grande Guilherme considerou a reunião "profícua". E que houve "avanços para se concretizar o acolhimento das pretensões mais relevantes da região, o que depois será materializado em propostas". Portanto, tudo cada vez mais na mesma.
A isto chama o ex-JM um "trabalho de articulação com o Ministério das Finanças". Com certa razão. Porque se não se pode dizer que esteja articulado, também não se pode dizer que não esteja articulado. Ali não há nada de nada e não se pode provar o que quer que seja num domínio do nada.
Guilherme Silva, para fazer alguma luz sobre o intrincado mistério, destaca neste âmbito, seja o âmbito qual for, o ter-se "concretizado o espaço de negociação na reunião que teve lugar anteontem à tarde". Esclarece mesmo que o trabalho para a formalização das propostas continuará - sem que numa página inteira se conheça uma só delas - e pela enésima vez refere que "a posição de votação final global (sic) caberá da concretização e da avaliação final (sic) do grau de concretização deste conjunto de propostas (tvi) que não posso ainda pormenorizar (rtp)".
Por aqui nos ficamos, porque a última coluna da reportagem parte do pressuposto de que Guilherme "não pode revelar mais propostas da Região que estão a ser negociadas". Mais?
Veja-se o trabalhão que rei da tabanca e seus homens em S. Bento estão a dar à governança de Passos e Gaspar!
 
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012






Ribeira da Tabua volta a alarmar a população local


 
 

Apesar do nosso alerta e da população da Ribeira da Tabua que arrumar pedra ao longo das margens da ribeira era apenas um “desenrasque” perigoso, bastou apenas uma chuva mais forte para desmoronar essa proteção. A questão que podemos colocar para reflexão é a seguinte: e se o período de chuvas fosse mais longo? O que teria acontecido?
É obvio que a ribeira causaria problemas graves à população que reside no Sítio da Praia, Tabua e os agricultores voltariam a perder os seu campos agrícolas.
Perante este facto a população, com toda a legitimidade, sente-se insegura. O 20 de fevereiro é uma lembrança ainda recente na memória de todos nós. Será que ainda não aprendemos a lição? Os cursos de água precisam de estar orientados de forma a não causar danos. Para isso é preciso seguir as orientações válidas de quem, por várias vezes, já alertou com conhecimento de causa para a insegurança que representa este tipo de proteção.
Cabe agora aos responsáveis pela segurança publica agir de forma a que, por incúria, não se repita a tragédia que foi o 20 de fevereiro na Ribeira da Tabua.
Contudo, o caso da Ribeira da Tabua não é um caso isolado no concelho da Ribeira Brava. A mesma preocupação causada pela despreocupação e desatenção dos nossos governantes, estende-se também à ribeira da Serra de Água que nesta “pequena intempérie”, também causou insegurança aos seus residentes. Com estas chuvas ficou provado que a insegurança deste tipo de proteção, usado nas ribeiras do concelho da Ribeira Brava, representa um perigo iminente. É preciso agir.
 
A segurança e a saúde das pessoas valem menos do que a britadeira da Meia Légua.
 
Todos os comentários e críticas à existência da britadeira, ao longo dos dez anos da denominada instalação provisória, na Meia Légua, no Sítio da Rocha Alta, na fronteira entre as freguesias da Ribeira Brava e Serra de Água, têm em comum a preocupação com a segurança e a saúde das populações que residem na Meia Légua e na Vila da Ribeira Brava. Instalada provisoriamente no local para facilitar o apoio à construção de obras que entretanto se iam concluindo, esta nunca foi fechada após a conclusão dessas obras. A britadeira foi ficando sempre, com a desculpa de que havia mais obras e, por mais apelos da população e abaixo assinados que fossem feitos, de nada serviram e esta permaneceu sempre, indiferente a tudo e a todos. Nem se ouviu uma palavra dos órgãos locais do poder: Juntas de Freguesia e Câmara Municipal, no sentido de pedir o encerramento da britadeira nem o Governo Regional ponderou a possibilidade de a encerrar e sempre justificou, a permanência da britadeira na Meia Légua, com novas obras e, nem mesmo quando estas se concluíam, a mandou encerrar. A empresa ganhou, sucessivamente, novos concursos para outras obras e, a manutenção de britadeira, segundo o Governo, justifica-se. 
 
Mas como justificar o último acidente que ocorreu esta semana na britadeira da Meia Légua?
Foi a muito custo que se conseguiu suster a força da água mas uma parte do material britado foi ribeira abaixo estendendo-se até à foz da ribeira.
 
E se o acidente ocorresse durante a madrugada ou não houvesse possibilidade de deter a água?
Perante os milhares de metros cúbicos de material britado estamos sempre na iminência uma catástrofe de maiores dimensões, para a Vila da Ribeira Brava, que a ocorrida no 20 de fevereiro.
É urgente retirar todo o material britado e encerrar a britadeira sem demoras e, definitivamente, antes que aconteça alguma desgraça.
 
Rafael Sousa 



 

Delícias da Madeira Nova



'MEIO CHEFE' TEM SOLUÇÃO PARA ENCONTRAR A SAÍDA DO BECO... E NÃO É GPS


As Jornadas Médicas pasmaram de ver um homem que não faz contas certas numa ilhota e é capaz de resolver os problemas de um país com 10 milhões de almas!


Provavelmente inspirado pelo ambiente cheio de saúde onde corriam as jornadas médicas para que o convocaram, sua excelência o chefe de 'meio PPD' atirou para o ar as três medidas em seu entender capazes de fazer Portugal "sair do beco" onde o meteram.
Depois de anos e anos a batalhar e a queimar as pestanas em busca de solução para sacar o País da fossa, políticos, financeiros, economistas e sociólogos devem ter ficado esmagados ontem perante a clarividência do rei da tabanca madeirense.
Recorreu ele a um sistema GPS para nos guiar à saída dos caminhos labirínticos onde nos meteram os comunistas, socialistas e apoiantes de Albuquerque?
Não, senhores. Ontem, nas Jornadas de Medicina Interna, a correr no Hotel CS Madeira, o homem foi tocado por uma qualquer musa em dia de boa disposição, anunciando aos quatro ventos, a troco de nada, que objectivos perseguir para levantar Portugal do chão.
Ei-los:
1. restaurar a confiança no sistema financeiro;
2. manter o estado social;
3. redinamizar a econonomia e o emprego.
 
Porra! - dirá o leitor num repente - Isso todos nós sabemos! O problema está exactamente em descobrir como atingir essas três metas. Ele diz como é?
Ora, querem que o homem faça tudo!
Ele fez metade do servicinho, outros que o acabem. Quem é que tem culpa de o homem ser brilhante a ponto de lançar estas ideias mais do que válidas e verdadeiras e depois o Passos Coelho e o Gaspar não terem unhas para as pôr em prática?
Não estranharemos que, de hoje para amanhã, sua excelência lance ao debate mais medidas justas e indiscutíveis, como por exemplo uma proposta para dar um Mercedes a cada pobre da Lusitânia e decuplicar o subsídio de desemprego ao meio milhão de portugueses que andam a polir esquinas, além de devolver subsídios de férias e de Natal e de o Estado comparticipar com 90% de férias no estrangeiro a quem tenha trabalhado para outrem nos últimos 30 anos.
 
Cá está um fenómeno de difícil explicação: um político que levou uma região pequena à bancarrota, deixando tudo a pão e água só para gastar em cimento, e ei-lo com esta jeiteira para solucionar problemas grandes!
Bom, não é o primeiro que dirige com competência uma empresa grande e em casa não dá conta dos dinheiros para pagar o leiteiro e o padeiro.
 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Cultura, Culturas



SOS Ribeira de João Gomes

Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012



No dia em que o governo regional mendigou dinheiro à Europa e ao governo de Portugal para recuperar os danos provocados pela chuva e pela irresponsabilidade no norte da Madeira, decorre uma alucinada destruição dos canais de escoamento das ribeiras do Funchal.
À luz duma mentira, repetida vezes sem conta, de que estão a trabalhar na proteção do Funchal, seguindo as indicações dos estudos elaborados por reputados especialistas e longe da vista da maioria dos incautos cidadãos, os garimpeiros extraem os blocos de basalto e conspurcam os caudais com terra. Depois tudo vai para a baía. A rocha às costas dos camiões é despejada na construção duns pontões já destruídos três vezes e que em nada melhorarão o escoamento das ribeiras. A terra acastanha o mar e destrói a flora e a fauna marinhas.
Esta manhã perdi a conta do número de camiões que saíram da Ribeira de João Gomes carregados de pedra para alimentar a obra de desfiguração da baía. Tive a oportunidade de observar e fotografar a destruição da vegetação e o aumento da vulnerabilidade das vertentes. Constatei com enorme mágoa, que a gente em quem os madeirenses votaram para governar continua a agir como se as ribeiras fossem peças de plasticina moldáveis a seu belo prazer.
Os abusadores da natureza estão a repetir nas ribeiras do Funchal o modelo aplicado na Ribeira da Ponta do Sol, que ficou irreconhecível com a extração de pedra para a Marina do Lugar de Baixo.
Depois da divulgação destas fotografias surgirão explicações de que o que está a ser feito na Ribeira de João Gomes é necessário para a construção dos açudes fundamentais para o controlo do transporte de material sólido.
Podem explicar. Podem ameaçar. Mas enquanto tiver capacidade física e mental, continuarei a escrever e a dizer de viva voz, que o Funchal e os funchalenses não ficarão mais seguros com esta onda de empreitadas, que extravasam em muito a construção dos açudes.
Reconhecerei que tenho errado e calar-me-ei, quando uma comissão técnica internacional (não consultores que dão pareceres à medida da entidade que encomenda) vier à Madeira e, após aturado estudo no terreno, avalizar as intervenções que decorrem nas ribeiras.
Até lá, melhor seria, que em vez de teimosamente continuarem a deitar pedra, terra e dinheiro ao mar, aplicassem os euros que restam da Lei de Meios para minimizar os problemas do norte da Ilha e cicatrizar as feridas da aluvião de 20 de Fevereiro de 2010.
Portugal e a Europa já não se comovem com pedintes que apedrejam os benfeitores.
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
 
 
Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012


Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012

Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012

Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012

Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012

Ribeira de João Gomes, 8 de Novembro de 2012
 

Cultura, Culturas




Funchal, cidade cosmopolita



Cidade de telhados ocres em redor da torre da Sé.
Cidade caldeada de tradição e modernidade.
Cidade de flores tropicais e árvores notáveis.
Funchal, cidade que necessita urgentemente se libertar dos violadores da baía e das ribeiras.
As fotografias que agora partilho convosco são do Funchal que amo.
Muito brevemente irei mostrar fotografias e escrever uma nota sobre a violação de que está a ser vítima a Ribeira de João Gomes.
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
 


 
 

Delícias da Madeira Nova



ANGÚSTIAS DESPACHAM OPORTUNO ESCLARECIMENTO SOBRE OS ÍNVIOS CAMINHOS DO 'MEIO CHEFE'

Com o tempo que perde a desmentir as notícias do Diário, sua excelência obriga-se a desfalcar as câmaras para reforçar o governo

Para o caso de alguém não saber, o rei da tabanca é este campónio ao pé de Cunha e Silva e dos seguranças que, comparados com grande chefe, no vestir parecem uns doutores.


Fomos alarmados esta manhã pelo estardalhaço da edição do ex-JM à volta de um desmentido emanado pelo presidencialato das Angústias.
Na chamada da frente, lê-se que a "presidência do GR desmente notícia do DIÁRIO". Em desenvolvimento na última página,  percebe-se que há "Mais uma mentira do diário do Blandy".

Lá veio a publicação dos Ingleses implicar mais uma vez com o 'meio chefe' (agora só chefia metade dos militantes do PPD) por causa da bagatela do desemprego na Região, se calhar mais uns 500 ou 600 vadios a inscrever-se - pensámos nós.
Ou então é nova investida no requentado tema da pobreza e da sopa do Cardoso a que recorrem diariamente representantes da classe média.
Ou será por causa da estafada e gasta dívida oculta, de que o MP deveria ter dado despacho até fins de Outubro? Lembram-se da 'Cuba Livre'?
Ou tratar-se-ia simplesmente de algum desencontro de Ventura Garcês com o chaufer de Vítor Gaspar por causa das contas da troika?

Este senhor, apesar da barreta estilo 'cigarrilha', é 'meio chefe' do PPD e percorreu toda a freguesia da Ribeira da Janela, depois dos temporais.


Para evitar mais dúvidas, fomos ler a notícia. Ficámos descansados. Não está em causa mais uma das baboseiras institucionalizadas no quotidiano regional. Desta vez, há um assunto gordo para esclarecer.
E o presidencialato esclareceu.
 
Do que percebemos, os senhores do Diário insinuaram que chefe das Angústias visitou as zonas atingidas pelo mau tempo... de pantufas. Como quem deita uma vista de olhos pelo quintal antes de se deitar.
Em linguagem futebolística, o homem teria imitado aquele extremo goleador do Benfica dos anos 70, Nené, que saía do campo sem ter sujo os calções. Mas com golos na conta pessoal.
 
Para que os leitores do DN saibam, o esclarecimento oficial explica, porque o assunto é sério: ao contrário dos títulos demagógicos do sinistro jornal da Rua Fernão de Ornelas, sua excelência "atravessou ontem toda a freguesia da Ribeira da Janela".
Deduz-se, pois, que o DN insinuou que o homem não havia atravessado toda aquela freguesia nortenha - ou por comodismo ou por falta de gasolina ou por falta de tempo.
Por mais que o DN insista, ele passou por lá... "em toda a freguesia", não apenas até à igreja, não apenas em dois sítios dos mais acessíveis.
 
É com ataques desta gravidade, como releva superiormente o texto das araras, que os responsáveis pelo DN arrastam "todo o Grupo Blandy, suas famílias e empresas para uma insólita guerra política que só prejudica a estabilidade e a economia da Madeira". E se isto chegasse aos ouvidos de uma Merkel? De um Obama?
 
Mas produzir estes avisos surte algum efeito naquela gente?
O mesmo do que nada.
 
Embora correndo o risco de nos ligarem ao regime, neste caso somos forçados a sublinhar a má vontade na descrição dos factos.
É que basta olhar-se para as fotografias do ex-JM para vermos a prova de que grande chefe andou a bom andar por aquelas recônditas e maltratadas regiões do Norte da Madeira. De carro confortavelmente climatizado, mas andou.
Para evitar confusões, sua excelência percorreu aqueles lugarejos em dias diferentes, mas sempre com a mesma roupa, por uma questão de identidade. Aquela barreta do tipo cigarrilha de outrora é inconfundível. Depois, ele não tirou a gravata em dois tons de azul e cor-de-vinho nem o casaco axadrezado que é marca sua e que dá para jogar às damas nos momentos de repouso. Idem com o sobretudo com gola castanha ao estilo dos cabreiros da serra.
Verdade seja dita, o nosso particular Amigo Silva, da segurança, ao pé do rei da tabanca parece um doutor a vestir, no seu fato escuro com gravata azul-branca às riscas oblíquas.
Mas o homem da tribo é assim mesmo, está sempre em roupa de trabalho, de um mau gosto invariável esteja na feira do gado ou numa recepção no Reid's.
 
Voltando à carga, tentemos exigir menos do governo regional, porque as pessoas lá empregues, depois de tanto tempo sem nada fazer, porque Lisboa manda em tudo, desabituaram-se de trabalhar.
Veja-se a última peripécia: Manuel António Correia, não encontrando meio de se comunicar com o poder local, apesar de passar o tempo nas festas do limão, do pero, da castanha, do tabaibo e por aí fora, e porque são avassaladoras as necessidades de proceder a esclarecimentos governamentais, acaba de dar uma machadada na equipa municipal de Albuquerque, a fim de reforçar a sua equipa do Golden.