REGULAMENTO PARA USO DAS SEDES
DESTINA-SE A LADRÕES, BÊBEDOS E DESORDEIROS
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| Jaime assina sozinho o Regulamento que imaginou sozinho, redigiu sozinho e promulgou sozinho. Qual Meio Chefe, qual nada! (Foto Manuel Nicolau) |
Jaime Ramos esgalhou umas normas bizarras para desencorajar os Delfins de utilizarem as sedes do PPD na campanha interna prestes a começar. É mais fácil entrar na Casa Branca do que organizar uma simples sessão de propaganda nos "espaços". Quem manda e desmanda em tudo é o secretários-geral, que encheu mais de 3 folhas A-4 com restrições aos militantes que mais parecem destinadas a uma chusma de bêbedos, gatunos e zaragateiros. E atenção que a entrada está proibida a não militantes. Jornalistas? Nem pensar! Só lendo se faz a ideia certa. É para isso que convidamos o Leitor do 'Fénix'.
O documento chama-se "Regulamento de utilização e cedência das sedes do Partido Social Democrata - Madeira" e desliza por 10 artigos subdivididos por vários parágrafos cada um deles. O primeiro aviso chama as atenções para o "presente regulamento" que "visa estabelecer as condições gerais de utilização e cedência das sedes" do PPD-M, que o documento passa a tratar por "espaços". Para logo fazer constar que as iniciativas dos candidatos serão chumbadas se forem "incompatíveis com a utilização de um bem político-partidário".
Não percebemos cabalmente o que significa um "bem político-partidário", mas isso não interessa. O facto é que, parecendo que até aqui está tudo razoável, não é bem assim. Repare o Leitor: vamos que dá na veneta de Jaime achar que a vozearia lá dentro da sede, durante a conferência de propaganda, perturba determinado "bem político-partidário". Pois o paleio acaba logo ali, sem apelo nem agravo. Fora!
O Leitor julga que estamos a tirar conclusões exageradas? Continue connosco. Leia o que o secretário-geral escreve logo a seguir no ponto 3 do artigo 1.º e não se esqueça de reparar em quem manda: "A cedência dos espaços está condicionada pelos objectivos determinados pelo Secretariado na observância e aplicação das regras exigidas à boa conservação dos equipamentos e espaços, à imagem pública do partido social-democrata e do respeito pelas normas públicas do civismo."
Vê? E se o encarregado da sede ou o próprio secretário-geral, se um deles estiver com dores de cabeça e achar os aplausos ruidosos a ponto de desrespeitarem as "normas públicas do civismo" e a "imagem pública do partido"? - imagem do PPD-M que, diga-se de passagem, o próprio Jaime e Meio Chefe tanto têm dignificado nestes 38 anos.
Respeitinho! Saibam os candidatos - se acaso ainda não receberam este Regulamento - que a utilização de uma sede "carece de prévia autorização do secretário-geral". Isto não é anarquia nenhuma e é preciso dirigir-se ao velho Jaime - "por escrito" - em papel entregue no 66 da Rua dos Netos. Na hora de expediente, não vale ir lá pela noite dentro passar o envelope debaixo da porta. E atenção, essa diligência tem de ser executada 8 dias antes da data prevista para o "evento". Um pormenor: 8 dias úteis.
O Leitor pode pensar que estamos a reinar com a delirante situação que se vive no maluco laranjal. Mas não, temos o documento aqui nas mãos.
Sem assinatura de Jaime, nada feito
Mais uma para os Delfins: na súplica a dirigir a Jaime, toca a inscrever a sua identificação (do candidato), a identificação do responsável pela acção (o coordenador da campanha, presumimos), a "indicação do fim a que se destina a utilização" e a indicação do dia e hora para fazer a conferência ou lá o que for.
Não vale a pena saltar por cima destas obrigações: se no dia do "evento" chegarem à sede sem a autorização com assinatura do Jaime, voltam para trás que é um regalo, e então é seguir o conselho do sua excelência: reunir os militantes na tasca da esquina, com uns copos e uns amendoins.
Tudo isto fica ainda condicionado à cabeça da Comissão Política Regional do Partido, chefiada por Jardim. A qual, como lembra o Regulamento esgalhado por Jaime Ramos, tem direito de prioridade na utilização das sedes. Imagine que em todas as horas a que Miguel Albuquerque pede a sede do Estreito ou de Gaula, por azar o chefe Jardim tinha pensado em dar lá uma saltada para jogar uma milhada com a comissão política local. Lá vai Albuquerque para as Vides comer uma espetada ou conversar com militantes num barzinho na Cerca, Achada de Gaula. Sérgio Marques e Miguel de Sousa que não se riam, porque pode haver coincidência também nos seus 'timings' e os do seu indiscutível chefão.
Poderíamos ficar por aqui, mas não vamos omitir o melhor do latim de Jaime. A começar pelo artigo 4.º sobre "Impedimentos".
Ali fica esclarecido: as sedes não serão cedidas para iniciativas que ponham em perigo a segurança do "espaço", dos seus equipamentos e do público.
O candidato está impedido de partir pedra nas sedes
A ver se percebemos: se um candidato pretender apresentar ideias sobre a recuperação do sector da construção, não pode chegar à sede de malho e desatar a derrubar paredes e tectos, porque faz perigar a "segurança do espaço" e até do público, porque pode atingir para lá algum simpatizante com uma lasca de bloco.
E mais esta! Mais esta, senhores Delfins! Leiam a alínea b) do Artigo 4.º:
As sedes não serão cedidas para "iniciativas que apelem ao desrespeito dos valores constitucionais, do estatuto político-administrativo da Madeira e dos estatutos do PSD, nomeadamente no âmbito dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos."
É verdade que não se podia esperar outra coisa do respeitador de constituições chamado Jaime Ramos, que nisso compete com chefe Jardim. Mas há um senão: quem vai dizer se o Delfim candidato está ou não a apelar a um desrespeito dos enunciados acima? Jaime é que o vai dizer, claro. De modo que é conveniente o candidato não entrar lá dentro com uma pastinha da Blandy ou acompanhado por algum militante da Madeira Velha - porque essas práticas na cabeça do Jaime Ramos podem configurar um desrespeito a qualquer vaca sagrada.
Se algum militante der uma palmada, paga o candidato
Capítulo das "obrigações dos utilizadores". As candidaturas, manda Jaime, não podem ultrapassar a lotação que estiver determinada da sede... em lugares sentados. Se Jaime mandar meter lá 7 cadeiras, assistem 7 militantes e o resto segue o debate por sms, no meio da rua. É uma caricatura para se perceber na mão de quem está a coisa toda.
É que, explica o documento, não se deve pôr "em risco a segurança de pessoas e bens". E sabe-se o que pode acontecer se houver cadeiras a mais ou umas pessoas de pé, que podem escorregar e estender-se ao comprido lá para dentro. É melhor prevenir, porque o diabo tece-as.
Muito cuidado também no caso dos militantes com acesso à sessão. Se os ladrões que estiverem entre eles furtarem algum material da sede, quem paga é a candidatura. Assim como é a candidatura que paga qualquer gasto adicional.
Copofonia é na rua!
A malta laranja da copofonia também não pense que terá nas reuniões de propaganda interna uma desculpa em casa para tomar uma bebedeira extra. Se quiserem enfrascar-se, é antes ou depois da sessão. Porque Jaime explica muito claramente esse ponto: é proibido levar bebidas ou alimentos para o interior dos "espaços". Nada de andar para dentro e para fora, do bar para a sala da conferência, da sala da conferência para o bar, com bandejas de imperial ou vinho, tremoços e pires com dentinhos de coração e bofe. Essas coisas, pela sua configuração, como escreve Jaime, podem "danificar o equipamento ou as instalações ou ainda pôr em causa a segurança de pessoas e bens".
Achamos que aqui Jaime esteve bem. A malta, mesmo séria, sem beber, quando teima na questão das candidaturas é de comerem-se vivos uns aos outros, então com uns copos! Vejam os comentários nos blogues. Lembrem-se do pé-de-vento lá em cima na Herdade, o Cândido com o Elmano, pessoas até pacíficas e cordatas.
Mas, para ninguém dizer que não sabia, está lá na alínea b) do Artigo 6.º: é proibido "comer, beber, fumar no interior dos espaços".
Camaleões e ratazanas não entram
Os cuidados de selecção vão ao ponto de a alínea c) do mesmo artigo proibir... Proibir o quê? Nem mais: "A entrada de animais."
Não temos carta branca para fazer interpretações no ar, mas calculamos que Jaime não esteja a chamar cachorros aos militantes. Ele deve estar a dirigir-se mais às cobras, camaleões, macacos de imitação, ratazanas e bichos similares que enxameiam a troupe de militantes do PPD-Madeira. É ele a dizer.
Há outras castas com entrada proibida: os imbecis, traidores e maçónicos que dão pela designação de "não militantes" e a comunicação social.
A candidatura quer colocar adereços para animar a conferência? Pois não pense em "perfurar, pregar, colar" ou talvez encostar-se às paredes sem autorização prévia de Jaime. Autorização por escrito.
E depois qualquer comportamento que afecte o normal decurso do evento, prejudicando instalações e pessoas, rua! Basta Jaime estar nas redondezas e entender que um olhar mais atravessado do orador pode provocar m... e a coisa fica por ali. Todos para o bar da esquina.
Tudo devidamente controlado por 'bufos'
Só para terminar esta peça disciplinar que em nosso entender deve seri nscritas nos já riquíssimos anais do Laranjal madeirense, diga-se que o presidente da comissão política de cada freguesia mais outros elementos responsáveis locais presenciarão toda a montagem e instalação de materiais para o evento, "supervisionando, orientando e fiscalizando" a operação toda, "desde que não perturbem o normal desenvolvimento das actividades em curso". Nem precisam de perturbar. Só têm de, aqui e ali, fazer uma ligação para Jaime e Jardim, dando conta do que se faz e diz na candidatura em questão.
Já se falou das bebedeiras que Jaime não permitirá lá dentro. Mas o secretário-geral volta à carga em cima dos militantes. É que há uns que, mesmo sem beber, são umas boas rolhas. Uns zaragateiros. O artigo 7.º é dedicado quase todo a esses cavalheiros.
Nada de baralho ou esquemas esquisitos lá dentro
Em resumo, o ponto 3 desse artigo avisa que se forem para lá "desrespeitar a tranquilidade pública", é expulsão imediata e mais nada. Isso ou usar a sede para "práticas ilícitas e desonestas". Não vale a pena levarem o baralho para fazer uns dinheiros extras à pala dos patinhos que forem ouvir o candidato. Nem pensem em esquemas furtivos lá para dentro numa arrecadação qualquer, porque, se são apanhados, olho da rua e escândalo divulgado no face.
Porra, Jaime pensou em tudo!
Terminamos em beleza: publicitar as sessões de campanha, com recurso a cartazes e afins dentro da sede, só com autorização do patrão do partido, Jaime Ramos.
E esta, enfim: os casos omissos ficam todos ao critério... de quem, se não do inevitável Jaime? Em caso de dúvida, Jaime proíbe a campanha e chapéu.
Os militantes, cambada de bêbedos, batoteiros, ladrões, zaragateiros e traidores - a acusação é feita no Regulamento de Jaime - alimentaram este mundo louco no decurso das últimas décadas. Agora aguentem-se.