segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017


É TEMPO DE REFLECTIR E DECIDIR SOBRE 
O QUE É VERDADEIRAMENTE IMPORTANTE



Em 1994, pouco tempo após ter assumido as funções de Vereador do Ambiente e Educação na Câmara do Funchal, defendi a criação duma taxa ecoturística à escala regional.
Tentei até à exaustão convencer o Governo Regional e os diferentes agentes ligados ao turismo (nos arquivos da RTP-Madeira ainda deve existir a gravação dum debate sobre este tema) da importância do dinheiro proveniente dessa taxa nas tarefas inerentes à conservação da natureza, à gestão dos resíduos e à manutenção dos trilhos (levadas e veredas).
Vencido mas não convencido, continuei a acreditar na bondade da minha proposta, que agora renderia 7 a 8 milhões de euros / ano, fundamentais para fazer face às urgentes tarefas de melhoria da qualidade do ambiente, do mar à serra, para benefício dos madeirenses e dos turistas.
Vinte e três anos após a primeira polémica, o Governo Regional, sem coragem de enfrentar a artilharia pesada da hotelaria, foi incapaz de lançar uma taxa ecoturística e criou uma incongruente tabela de taxas (Portaria nº 30 / 2017 – 08 de Fevereiro – Secretarias Regionais das Finanças e da Administração Pública e do Ambiente e dos Recursos Naturais).
Vencido pela ruidosa revolta da infantaria (pequenas empresas e associações ligadas à organização de eventos lúdico-desportivos na Natureza), o Governo Regional suspendeu a portaria ainda antes de entrar em vigor.
E agora?
Bem, agora o Governo está mais enfraquecido e há o sério risco de ceder a pequenas e grandes pressões de associações e grupos mais interessados nos dividendos dos seus negócios imediatos do que no desenvolvimento sustentável da Região a longo prazo.
Senhores e senhoras do Governo Regional, senhores da Associação de Municípios, senhoras e senhores da Associação de Comércio e Indústria, o interesse global é bem mais complexo, que o somatório de interesses corporativos.
Não podem por muito mais tempo vender actividades marítimas em águas costeiras lamacentas.
Não é negócio com futuro vender percursos a pé em levadas e veredas pejadas de lixo, envolvidas por paisagens degradadas.
No último Sábado, voltei a percorrer a Levada Nova, desde os Maroços até ao túnel do Caniçal. Este trilho, diariamente percorrido por muitos turistas, individuais ou integrados em grupos, é um excelente miradouro sobre o vale de Machico, mas oferece imagens que mais parecem de regiões subdesenvolvidas do que da ilha eleita como a melhor destino turístico do mundo.










Este não é um caso isolado. Se necessário, poderei mostrar muito mais imagens deprimentes de percursos turísticos.
Porque é mais fácil apanhar um mentiroso, que um coxo. Porque a propaganda é cara, mas não recupera a paisagem. É chegado o momento de reflectir e decidir sobre o que é verdadeiramente importante para a Madeira e, consequentemente, para a perenidade do turismo em contacto com a Natureza.
Funchal, 20 de Fevereiro de 2017
Raimundo  Quintal

9 comentários:

Anónimo disse...

Em muitas regiões e cidades por essa europa fora, existe taxa turistica. Qualquer um paga e nem sente. É um valor praticamente simbólico que qualquer pessoa civilizada e de boa fé compreende.
Há museus, jardins e outras infra-estruturas e equipamentos que precisam de manutenção.
Aqui na Madeira quando se tenta fazer alguma coisa é uma questão de lesa pátria.
Habituaram o "povo superior" às borlas que devem pensar que o dinheiro cai do céu.
Corja de ignorantes.

Anónimo disse...

"Habituaram o 'povo superior' às borlas que devem pensar que o dinheiro cai do céu."

Meu caro nesta terra foi o partido do PSD que cunhou a expressão "povo superior" para ver se enganava tontos. E se nesta terra o dinheiro cai do céu é para o PSD e para toda a máquina do poder que controla tudo na região há tantos anos. Que emagreçam a máquina, acabem com os monopólios, acabem com os favorecimentos, acabem com as cunhas... que o "povo superior" não é todo tonto para continuar a alimentar todos os pançudos do governo mais a máfia que orbita em redor do poder.

Anónimo disse...

A ignorância da viloada é confrangedora, mas a pior é a governamental. Em toda a Europa existe ecotaxa, aqui na Madeira os berdamer...as continuam sem dinheiro para limpar o lixo e as cangalhadas.

Anónimo disse...

A Pedra nem pode ouvir falar da ecotaxa, é por isso que tem aquele cabelo horrível.

Anónimo disse...

Excelente texto Dr. Raimundo, verdadeiramente as serras e costa estão cada vez mais degradadas, como é que pretendem continuar a vender este destino com as coisas neste estado? Temo que um dia sejamos acusados de publicidade enganosa.Continue lutando sempre, o futuro depende de ações concretas no presente.

Via Pública disse...

O "ruído político" apenas parará se começarem a aparecer medidas realmente valer as taxas cobradas pela actividade turística.

Uma delas passa pela recuperação da paisagem por toda a Região, no entanto, essas medidas têm de começar por um profundo protocolo entre a secretaria do ambiente e a secretaria da educação.

Muitas das mudanças na paisagem têm que ser feitas pelos Madeirenses, e compete ao estado de os alertar e sensibilizar para tal.

Anónimo disse...

Este governo é cada tiro, cada melro, ou seja, não acerta nenhuma.

Eu, o Santo disse...

Discordo consigo dr Raimundo Quintal. O GR tem suficientes meios operacionais disponiveis para limpar as levadas.
Pior, eu nem acredito que a maior parte do dinheiro dessa ecotaxa fosse utilizado para mante las...
Mais ainda o governo nomeia diretores,pelo menos 2x por semana (em novembro foram quase 50 se a memoria nao me trai), pelo que existem tambem recursos financeiros para mandar limpar as levadas, tal como um anonimo acima salientou.

Anónimo disse...

As ecotachas são vistas nos países civilizados como uma natural evolução para aplicação na defesa e manutenção do património.
Mas isso é em locais civilizados. Queriam que aqui fosse assim ?