quinta-feira, 27 de abril de 2017

Opinião



As lagartixas saíram para a rua

Passados quase 26 anos, o Governo Regional, finalmente anunciou que vai revogar a licença da OPM e avançar para um concurso internacional para a operação portuária. Não sei se isso irá mudar alguma coisa, no entanto, não deixa de ser um avanço em termos políticos para RAM.
Após tantos anos de denúncias, pressão política e social o Governo Regional decide pôr cobro ao atual modelo de exploração portuária que chegou a ser acusado pelo próprio Tribunal de Contas de “lesar o interesse público”, uma vez que vigorava em regime de licenciamento provisório desde 1991, sem que o operador estivesse obrigado a pagar qualquer contrapartida pela exploração das infraestruturas portuárias construídas com dinheiros públicos, onde inclusive cobrava das taxas mais altas do país.


Eu na minha atividade política e na condição de diretor dos extintos jornais Garajau e Quebra Costas, fui dos pioneiros a alertar a opinião pública para a situação indecorosa que se vivia nos portos da Madeira, para a situação de privilégio em que esta empresa operava e quão isso era lesivo para o interesse público,  uma vez, que a autoridade portuária (APRAM) não obtendo qualquer receita,  era obrigada a cobrar aos consumidores e às empresas, através das elevadas taxas portuárias, aquilo que não cobrava à empresa em questão, com evidentes reflexos no custo de todos os produtos que entram na RAM, já que praticamente tudo o que consumimos é importado.
Escusado será dizer que fui cercado de processos por difamação e condenado a pagar elevadas indemnizações, por ordem do tribunal, por denunciar aquilo que hoje todos falam abertamente e sem medos. O dono disto tudo, Luís Miguel de Sousa, ainda teve a audácia de ir distribuir prendas aos jovens do Marítimo e apregoar aos 7 ventos que o dinheiro era do Coelho.
Quando iniciamos um trabalho político de vanguarda, essas lutas naturalmente envolvem riscos, e são poucos os que estão dispostos a dar o corpo às balas, em prol do bem comum. Foi com grandes prejuízos pessoais que encetei esta luta, sem que tivesse o apoio ou a solidariedade dos partidos e deputados da oposição. Estavam escondidos nos buracos das paredes como as lagartixas.
A minha desgraça ainda foi motivo de escárnio e regozijo. Mas quando a luta começa a ter êxito e implantação na opinião pública. Os partidos que até tinham-se mantido oportunisticamente calados, começam a copiar todos os argumentos dos lutadores e colocam-se em bicos de pés nos lugares da frente. Como sendo os grandes protagonistas daquelas conquistas.
Hoje foi vê-los todos na Assembleia como os arautos daquela causa, mas após os outros terem desbravado o caminho e limpo o silvado. Isto só me fez lembrar a quantidade de partidos que surgiram após a queda do fascismo em Portugal, nas primeiras eleições para Assembleia Constituinte e Assembleia da República, onde concorreram mais de vinte partidos.
Durante a ditadura Salazarista, quando a luta era difícil e perigosa e os ativistas políticos eram presos e perseguidos, só o Partido Comunista e alguns corajosos democratas resistiam, mas assim que se deu o 25 de Abril os pseudorrevolucionários de todos os matises saíram todos da toca. Eram todos grandes lutadores, criaram-se partidos em catadupa sem terem qualquer tradição de luta e sem terem contribuído para o derrube do fascismo.

Funchal, 27 de Abril de 2017

José Manuel Coelho


13 comentários:

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Vamos ver se os preços vão baixar e os produtos ficarem mais baratos para os consumidores aqui na Madeira. Vamos ver se não vão continuar os vícios. Vamos ver se o tal concurso internacional não vai ser feito à medida de um certo concorrente madeirense. Vamos ver...

Anónimo disse...

É verdade senhor Coelho, mas o que se vai fazer...

Anónimo disse...

Aquela Assembleia ou mais o Trapiche, tanto, deputados, dirigentes e alguns trabalhadores-os lambe botas de serviço, inquisidores que tramam os colegas, um study case para os psiquiatras, para estas pessoas anda tudo bem...para fazer concertos e patrocinios, onde aparecem filhos de assessores, paga povo enganado...nada funciona bem naquela Casa, nem serviços, nem os deputados podem intervir livremente, democracia de fachada...

Anónimo disse...

Sempre quero ver o resultado desse concurso se não vai parar aos mesmos é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma...

Anónimo disse...

Vai ver que é mais um embuste da renovação faz o concurso porque há eleições p dizerem que cumpriram e depois fica tudo na mesma vamos estar aqui p ver

Anónimo disse...

Este será o maior logro que acontecerá nesta terra.
Far-se-à um concurso internacional, ao qual, e pela dimensão do negócio, concorrerão operadores nacionais. Estes, sócios do Grupo Sousa noutros negócios, apresentarão em conluio propostas superiores àquele grupo.
O Grupo Sousa vence o concurso, mas como passa a ter a obrigação de pagar uma renda pela concessão, adivinhem o que acontecerá aos preços. Já advinharam...?
E ainda pior, explico.
É que no regime de licenciamento poderia sempre aparecer outro operador, em qualquer altura, cumprindo as regras do respectivo licenciamento.
Num regime de concessão, a mesma fica EXCLUSIVAMENTE para o concessionário, pelo período da concessão, o que num caso destes nunca será inferior a 20, 25, 30 anos.
Perceberam ?
E andam uns imbecis a cantar vitória !
Povo enganado, fo...o e, enr....o.

Anónimo disse...

Vai ser como as casas do Porto santo concurso tudo lindinho e por coincidência vai parar aos Sousas limpinho limpinho

Anónimo disse...

Tal como escreve um leitor nas cartas do DN, foi confrangedora a argumentação dos parlamentares sobre o regime a vigorar no porto do Caniçal.
Não há um que escape. Nem um percebe um mínimo do assunto. Não têm conhecimentos, não estudam. Uma pobreza intelectual que até dá vontade de chorar.
Como pode haver de facto autonomia, quando os nossos deputados são aquilo ?
É necessária uma remodelação total da lei eleitoral para circulos uninominais. Cada circulo elegia o seu deputado.
Aí acabavam-se os comícios e as inaugurações eleitoralistas. Os deputados teriam que debater programas e ideias, e assim as pessoas escolheriam aquele que melhor as representasse. Tal como no Reino Unido.
Seria a maneira de correr com aquela corja de imbecis ignorantes, e eleger pessoas decentes e competentes.
Ver na televisão debates do nosso parlamento é um espectáculo degradante. Dá vontade de vomitar.

Anónimo disse...

Este zé povinho é a coisa pior que existe, estão-se a marimbar para o facto de pagarem os bens de primeira necessidade 30% mais caros. Merecem mesmo passar fome. Quando é alguma polémica que envolva futebol, sai tudo à rua e partem tudo. Quando é para defender os seus direitos, calam-se.

José Manuel Coelho pagou e continua a pagar com pesados prejuízos pessoais por lutar pela sua terra. Mas oiça uma coisa, este povo não merece. Nem tão pouco lhe vão agradecer. Eu fico revoltado eu estou imigrado tive de sair da minha terra, para poder sustentar a minha familia. E a sorte desses gandulos do governo é que as pessoas que ficaram sem emprego sem nada, imigraram todas senão já tinha havido uma revolução na Madeira. Agora só esta na Madeira aqueles que estão bem e os acomodados às esmolas desse regime pobre e caduco.

Anónimo disse...

Pois o Coelho tem pago uma fortuna ao grupo Sousa, e ninguém faz nem diz nada??! quem foi esse juiz que o condenou?

Anónimo disse...

O mundo é dos espertos, há sempre quem esteja à espera de colher o que os outros plantaram. Vergonha de oposição. meu voto é sempre em si, digam o que disserem. Força Coelho

Anónimo disse...

O mundo não é dos espertos. É de quem tem dinheiro.