quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Alta Política



Inventada a fórmula 
para o segundo 
'Meio Hospital'


Não se trata de ensinar o 'pai nosso' ao vigário. Acho é que o nosso desgoverno regional devia tentar aproveitar o lado bom das maldades que lhe fazem, nomeadamente os inquilinos do albergue espanhol mais conhecido por Geringonça. Como agora no caso do OE-17, que leva para instituições do Estado impostos cobrados na Madeira. 

Vimos ontem a indignação de Miguel Albuquerque a falar da sobretaxa de IRS e das taxas sobre bebidas açucaradas, assuntos que o tiraram do sério a ponto de quase praguejar sobre "tendências centralistas", "Estado vergonhoso" com procedimentos "atentatórios da dignidade da Madeira" e, como não podia deixar de ser, sobre a incrível solução cubana do 'Meio Hospital".
É função do presidente do Blue Establishment pugnar por tudo quanto diga respeito à Região. Mas há que respeitar prioridades. Andam a dispersar as atenções do chefe da neo-Tabanca com temas requentados. Obra de comunas e súcias feitos com Lisboa, se não da Maçonaria e da Trilateral, como não tarda o homem a denunciar, se não o agarram.   
Maquiavelismo político dos inimigos da Madeira, aqui concordamos. Numa altura festiva em que o governo se concentra na divulgação do roteiro das missas do parto, lá vêm os comissários do estrangeiro ocupar a agenda com temas anacrónicos. Ora, um desgovernante ou deita sentido à escolha da vespa de combate à praga do castanheiro e ao patrocínio das músicas que vão "embalar o mês da festa", seguindo a onda de um matutino local, ou despende as ricas energias mandando farpas ao Costa, ao Jerónimo e à Catarina.
À beira de entrarmos no 12.º mês de festas de 2016 - o da Festa propriamente dita -, não consintamos que nos estraguem o trabalho de 11 meses de foguetório e espetada. Tudo isso consome dinheiro e massa cinzenta. 
Não é por acaso que, como avançava ontem um outro matutino, reforçado à noite pelo TJ, a ocupação hoteleira nesta altura já vai nos 90%, com tendência para 'casa cheia', se não for mais. Não é por acidente, também, que a Região é menina a bater recordes em números de operações de turismo e hotelaria, aumentando aquilo que já não pode ser aumentado - ficando a Álgebra a falar sozinha.
Que Lisboa se deixe de consumir o crânio do presidente das Angústias com violações da Constituição. E que o crânio das Angústias não se deixe levar na conversa. Não vê como é que o Cafôfo faz? O Mayor vai recebendo distinções no estrangeiro pela traça pós-moderna dos estaleiros nas ribeiras e pelo esvoaçar gracioso dos pombos na Praça do Município; discursa sobre temas 'lá para cima' em simpósios enigmáticos por essas terras além; exercendo intensamente, vai operando municipalidade sem se desviar um milímetro do seu programa eleitoral.
Deixem Albuquerque trabalhar, como dizia o Cara-de-Pau. Debater as cores das iluminações com a cabeça no lugar. Em nome da diplomacia regional, tomar chá com os embaixadores de visita e os oficiais superiores da tropa. Escrever as suas 'conversas em família' para suplementos e opinião. Divulgar milhões de incentivos da Europa, mesmo que nunca cheguem cá. Afagar a insaciável 'Sissi'. Entregar-se à sempre útil catarse com chapéu à Indiana Jones. E, voltando aos temas práticos, orientar superiormente os secretários na distribuição dos tais 6 milhões para arraiais de animação turística.   
Tirar proveito das safadezas continentais é constatar que Lisboa, pagando apenas Meio Hospital, sem querer nos permite reparar que está encontrada a fórmula para conseguir ao menos Meio Hospital: umas intervenções na ALM e em São Bento a falar de discriminação, dois meses de reuniões (de manhã e à tarde) de Carlos Pereira com os secretários de Estado que apanhar à esquina, umas achegas de Mariana Mortágua sopradas por Roberto Almada, uma mariscada valente com António Costa na Doca do Cavacas e cá cantará o outro Meio Hospital. Se resultou uma vez... 
Pode-se até ir pensando em aplicar a mesma estratégia ao ferry e ao avião cargueiro. Embora com muito cuidado na escolha da primeira metade de cada um deles a vir.

2 comentários:

Jorge Figueira disse...

É urgente levarem o "jogo para nulos". Já não se aguenta tanto falso mito.
Acabem com o bluf.
Vivemos numa terra de de "pau e pedra", não brinquem mais ao "rico". Quem garantia: "deixem o dinheiro comigo", eclipsou-se.

Anónimo disse...

Gostei dos insuportáveis falsos mitos!