MARÍTIMO ADIANTA DINHEIRO
À ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL
PARA SALÁRIOS E SEGUROS
O clube do Almirante Reis, num invulgar gesto solidário, consegue aliviar para já uma situação que ameaça levar ao colapso do futebol na Região
Em época de crise generalizada, o incrível acontece no futebol regional: em lugar de ser o organismo supervisor da modalidade - Associação de Futebol da Madeira - a socorrer os clubes filiados, que vivem uma fase particularmente dramática do ponto de vista financeiro, é um clube insular, de forte implantação nacional, a ter de evitar o colapso da referida AFM.
É um facto: o Marítimo acedeu ao adiantamento de 15 mil euros para que a Associação possa pagar os salários aos seus funcionários e acorrer às suas obrigações em matéria de seguros.
Numa palavra, o Leão verde-rubro acaba de aliviar o órgão associativo de um sufoco financeiro sem remédio à vista, evitando com a relevante atitude mais uma passada para o colapso do próprio futebol na Região.
O problema financeiro da AFM foi agravado quando a Tecnovia levou aquele órgão dirigente a tribunal à conta dos compromissos por satisfazer relacionados com a construção do complexo desportivo da Associação, em Gaula.
A autoridade deliberou então que os apoios públicos destinados à AFM sofressem um efeito no trajecto, desviando-os para os cofres do credor.
Isso mesmo quando se sabe que... dinheiro do governo para a Associação, há ano e meio que, ou se perde pelo caminho, quem sabe, ou não chega a sair de uma gaveta de Ventura Garcês por sua vez lisa.
Berbicacho intrincadíssimo para o presidente Rui Marote, que para levar as últimas temporadas até ao fim se viu na obrigação de recorrer a entidades amigas mas, ainda assim, agravando as dívidas do órgão máximo do futebol madeirense.
Naquela Associação, não há dinheiro para satisfazer compromissos. Não há um cêntimo para nada.
Ao nível do seguro dos atletas, as coisas complicam-se seriamente, porque segurar os jogadores é obrigatório para que se realizem as jornadas, mas também é obrigatório a seguradora receber o que lhe é devido - e, quando não há pagamento, há penalizações. Para começar.
É neste enquadramento de uma AFM sem dinheiro para seguros nem para pagar os próprios salários dos colaboradores que o Marítimo se chega à frente com uma solução visando almofadar o primeiro embate. O que significa evitar males maiores para a nossa juventude que, felizmente, não passa sem dar o seu chuto na bola.
O gesto dos responsáveis maritimistas é tanto mais digno de realce quando é certo que também a grande nau do Almirante Reis não navega num mar de calmaria, pelo contrário, são conhecidos os aturados esforços centrados precisamente num rigor financeiro sem o qual estaria em perigo a estabilidade do clube.
A AFM põe a cabeça fora de água para uma lufada de oxigénio, mas... ou há uma solução de fundo para o problema actual ou, passe o humor, nem com braçadeiras o organismo liderado por Rui Marote escapa ao afogamento.