terça-feira, 18 de julho de 2017


“PARTIDARITE” A MAIS INCOMODA


GAUDÊNCIO FIGUEIRA

Há 35 anos que Portugal vive em Democracia sob a égide dos partidos (excluí o período de 1974 a 1982 em que houve tutela militar), tempo suficiente para uma análise.

A confiança dos eleitores nas elites, elemento essencial num regime de partidos, anda hoje pelas ruas da amargura. Terão razão os eleitores? Creio que têm muitas e sólidas razões para desconfiarem de quem, alimentando a luta política na dicotomia direita esquerda, esqueceu os cidadãos em benefício dos militantes. 

Tivemos deputados e governantes que se esconderam por detrás dos Tribunais apresentando-os como entraves à vivência democrática. Deputados houve ainda que, perante leis que limitavam o exercício da advocacia, não hesitaram em subvertê-la. Angariavam processos no âmbito da actividade partidária e, despudoradamente, afirmavam aos eleitores incautos que eram da sociedade de advogados e não pessoais. Ninguém colocou os cidadãos, preto no branco, perante esta dura realidade. Direita e esquerda foram cúmplices!  

A quebra de confiança acentuou-se ainda mais com a ruptura do sistema financeiro. Foi o pânico geral, todos os órgãos de Fiscalização do Estado falharam e a malvada retórica esquerda direita lançou cortinas de fumo atribuindo-se, mutuamente, a responsabilidade pela desgraça que, sem sermos tidos nem achados, nos caiu nos bolsos. Há acusações em Tribunal e ninguém nos pode levar a mal que, perante certas riquezas repentinas, nos mostremos incrédulos. Apetece-nos seguir o exemplo daquele procurador que, nos EUA em 1936, interrogando Lucky Luciano sobre como conseguia viver num hotel tão caro com os baixos rendimentos que declarara, obteve como resposta: fiz um bom negócio. Nem o procurador nem nós cidadãos, para quem tudo sobra quando toca a pagar, acreditamos em certas inocências.

Há um mês, ficou à vista de todos os Portugueses nova fragilidade do Estado. Os fogos de Verão causaram perdas incomensuráveis em Pessoas e Bens. Tal como acontecera com os vários “fogos financeiros”, a catástrofe de Pedrógão logo foi apropriada para a refrega direita esquerda. Servirá para alguma coisa? Os incêndios não são de direita nem esquerda. São apenas incêndios.

Porém, a “partidarite aguda” que, como vimos acima, há anos nos aflige, surgiu em todo o seu esplendor no caso dos paióis de Tancos. A Instituição Militar saiu muito mal tratada de tudo aquilo. Causa asco ouvirmos comentadores, como Marques Mendes, dizerem que os Militares podem ser criticados pelas falhas quando o seu objectivo era cavalgar a onda – como acontecera com Pedrógão – do roubo de direita contra o roubo de esquerda.

Hoje, face a tudo aquilo que se lê, vê e ouve na comunicação social, este episódio tem características de “inventona” – repesquei o termo aos idos de 1975. Naqueles tempos difíceis criavam-se casos na comunicação social que justificavam, na opinião pública, determinados comportamentos. Caberia aos militares fazer frente à conflitualidade emergente. Foram os custos que a Instituição Militar suportou durante oito anos, por ter ousado substituir um poder político incapaz de descolonizar seguindo o exemplo de outros Impérios Europeus. Quase meio século depois há novamente dificuldades. Direita e esquerda combatem-se ferozmente mas convinha que deixassem as casernas em paz. Definam-lhes a missão e deixem que FA´s a executem, castigando nos casos em que isso se justifique.

Falando sobre o incêndio, após ter dito em cima do acontecimento, que tudo aquilo que fora possível se fizera, o Pres. da Rep., afirmou: “Todos os que assumimos, de uma forma ou de outra, poderes públicos, com humildade temos de reconhecer que aquilo que é uma das funções dos poderes públicos, de segurança das populações, não foi possível garantir cabalmente nestas circunstâncias” . Foi mais longe o Prof. Marcelo. São suas estas palavras: “Lançaria daqui um apelo, uma sugestão que é um apelo, de uma trégua eleitoral e um pacto eleitoral naquelas áreas atingidas. Para que se esqueça a campanha eleitoral. Ou se não for possível esquecer a campanha eleitoral, que se não use na campanha eleitoral esta tragédia em nenhum título, directa ou indirectamente. E que estes meses até Outubro sejam vividos em conjugação de esforços” 

Tem razão o Presidente da República, a diferenciação entre direita esquerda não pode assentar na mera retórica que já nos maça. A instrumentalização do Estado, FA´s incluídas, em circunstância alguma deve ocorrer.

Aplauda-se o comportamento do Presidente da República em exercício de funções. Nem em sonhos quero imaginar qual seria o “Estado da Nação” se ainda tivéssemos em funções o Prof. Alm. Dr. Aníbal Américo António de Deus Cavaco Rodrigues Silva Thomaz.

6 comentários:

Anónimo disse...

Até vou dormir melhor. Excelente texto.

Anónimo disse...

Artigo com ideias muito confusas e baralhadas ficou se sem saber muito bem o que pretendia dizer o articulista

Anónimo disse...

Pelos vistos o problema é seu. Meta explicador, mas veja se ele não tem partido.
Acautele-se, pois se ele tiver partido vai ler-lhe a respectiva cartilha.
Uns contra os outros e a malta, sem tachos distribuídos pelo partido, que lixe e pague impostos.

Fernando Vouga disse...

A política tem a ver com a conquista e manutenção do poder. A governação, em última análise, tem a ver com a produção e distribuição da riqueza. São áreas diferentes.
Mas em política só se envereda pelas boas práticas governavas se tal contribuir para o objectivo final, o poder.
E á assim que se percebe que, quando um governo está a andar bem, as oposições sofrem calafrios e tudo fazem para denegrir e, se possível, bloquear a acção governativa. Os superiores interesses na Nação, ficam para as calendas gregas.
Quando o governo é derrubado e a oposição ocupa o seu lugar, o processo repete-se e fica tudo na mesma
E autor desta peça está simples, e oportunamente, a colocar o dedo na ferida.

Anónimo disse...

Ó das 23.38, convém ires à escola outra vez para fazeres uma reciclagem.
Não aprendeste bem quando por lá andaste.
Já não foste do tempo de levar reguada nas mãos, com certeza.

Jorge Figueira disse...

Resta-me agradecer ao Fernando Vouga o contributo para uma correcta interpretação do texto.
A Madeira é pouco dada a que as pessoas pensem. Se assim não fosse não estávamos onde estamos. Falidos e sem fontes de receita!