terça-feira, 18 de abril de 2017

Não chega 'enchouriçar vitrinismo'



Tempos idos são os do Funchal mercantilista, porto de embalo a outros mundos que muito contribuiu à fazenda real, dos tributos pagos na urbe na grande Alfândega que é hoje a casa da democracia dos madeirenses.
Já tem anos que o comércio tradicional definha a olhos vistos. A modernidade das grandes catedrais do consumo, é certo, pelo poder das escalas maiores com que globalização dissemina, num unanimismo plástico, pouco criativo e comum a tanto cosmopolitismo de lugar comum, dita e explica esse falecimento. Mas não explica tudo.
Uma cidade que há quase uma década, celebrou meio milénio de história, já conheceu muito ciclo. E já devia estar maturada nos seus desígnios. Num tempo onde também ganha moda,o carácter tradicional, dos bairros históricos, dos "hostels" que entre males, têm também o condão de incentivar a reabilitação e regeneração urbana do edificado antigo, dos pequenos negócios diferenciadores e autênticos, o Funchal anda a contra-ciclo, num centro despovoado. Mais sujo e desleixado, a cidade permite-se deixar morrer o pequeno comércio. Desvirtua-se o Mercado dos Lavradores, transformando-o numa "parolice gourmet" ao arrepio do seu carácter genuíno e popular que se enchia de gente da terra. Pelo contrário, afugentou-se o seu público tradicional para as grandes superfícies.
É assim que se acalenta o comércio tradicional?
Esta Câmara e o seu Departamento de Economia e Cultura que gere a estratégia municipal nestas áreas, de mãos dadas com a ACIF dos Senhores Sousas & Cia. aposta no vitrinismo, como se isso estancasse a profusa sangria do comércio tradicional. A reboque dos incêndios do ano passado (a desgraça promove de facto muitos reboques), pretende esta Câmara ressuscitar a antiga Confeitaria Felisberta, no meio de não sei quantas confeitarias que o Funchal oferece. No entanto, a 100 metros da Câmara tem a última chapelaria do Funchal já com a extrema unção outorgada. O carácter diferenciador do comércio numa cidade como o Funchal, não se resume apenas ao vitrinismo. Tem de ser no apoio concreto àquilo que é diferente, genuíno, "nosso", com fidelidade à história e à matriz cultural. Mais do que enchouriçar vitrinismo para cobrir despesas alheias, deviam os responsáveis camarários conhecer com profundidade os problemas dos comerciantes. Talvez por essa razão, foi a Câmara obrigada a recuar no encerramento ao trânsito na Fernão de Ornelas e que também facilmente sucumbe, ao caos permitido das esplanadas que ocupam o espaço dos transeuntes apeados.
Não se exige ao re-candidato de Lisboa e da sua faustosa Côrte de Versailles, o "Toque do Rei Midas" que transforma em ouro aquilo que toca. Apenas alguma competência. Ao menos metade dessa competência com que se publicita a peso de ouro.

K-Komercial 

11 comentários:

Anónimo disse...

A pastelaria Confiança fará uma joint venture com a Felisberta. Os cafofianos com o seu mestre pasteleiro Cafofo, mais o ajudante Glesias para tender a massa e polvilar a farinha e o açúcar refinado, farão as delícias do mundo da pastelaria.
Apresentarão os produtos nas vitrinas da Rua das Pretas.
Ora esta é uma iniciativa para contrariar aquele pessimismo comercial do Calisto e do Rui Marote.

Anónimo disse...

O Cafofo vai abrir mais galerias no Savoy. Os comerciantes do centro estão contentes. Força Cafofo, que ainda não rebentaste com tudo!

Anónimo disse...

Já viram o Mercado?! Estes artolas destruíram com o Mercado. E o inteligente do Glésias queria transformar o nosso Mercado numa coisa tipo Campo de Ourique. PALHAÇOS!

José Francisco disse...

Quem vos lê, ainda pensa que o Mercado Municipal antes de 2013, era um espaço moderno, inovador e cheio de pessoas. Há ali um problema, que cresceu com o aparecimento dos shoppings e sobretudo dos supermercados, que agora vendem de tudo e com preços mais acessíveis, fruto das campanhas promocionais. O mesmo se pode colocar ao comércio tradicional.

Estou curioso para saber que medidas o PSD, da Leal, vai propor para revitalizar o comércio tradicional da baixa do Funchal. Apontar que é necessário o fazer, é muito pouco, o povo exigirá conhecer as medidas, as ideias, as propostas. Penso eu.

Anónimo disse...

Compras no Funchal? Há anos que uso a Internet e antes disso o telefone ou as idas a Lisboa! Mais rápido e mais barato que encomendar nesta Ilha... Aqui só atendem bem e por favor os "amigos" ou os caloteiros!

Anónimo disse...

A mentira do executivo da câmara é de tal forma, que anunciou ser finalista do concurso europeu Ciidades Verdes.
Nem sequer candidata foi. Basta consultar a informação dos serviços da comissão europeia, como o JM fez.
Já vejo amanhã a notícia do DN para desmentir uma evidência.
Cafofo exigirá novamente a demissão do diretor do JM ?

Anónimo disse...

Então o sr. Anónimo está a me dizer que aquela história da Cidade Verde que o Cafofo tanto apregoou afinal foi um barrete? Que a candidatura dele nem foi aceite. O Cafofo é só mentiras.

Anónimo disse...

Um barrete e de orelhas grandes. A candidatura nem foi admitida. Foi chumbada.
E Cafofo mentiu descaradamente.
Agora vou ver como é que vão desmentir.

Anónimo disse...

E o desmentido dos cafofianos, não vem ?
Está dificil !!!

Anónimo disse...

Cafofo com chouriço no enguiço

Anónimo disse...

Todas aquelas Ruas desde o Banco de Portugal até o Mercado dos Lavradores com exceção das transversais da Rua 5 Outubro e da Rua 31 Janeiro deveriam ser encerradas ao transito e transformar tudo aquilo num Centro Comercial ao Ar Livre.
Pergunto, A grande maioria dos automobilistas que circulam nestas artérias não é por necessidade absoluta e teriam outras alternativas.
Eu também gosto de passar por lá com o carro, mas é para ver as Marias que por lá passam.
Até para proteger a Igreja da Sé, não deveria haver transito por perto.