NOTÍCIAS DA BROQUILHÂNDIA
Faz hoje 25 anos que existe Direcção Regional dos Jornalistas. A celebração da efeméride contou esta manhã com a presença do presidente da Câmara do Funchal, entre os convidados para a cerimónia em plena sede do SJ.
Chegámos a imaginar que convidados especiais fossem os jornalistas perseguidos e expulsos desde os primórdios até hoje, tanto pelo poder político como por administrações com deveres de fidelidade ao referido poder. Não aqueles profissionais da palavra que entretanto resolveram a vida na esteira do pensamento 'se não podes com eles, junta-te a eles'. Pensávamos em alguns que marcam presença de mês a mês no Desemprego, até a esmola expirar. Mas... bem feita para não serem espertinhos dentro e fora da casa empregadora.
"Talvez possam ser convidados alguns dos que continuam na calha para ir escrever incómodos para outro lado" - julgámos também. Mas não. Esses não precisavam de convite. Não?
Bom, em contrapartida esteve lá o Cafôfo a representar os poderes da Nova Madeira Nova. Ou ele não é poder só porque faculta sede ao SJ e faz um descontozeco inofensivo nas entradas para a praia?
Chegámos a pensar que, depois daqueles largos sorrisos à volta do bolo de aniversário dos actuais dirigentes, do primeiro presidente Zé Manel e do Mayor funchalense, houvesse oportunidade para uma conferência-debate ou algo que o valesse para analisar o estado do jornalismo na Madeira e lançar ideias para melhorar alguma coisa, se fosse o caso. Porém, pensando melhor, seriam uma ou duas horas gastas escusadamente. Longe vão os tempos em que a classe de jornalistas da Madeira era uma caterva de vendidos aos partidos políticos, embora nenhum centavo tivessem ganho alguma vez com a política. Mas os verdadeiros chulos da política, que nunca fizeram outra coisa na vida, e espertos que sempre foram, certamente sabiam de esquemas sinistros nos meandros da comunicação social.
As coisas mudaram para melhor, como se pode ler, ouvir e telever quotidianamente. Os que urdiam e operavam as jogadas subreptícias nos tempos da Tabanca deram às de vila-diogo. O regime da Broquilhândia, imposto pelos Broquilhas que marcharam sobre a capital para ajudar a colocar no poder o chefe de pacotilha Blue Establishment - este novo regime que veio ocupar o da Tabanca varreu a sujeira toda do panorama. Agora, sim, há comunicação imaculada.
Daí não fazer sentido, talvez, insistir nas preocupações apregoadas por certos mitos e heróis de outrora. A dependência dos media relativamente aos vários poderes expirou. O mercantilismo na comunicação social também foi chão que deu uvas. As pressões nas redacções também se perderam na memória dos tempos.
Cafôfo botou palavra na cerimónia de hoje e denunciou a trabalheira a que os jornalistas são obrigados, a tocar a escravidão. O Mayor pode falar. Ele está deveras preocupado com a situação e até colabora com os profissionais da escrita e da imagem, aliviando-lhes a vida com suplementos já feitos e entrevistas aos montes para encher chouriço e libertar as redacções de tantos serviços.
Em suma, parabéns ao sortudo do Sindicato, que hoje pode governar a casa à vontade sem as chatices de outros tempos.
Já agora, parabéns aos puros e aos heróis do antigamente, que denunciavam os 'vendidos' para subirem na vida... se por acaso ainda andarem alguns por aí.
E viva a BROQUILHÂNDIA que purificou a nossa querida ilhota.
E viva a BROQUILHÂNDIA que purificou a nossa querida ilhota.
PS - Prova cabal de que as coisas
mudaram para melhor na ilhota foi o 'debate' que vimos ontem na TV, com
alguns deputados a fazerem um balanço qualquer. Quando noutros tempos a
comunicação social era bombo de festa em todas as situações do género, ontem
ninguém tocou no tema. O que acontece de mal hoje em dia na Madeira
já não é porque os jornalistas são todos uns comunas vendidos a Lisboa ou então
porque são mercenários pagos pelo regime. A comunicação social da era
Broquilhândia em pouco tempo conseguiu mostrar o que é servir a causa dentro
dos parâmetros da deontologia. Os políticos - da maioria e das minorias - estão
aí vivos e sãos para o comprovar.











