quinta-feira, 6 de abril de 2017

Iniciativa parlamentar do PTP



VOTO DE PESAR
Pelo falecimento do capitão Virgílio Luz Varela

Virgílio Canísio Vieira da Luz Varela mais conhecido pelo capitão que liderou o falhado “Golpe das Caldas”, em 1974, faleceu aos 79 anos no dia 04 de Abril de 2017.
Madeirense, nascido a 27-04-1938, filho de um jurista da Ponta do Sol e de uma professora de Letras, Virgílio Luz Varela, ingressou na tropa e entrou no curso de oficiais milicianos. Logo de seguida, nos anos 60, rebentou a guerra em Angola, e foi mobilizado a cumprir missão. Tirou os cursos de Transmissões, de Criptólogos e de Estado-Maior (Geral) e o Estágio de Segurança NATO.

Ficou conhecido, por ter encabeçado uma tentativa de golpe de Estado frustrada, ocorrida em 16 de Março de 1974, em Portugal, intitulada como o “Golpe das Caldas”.
 O golpe foi anterior à Revolução dos Cravos que, a 25 de Abril, derrubou o regime fascista do Estado Novo Português. É referenciado, por vários autores, como impulsionador que juntou o oficialato em torno do Movimento das Forças Armadas.
O Movimento das Forças Armadas (MFA), emanou sobretudo de luta corporativa em que oficiais do quadro permanente (os chamados 'puros') sentiam-se ultrapassados na categoria por milicianos que iam sendo promovidos à medida que iam combater na Guerra Colonial. Luz Varela era um espúrio – fazia parte dos milicianos que tinham ingressado na Academia Militar, mas no qual não o tempo de Guerra não contava para a progressão da carreira. Os 70 oficiais de Caldas eram metade puros, metade espúrios.
O “golpe das Caldas” surgiu face à contestação da política ultramarina, um grupo de oficiais generais dos três ramos das Forças Armadas participou, em São Bento, numa cerimónia de apoio a Marcelo Caetano. Estavam ausentes o chefe e o vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, respetivamente os generais Costa Gomes e António de Spínola. Devido à sua ausência, foram demitidos, nesse mesmo dia, dos seus cargos pelo chefe do governo. A demissão de Spínola provocou revolta nalguns oficiais, que, em 16 de Março de 1974, fizeram uma primeira tentativa de derrube do regime.
Virgílio Luz Varela por ter comandado a única força que marchou sobre Lisboa, foi preso e estava na Casa de Reclusão da Trafaria quando o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o Governo de Marcello Caetano e o Estado Novo, a 25 de abril de 1974. Libertado no próprio dia, comandou operações militares nas ruas de Lisboa ainda durante o golpe de Estado que levou à instauração da democracia.
Com esta homenagem queremos agradecer a sua coragem e contributo à democracia, porque embora a sua revolta não tenha sido bem-sucedida, não deixou de ser um ensaio para o golpe que se avizinhava e que se viria a concretizar a 25 de abril de 1974, no qual foi instaurado a democracia em Portugal.
Assim, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, expressa o seu Pesar pelo falecimento do ilustre capitão Virgílio Luz Varela, e apresenta à sua família as mais sentidas condolências.


Funchal, 07 de Abril de 2017
A Representação Parlamentar do PTP na ALRAM 

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