segunda-feira, 1 de maio de 2017

Gil França ajuda à festa




Mísseis norte-coreanos


Já estamos habituados aos falsos alarmes que, à semelhança dos inócuos mísseis norte-coreanos, já fazem rir os madeirenses na política tabanqueira. É o cargueiro que não voa, o ferry que não navega, a mobilidade parada, a criação de emprego que desagua em emigração, os recordes na hotelaria sem resultados práticos, a transformação do escabaçado Funchal na melhor cidade do mundo e arredores, tudo isso que os Leitores conhecem. Papel de jornal e tempos de antena a prometer que se faz e acontece, para dias depois ficar tudo esquecido e abafado por novos planos da pólvora dos crânios a quem estamos perigosamente entregues. E assim sucessivamente.


Agora, Gil França. Quando esperávamos que o veterano socialista de Santa Cruz aparecesse a chamar as coisas pelos nomes, já que lhe deram espaço no Diário, quando o víamos a tentar converter esta nula política à frontalidade e queijo-queijo do antigamente, o que vimos foi o nosso Amigo convertido à 'chachada' generalizada.

Quando vimos um título a citar Gil dizendo que "adiar o congresso do PS-M foi a melhor solução", foram uns momentos de incredulidade. O entrevistado não só se deixara ir na falta de objectividade em moda como a estimulara. Fê-lo recorrendo a um rol de ambiguidades que nunca lhe vimos em décadas de política. A não ser quando, em determinada fase do processo, se achou - e bem - com as condições certas para lutar pela liderança do partido, ficando porém às portas da guerra final.




Vemos aqui, no meio destas palavras, a reprodução da convocatória para a célebre reunião da Comissão Regional em que as tropas de Cafôfo obrigaram Carlos Pereira a meter o congresso ordinário na gaveta. Esta convocatória para a Comissão Regional discrimina a ordem de trabalhos. Tratar do Congresso de Julho e competentes eleições internas. Acontecendo que a dita convocatória está assinada pelo próprio Gil França. Ei-lo agora a dizer que a melhor solução foi adiar o congresso, como se andasse a leste do tema. Na qualidade de presidente da CR não conseguiu convencer a tempo o líder dessa boa solução? Carlos Pereira, o líder que depois diria não ver derrota nenhuma naquela rábula, mas um consenso à volta da vontade da maioria de comissários!
Há outro pormenor que Gil não conta na entrevista. Ele mesmo se assumiu, no início dos trabalhos, como um defensor acre das ideias do líder pró-congresso, negando-se inclusivamente a receber o requerimento apresentado por Bruno Ferreira onde se pedia outra data para a reunião magna. A verdade é que só a força da corrente cafofiana fez recuar Carlos Pereira - e Gil França -, evitando-se assim um vexame ainda mais pronunciado. 
E vem Gil França falar da "melhor solução"!
Deixaríamos passar o episódio se a contradição se ficasse por aí. Mas, sendo abordada na entrevista a questão das relações PS-M com o PS-Lisboa, depois da demissão de Jaime Leandro 'que não foi' (outro míssil norte-coreano), Gil França assegurou que essas relações são boas, e que Leandro fez bem ao contestar Lisboa, mas que talvez não fosse bem assim, embora Leandro ganhasse um ponto com tal atitude, se bem que o almoço de António Costa com Filipe Sousa não teria sido bem assim, o que justifica que Leandro se demitisse, para mostrar que sim senhor, mesmo baseado se calhar numa especulação, e que...
Assim mesmo, um raciocínio de que não se percebe uma.
Enfim, o PS-M é muito autónomo, Lisboa sim senhor, mas devagar - insiste Gil França. PS-M autónomo quando o seu líder passa a vida aos salamaleques na corte lisboeta e não toma uma decisão sem a bênção dos camaradas alfacinhas!
Que saudades do incisivo e contundente Gil França, aquele deputado temível em debates que ficaram célebres no Parlamento regional.
Ainda o caso do Porto Santo, onde os socialistas não se entendem uns com os outros. É preciso ganhar mais câmaras, mas no Porto Santo há divisões, só que Gil não as conhece, só sabe pelos jornais. Sim, mais palavra menos palavra, é o presidente da Comissão Regional a dizer que sabe menos do seu partido do que qualquer madeirense ou porto-santense sabe.
Pelo meio da entrevista, Gil França refere-se ao PS-M como principal partido da oposição regional. Ou anda mais desactualizado do que pensamos ou deixou de aferir as grandezas partidárias pelo lugar certo, a Assembleia Legislativa, preferindo as autarquias. Mais: Gil quer ver continuar esta "aceitação crescente [do PS] na sociedade madeirense". Aceitação crescente? Nem sequer em Santa Cruz, quanto mais...
A entrevista chega ao fim sem que Gil França fale das grandes questões do momento na área socialista regional. A demora teimosa de Carlos Pereira em vir tratar do partido na Região. O recurso a sondagens estapafúrdias para mostrar a tal "aceitação crescente". A tragédia dos testes aéreos previstos para esta quarta-feita, processo tratado com um amadorismo atroz. E, assunto dos assuntos, a corrida interna que já se descortina à liderança do PS, com Paulo Cafôfo a preparar a militância e o assalto ao poder - ambição legítima. Gil França não se referiu a estas nem às outras questões de que se fala actualmente. Mas, verdade seja dita, também não lhe foram perguntadas. Em determinados areópagos não convém desgastar a imagem de Cafôfo, com certos temas.
Ainda uma palavrinha: caro Gil França, se é para representar estes papéis, pantufas com ele! Quando muito, apoio na bancada à camisola que briosamente envergaste, a do digno Sporting Clube Santacruzense.  

5 comentários:

Anónimo disse...

Outro míssil coreano foi o que aconteceu na entrega de prémios no torneio de 1 de Maio, quando no discurso da candidata do PSD Madeira Rubina Leal exortou aos milhares de participantes quando havia na realidade somente 352 miúdos, e falou e falou e falou (até nos Santos Padroeiros), quando os miúdos já tinham fome e só queriam as medalhas. Aí o actual presidente da Câmara do Funchal- Paulo Cafofo apercebendo-se da situação abdicou do discurso e passou logo a pratica fazendo um contracto programa para substituição do relvado sintético do campo do 1º Maio. É nestes pequenos pormenores que vê a diferença entre os candidatos a CMF Uma demagoga e outro pragmático. Miguel Albuquerque prepara te para uma derrota clara e eleições internas do PSD Madeira. Abraço

Anónimo disse...

Objectivo: varrer toda a corja laranjinha do mapa político da Madeira.
Arma infalível: Professor Paulo Cafôfo e seu estratega Miguel Iglésias.
Missão: cumprida.

Anónimo disse...

Fia-te na Virgem e não corras...

Anónimo disse...

O Cafofo não falou, porque só a presença da Rubina o intimida! Tem sido assim em todos os eventos em que estão os dois... Quando ele fala, também só diz disparates, que muitas vezes nada tem a ver com o contexto... Melhor não falar!
Força PSD! Leal ao Funchal!

Anónimo disse...

Sim, sim... Fia-te na virgem e não corras... Em outubro falamos...
Força Rubina!