segunda-feira, 24 de abril de 2017


VOLUNTÁRIOS DA ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO PARQUE ECOLÓGICO DO FUNCHAL DESOBSTRUIRAM UMA LEVADA CENTENÁRIA
 No fim do século XIX a família Blandy mandou construir uma levada para abastecer a Quinta do Palheiro Ferreiro, que tinha comprado em 1885.
Essa levada, que ainda hoje é conhecida por LEVADA DO BLANDY começa a captar águas em nascentes localizadas quase no topo do Pico do Areeiro.
A água corre num estreito canal incrustado na escarpa basáltica, entre o posto meteorológico do Areeiro e a estrada que liga o Poiso ao terceiro pico mais alto da Madeira (1818 m), atravessando de seguida a Achada Grande antes de chegar ao portão norte do Chão da Lagoa. A partir daí corre paralelamente à estrada regional até iniciar a descida em direção ao Poço das Bicas, onde se junta à água que verte duma outra nascente.
No Poço das Bicas começa o segundo troço da levada que atravessa a estrada abaixo do Poiso e continua a descida até encontrar a Levada dos Tornos, com passagem pelo sítio das Carreiras.

A partir da década de setenta do século passado a levada deixou de levar água até a Quinta do Palheiro. Desde então passou a funcionar como afluente da grande Levada dos Tornos, sendo a partir desta que os reservatórios da Quinta do Palheiro Ferreiro são abastecidos. 
Portanto, hoje a Levada do Blandy é uma levada pública, gerida pela empresa regional Águas e Resíduos da Madeira.
Vamos então ao que interessa. Há algum tempo a água deixou de correr a partir do portão norte do Chão da Lagoa. 
No último sábado os voluntários da Associação dos Amigos do Parque Ecológico encontraram mais uma vez a levada seca e, assim sendo, não podiam encher os baldes para regar as pequeninas plantas endémicas, que sem rega acabam por morrer no Verão longo, quente e seco.
Porque não somos de baixar os braços fomos à procura da origem do problema. E não foi difícil desvendar o mistério. Ao longo de cerca de 200 metros a levada estava obstruída com pedras e terra, não sendo visível o canal devido à erva e aos arbustos, que, entretanto, foram crescendo.
Os amigos José António Gouveia e Leonardo Freitas iniciaram rapidamente o trabalho de desobstrução e arranque das plantas que impediam a circulação da água. 
Por volta do meio dia a água, que estivera a cair para um ribeiro durante semanas, voltou a correr na velhinha levada e começou a rega das plantas endémicas, que serão fundamentais para o aumento da infiltração, o abastecimento das nascentes e a redução das aluviões.
À Secretária Regional do Ambiente e Recursos Naturais, que tanto tem falado de perdas de água, sugerimos que mande tapar com um pouco de cimento os buracos da levada.



Raimundo Quintal
24.04.17

1 comentário:

Anónimo disse...

Bem hajam Srs Gouveia e Freitas.
Muito obrigada Doutor Raimundo Quintal pelas suas acções concretas e pela sua sensibilização permanente.
Gostei muito do conhecimento que transmitiu sobre a Levada do Blandy.