ALBUQUERQUE TIRA BANDEIRAS
DAS MÃOS DA OPOSIÇÃO
O recente corte do jackpot denunciou precocemente a estratégia política de Miguel Albuquerque para o exercício político-partidário que lhe cabe, agora que toma conta da liderança do PSD-Madeira. Trata-se de esvaziar de sentido as queixas da oposição ao longo de muitos anos, justificadas pelo estilo ferino da liderança cessante.
Agora, em pleno congresso, Albuquerque anunciou a intenção de erradicar as agressões do estatuto da oposição. Dignificar o parlamento, porque o PSD-M, como disse, não deve ter medo do parlamentarismo e da democracia. Dia da Região comemorado no parlamento e com a participação dos partidos da oposição. Reuniões das comissões parlamentares abertas à comunicação social. Ou seja, está prometida uma viragem de 180º no estilo do Partido Social Democrata da Madeira.
No plano mais prático, urge também, consoante o discurso do novo líder social-democrata, baixar preços dos portos e dos transportes, a criação de uma ligação marítima com o continente, a recuperação do Centro Internacional de Negócios - por aí fora. Há que, sem prometer nada para já, estudar a hipótese da construção de um novo hospital.
É Albuquerque a tentar mostrar que a oposição deve baixar essas bandeiras, porque não existe mais a teimosia do regime jardinista de as combater.
A oposição terá de mudar de táctica, para se adaptar a esta linha. Ser-lhe-á útil, a par do seu trabalho normal e pró-activo, monitorizar o trabalho do PSD de Miguel Albuquerque, a ver até que ponto a caminhada segue no sentido da concretização dos propósitos anunciados.
O problema é que aquela espécie de 'perdoa-me', ontem na sessão de abertura do congresso PSD, selada com um abraço entre Jardim e Miguel Albuquerque, ilustra um inesperado espírito de unidade que, parece, tomou conta do partido da Rua dos Netos. Na verdade, a casa laranja, que chegou ao dia 29 de Dezembro em escombros, como por um passe de mágica ressurgiu de um dia a outro, com paredes, pelo menos aparentemente, mais sólidas do que as que conhecemos nas últimas décadas.
Para ajudar à festa, o líder do PSD-Açores, Duarte Freitas, veio ao congresso oferecer todos os esforços do seu partido no arquipélago vizinho para um trabalho conjunto e profícuo em defesa de ambas as Regiões. E Marco António Costa, vice-líder nacional do PSD, quis dar a perceber que, com esta liderança social-democrata na Madeira, o governo central, integrado pelo PSD, resolverá os bicudos problemas pendentes.
Senhores da oposição, em especial José Manuel Rodrigues e Victor Freitas! Passado tanto tempo... onde e quando é que já vimos isto?
Que trabalheira pela frente, e com tão pouco tempo para as eleições! Finado o jardinismo, vem aí um jardinismo ao contrário. Mas igualmente avassalador, como não custa conjecturar. Que exige análise cuidada e antídoto de alto nível.
Para os interessados em analisar o discurso final de Miguel Albuquerque, publicamo-lo abaixo na íntegra