terça-feira, 16 de maio de 2017

Afinal, a Europa percebe de música


Depois de, salvo raras excepções, meio século a dar barraca na Eurovisão, com fragmentos de nacional-cançonetismo para agradar a júris que também ouvem música com os pés, apareceu alguém em Portugal a pôr as coisas em pratos limpos. O júri não teve remédio senão respeitar a qualidade, porque de contrário seria desmentido por milhões de europeus que, afinal, sabem o que é música de bom gosto. Com a devida vénia ao 'El Español', reproduzimos este texto ironicamente incisivo e verdadeiro. 





Eurovisão? "Desde o início que o plano de Portugal era jogar sujo"


Jornal El Español recorreu à ironia para engrandecer a participação de Portugal na Eurovisão. E para fazer uma auto-crítica.

“Desde o início que o plano de Portugal era jogar sujo. Quebrar as regras. Ao contrário do resto dos países participantes como a Croácia, Noruega, Azerbaijão, Israel ou Austrália, os lusos não se apresentaram este ano no Festival Eurovisão com uma versão reles e ultrapassada de karaoke, como manda a tradição, mas sim com uma canção a sério”.

É desta forma – irónica - que Manuel de Lorenzo, cronista do 'El Español'  descreve a vitória de Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção, este sábado.
O jornal espanhol escreve que ‘Amar pelos Dois’ era “uma canção bem escrita, de harmonias sedosas, melodia delicada e versos inspirados”.
“E isso não vale”, continuou. Porque se é para participar, há que assumir “as consequências”. “Levar a coisa a sério e ganhar é uma sacanice”, escreve.
O diário lamenta que o que restou ao resto dos países foi a derrota. “Tínhamos agendado uma noite de sábado para passar um bom bocado e tinha que aparecer o vizinho sensato”, brincou.
Por outro lado, continua a crónica, no mesmo tom, “acabar em último”, como foi o caso de Espanha, “significa entrar na história”. “E fazê-lo com zero ponto é alcançar a glória”.

1 comentário:

Anónimo disse...

Muito bem.
E muitos parabéns para o Salvador e para Portugal.