segunda-feira, 24 de abril de 2017

Reflexão




Eduardo Mãos de Robô


Vitorino Seixas


No passado mês de março, Eduardo Jesus desdobrou-se em ações da RobôBrava, uma iniciativa que “é um marco que o Governo Regional quis deixar na Ribeira Brava, mas que será itinerante nos outros concelhos da Região, voltando sempre àquela vila para afirmar a vocação tecnológica que se pretende para o município” ¹.



Segundo o Secretário Regional da Economia, Turismo e Cultura o “Parque Infantil de Tecnologia & Robótica” resulta de um protocolo com a JumpUp Learning, empresa que representa a LEGO Education Academy em Portugal, e visa “difundir a familiaridade com a tecnologia, incentivar a aprendizagem criativa e exercitar a relação entre idealização e concretização, nas faixas etárias infantojuvenis” ¹.

Ao ler esta notícia fiquei perplexo. A Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, que tem por missão definir, coordenar, executar e avaliar a política regional nos setores da economia e empresas, turismo, cultura, comércio, indústria e serviços, dedica-se a promover iniciativas educativas para o público infantojuvenil, quando existe uma Secretaria Regional de Educação?  Mais, as notícias nem referem o envolvimento desta secretaria na iniciativa.

Basta consultar o diploma que estabelece as competências do Secretário Regional de Economia, Turismo e Cultura (SRETC), para verificar que o âmbito da sua ação não inclui atividades de aprendizagem para o público infantojuvenil e que iniciativas como a RobôBrava se enquadram nas competências do Secretário Regional da Educação (SRE). No entanto, esta intromissão nas competências do SRE não é caso virgem, pois vem na sequência do projeto “RS4E Roadshow for Entrepreneurship”, um projeto de empreendedorismo da SRETC/Startup Madeira, o qual tem lugar em diversos estabelecimentos do ensino básico, secundário, profissional e superior com o objetivo de “permitir que estudantes, dos 6 aos 25 anos, tenham um primeiro contacto com o fascinante mundo do empreendedorismo” ².

Perante tanta criatividade robótica lembrei-me de Eduardo Mãos de Tesoura, um filme que é um conto de fadas moderno, só que, na versão regional, Eduardo Jesus prefere os robôs às tesouras. Falta saber se o final da RobôBrava também será trágico. Tudo indica que sim, por três razões. A primeira, porque fica claro que o projeto emblemático do Brava Valley é, imagine-se, um “Parque Infantil de Tecnologia & Robótica”. Mas, o mais grave, é que a RobôBrava revela a visão infantojuvenil do secretário da economia para o desenvolvimento económico da Região. A segunda, porque a RobôBrava nasce na SRETC o que, por si só, evidencia que não se trata de uma iniciativa integrada na política educativa da SRE. Por outras palavras, a RobôBrava está condenada a viver “ligada à máquina” da Startup Madeira/SRETC até que seja declarada a sua morte quando mudar o secretário.  A terceira, porque a Região precisa de um secretário da economia que se dedique, a tempo inteiro, a promover o desenvolvimento da economia, do turismo, da cultura, do comércio, da indústria e dos serviços, em vez de perder tempo a percorrer a ilha para brincar com robôs e para aparecer em notícias como “Eduardo Jesus diz que RobôBrava é uma aposta ganha” ³.

Aposta ganha para quem? Quantas empresas de tecnologia e robótica foram criadas? Quantos empregos criaram essas empresas na área da robótica? Qual foi o seu contributo para o crescimento do PIB regional? Será que a RobôBrava é mais um projeto como o Programa de Inteligência Conectiva, “apresentado como de importância estratégica para o desenvolvimento regional e que rapidamente defraudou expectativas e fracassou” ⁴.

PS: Não há duas sem três. Eduardo Jesus anunciou o lançamento do projeto Descubra a Madeira – Turismo na Escola, um programa pedagógico infantojuvenil para “sensibilizar e educar os mais novos para o Turismo” ⁵.

¹ “Playground no Brava Valley conta com Lego

² “RS4E Roadshow for Entrepreneurship

³ “Eduardo Jesus diz que ‘RobôBrava’ é uma aposta ganha


7 comentários:

Anónimo disse...

E sobre a CMF, Dr. Vitorino? Nada?

Anónimo disse...

Sre e um flop so igual a saúde deste Desgoverno. Mais se saberia nao fosse a propaganda. Vejam.se os caderninhos nos jornais.

Anónimo disse...

Falta juntar na analise a intervenção da secret da inclusão que também usurpa areas da Sre.

Anónimo disse...

Estão a falar do Secretário Regional do Festival da Luz, não?
E para quando uma Central de Camionagem no Funchal? Não, ele quer é um Museu do seu hobby, o dos Coches ou Coxos
Este é um dos elos mais fracos destes desgoverno, portanto....

Anónimo disse...

Eu tenho as maiores reservas a estas iniciativas nascidas a partir do estado e dos governos.
Não conheço nenhuma com sucesso.
Pelo que vejo pelo mundo fora, iniciativas como estas nascem das universidades e/ou das empresas. Normalmente da conjugação entre ambas.

Anónimo disse...

Agora que se aproxima final ano vai haver muita festinha de medalhas, encerramento do ano, etc tudo grandes iniciativas educativas e com muita qualidade.

Anónimo disse...

Fiz uma reflexão idêntica quando este evento deu inicio na Ribeira Brava. Mas porque a SRE não está envolvida nisto??

Mais tarde, e depois de ouvir uma noticia na rádio, fiquei a pensar se esta parceria estará relacionada com a aquisição do Jornal da Madeira pela mesma entidade que gere o Brava Valey..

Poderíamos então supor que, alegadamente..
Governo financia Brava Valey para "um projeto qualquer"..
Brava Valey "já tem dinheiro" para adquirir Jornal da Madeira...