sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Opinião



O Ardil de Cafofo


Gil Canha


Como antigo vereador do urbanismo e interessado na matéria, acompanhei com um misto de surpresa e estupefação, a reportagem publicada pelo Diário, neste último Domingo, dia 15 de Janeiro, a propósito da Revisão do PDM de 1997.
Antes de me debruçar sobre o discurso lambido e propagandístico do sr. Presidente da Câmara, gostei de ler as explicações da sra. Arquitecta Cristina Pereira, que considero uma reputada técnica nas áreas da reabilitação, do urbanismo e do planeamento, aliás, foi com muita resistência dos agora denominados “cafofianos socialistas” (nos anos 30/40 eram denominados por Nationalsozialistische), que consegui na altura, que a sra. Arquitecta ingressasse novamente nos quadros da Câmara, como minha assessora. E o mais curioso, é que os “cafofianos” achavam que a sra. Arquitecta, por ter uma relação sentimental com um familiar próximo do dr. Jardim, era uma pessoa pouco confiável para andar pelos corredores da Presidência (!). Claro que para mim isto valia zero, porque o que me interessava era o mérito e a competência, e não as ligações ou simpatias políticas.
 Voltando ao arrazoado do Prof. Paulo Cafofo, aquilo que ele diz sobre o PDM é matéria que já estava mais ou menos delineada em finais de 2013 e inícios de 2014, por isso eu não percebo por que razão Paulo Cafofo só agora, e em vésperas de eleições, é que acordou para o PDM? Será que o sr. Presidente pensa que somos todos burros, e que não sabemos que atrasou o PDM propositadamente para não ter que lidar com descontentamentos e dissabores que o plano provoca em algum eleitorado? 
Lembro-me como se fosse hoje que, em finais de 2013, já se falava em formar equipas multidisciplinares, para discutir e acompanhar a revisão do PDM, uma espécie de Gabinete Técnico. Aliás, foram contactados alguns arquitectos, engenheiros e membros proeminentes da sociedade civil para esse fim. Mas tudo ficou a marinar, e só com os últimos incêndios de Agosto é que Cafofo foi obrigado a se mexer, e criou então o tal Gabinete da Cidade que, no fundo, pouca contribuição vai dar ao PDM, porque, segundo sei, uma versão deste plano já foi entregue ao Governo Regional, em finais de Julho de 2016, para este dar o seu parecer. Sendo assim, o tal Gabinete do Arq. Paulo David já perdeu o “primeiro comboio”.
E a provar que este atraso tem sido intencional, já em inícios de 2014, a maioria destas questões estavam inteiramente identificadas, lembro-me que já se defendia a redução do perímetro urbano para cima dos 10%, em vez dos 1,5% defendidos pela revisão de Miguel Albuquerque. Mesmo quando era vereador sem pelouro, já acusava a Câmara albuquerquista de querer licenciar casas quase até ao Poiso, e de andarem a empurrar as pessoas pela serra acima, para cotas superiores aos 500 metros, para o meio dos pinheiros e para zonas de risco, onde o clima é severo e as condições de habitabilidade deficientes e sempre sob a ameaça de derrocadas, de inundações e de incêndios. E tudo isto para não se falar do dispêndio de dinheiros públicos necessários para manter toda esta caótica e malfada dispersão urbana em terrenos de orografia quase alpina.
  Até o Plano de Execução, de que o sr. Prof. Paulo Cafofo agora fala, já era proposto na altura, não só por técnicos da Câmara como também pelos contributos graciosos do sr. Arquitecto Pedro Araújo, que ofereceu à autarquia, em inícios de 2014, uma lista crítica sobre a revisão do PDM, e onde já era defendida a “Nova Cidade” na zona do Amparo, por ser relativamente plana e segura e com condições ideais para receber futuramente os cidadãos que vivem em zonas de risco ou em zonas “alcantiladas” e super-altas da cidade.   
Nessa mesma lista, o Arq. Pedro Araújo já propunha a interdição de qualquer nova construção nas Zonas Altas (apenas admitindo a reabilitação e renovação de casas de famílias que já lá vivem). E obviamente que, para esta tomada de decisão, seria necessário que fossem desenvolvidas políticas de Habitação social (tipo Bairro da Nazaré) para incentivar a deslocação das novas famílias para zonas com condições de habitabilidade mais favoráveis e condignas. Sublinhe-se que, nessa altura, este técnico já defendia políticas de desenvolvimento urbano através da realização de Planos de Urbanização e de Pormenor; articulação da frente marítima da cidade com os famigerados POOCs; transportes públicos mais amigos do ambiente, e uma série de contributos fundamentais para uma cidade inteligente e sustentável.
  Mas, seguindo uma política populista e receoso das medidas impopulares que um plano desta natureza sempre acarreta, Paulo Cafofo foi empurrando a revisão do PDM para as “calendas gregas” do fim do mandato e, deste modo, foi arrastando propositadamente um instrumento fundamental para a cidade, numa prolongada agonia de uma urbe que vive com um PDM que é uma “verdadeira manta de retalhos”, segundo palavras do ilustre Eng. Gonçalo Malheiro de Araújo, e que foi sendo sucessivamente castrado e adulterado com as contínuas suspensões criminosas de Miguel Albuquerque. E por este andar, mal acabe o período eleitoral que se avizinha, já estou a ver os Cavalheiros a meterem novamente o PDM na gaveta, deixando a cidade novamente à mercê dos interesses obscuros do costume e das catástrofes naturais, que inevitavelmente voltarão a acontecer, sem que nada tenha sido feito ou alterado.
E como todos os discursos feitos para adormecer rinocerontes e alegrar macacos, Paulo Cafofo até se contradiz, quando afirma que vai desenvolver a Agro-cidade para os lados de Santa Rita, quando depois quer meter lá um hospital à moda de Ceausescu, ora, em termos urbanísticos, a “bota não casa com a perdigota”, e Cafofo deixa-se assim arrastar pelas ideias megalómanas e mal planeadas dos antigos coveiros da Madeira, que escolheram um terreno de grande aptidão agrícola para “plantarem” um hospital no meio.

24 comentários:

Anónimo disse...

Os patos bravos do betão já devem estar a esfregar as mãos de contente, porque vão continuar a rebentar com a paisagem e o ambiente a seu belo prazer! Como diz o sr. Calisto esta terra é uma verdadeira broquilândia!

Anónimo disse...

Era melhor e mais barato alargar o actual hospital para a escola ao lado ou então fazer um novo nos terrenos abandonados da Prebel.

Anónimo disse...

O Dr Gil Canha devia também investigar o recente ajuste direto feito pela Mudança, no valor de 15 mil euros, a um arquitecto estagiário, um amigalhote, sem qualquer tipo de currículo demonstrado na área, um verdadeiro amador, para fazer o acompanhamento da revisão do PDM (??) isto quando na CMF ainda existem funcionários mais do que habilitados e experientes para esse trabalho, encontrando-se os mesmos trabalhadores totalmente encostados,isto para nao falar dos que já tiveram de sair da edilidade, alvos de perseguição etc. Uma vergonha, mas o tempo será juiz de todas este massacre às carreiras técnicas de muitos funcionários que apostaram as suas vidas profissionais no município do Funchal. Um professor de Historia como presidente, deveria saber que a Historia não perdoa, tudo fica registado no tempo. Quanto ao escandaloso gabinete criado para o arquitecto Paulo David, no valor de 50 mil euros, isto quando já havia gabinetes na CMF montados para esse efeito, que foram totalmente desmantelados e destruidos, o Dr Gil Canha tem toda a razão, como é que essas propostas desse gabinete irão se articular com o PDM de Cafofo, considerando que as mesmas não se encontram na proposta enviada para a Comissão de Acompanhamento durante o verão? um verdadeiro escândalo, já agora também se deveria apurar, que sendo esse gabinete criado após os incêndios, se é verdade que o único trabalho que fez foi o projecto para o edifício da confeitaria felisberta?

Anónimo disse...

Pegando na última ideia do hospital num terreno agrícola...recordo que o Hospital tinha o terreno reservado ao lado do atual onde está a escola. Ora o governo na ânsia da pressa eleitoralista, fez uma escola em vez de esperar pelo tempo de expansão do Hospital.
Com a redução de alunos, mais valia derrubar a Escola e expandir o Hospital na Cruz de Carvalho. Os alunos seriam naturalmente distribuídos por outras escolas que também já não estão muito ocupadas.
Mas...
Quanto às outras considerações Cafofianass, a propaganda contínua e Obra nenhuma.

Anónimo disse...

O novo hospital, se alguma vez for construído, devia ir para a PREBEL.

Anónimo disse...

caro Gil, a arquitecta Cristina Pereira é das melhores amiga de Andreia Caetano,logo as suas ideologias, pelo que se sabe, são totalmente socialistas tornou-se numa apoiante fervorosa da e também ja nao namora com a pessoa mencionada, essa novela rosa já foi ha muitos capítulos atrás, e tambem pelo que sabe a mesma arquitecta, já mordeu na mao que a levantou do chao, precisamente a sua!

Anónimo disse...

A arquitecta Cristina pereira teve um mestrado pago pelo Albuquerque, depois deixou de por os pes na CMF,nem aparecia, depois incompatibilizou-se com o vereador Joao Rodrigues, depois meteu uma licença sem vencimento, depois apareceu pela mao do Gil Canha e agora ao que sabe é cafofiana assumida, portanto é uma senhora de grande coluna vetebral. Realmente um exemplo a seguir, ora esta..

Anónimo disse...

Gil Canha dixit: "Será que o sr. Presidente pensa que somos todos burros, e que não sabemos que atrasou o PDM propositadamente para não ter que lidar com descontentamentos e dissabores que o plano provoca em algum eleitorado?"
Isto é um contra-senso da argumentação política do Gil Canha. Então o Cafofo deixa a discussão do PDM, que vai dar sempre bode e confusão na praça pública, para a altura das eleições, onde deveria estar era a sorrir com aqueles pepsodentes para ganhar votos ??!?!?
Eu não gosto do Cafofo, acho que aquilo é mais imagem que outra coisa, mas deixar o PDM para esta altura é suicídio político. Se estava na gaveta, ali ficava mais um ano e discutia isso em 2018 com uma suposta maioria absoluta. O PDM que aí vem vai dar confusão com muita gente que agora, "adora" o Cafofo.

Anónimo disse...

essa arquitecta que esta a frente do PDM do cafofo, será responsavel pelo unico PDM do pais que não tem identificada as ruas da cidade, neste caso do Funchal, ao que parece ninguém consegue consultar esse PDM atraves das ruas e moradas, é uma confusão completa, ha quem especule que foi de proposito, para ninguem perceber alguns favorecimentos,a ver vamos..

Anónimo disse...

Canhicess para campanha...Mas quando lá esteve Nada disse sobre o PDM...
Só cá fora, na arte de dizer mal...
Mas no Cafofo também nao confio...Só Ilusão

Anónimo disse...

Gil Canha enquanto por lá andou, e quando queria lançar o PDM o Sr professor Cafofo resolveu chamar a ele o PDM, não era da responsabilidade do GIl, e só o cafofo tinha essa pasta.
Deixou para o fim do mandato, para poder deitar as culpas a outros ou então guardou como se guarda um "trunfo" para jogar no fim, vamos ver e se o do adversário e maior e o dele não serviu de nada.
Cafofo e seu mentor, não são assim tão inteligentes....para saber que esta não é a altura!

Anónimo disse...

Não foi o Gil Canha que disse em entrevista à Antena 1 que não tinha nomeado nenhuma assessora? Para reduzir custos, salvo erro...Agora fiquei confuso.

Anónimo disse...

http://www.rtp.pt/play/p1125/e260916/conversa-politica

Anónimo disse...

"Eu era vereador. A minha secretária era a secretária que era do Dr Bruno Pereira. A minha adjunta eu não nomeei nenhuma adjunta. Utilizei técnicos da Câmara para me auxiliar. Porque eu acho que devemos poupar dinheiro e confiar nas pessoas." Gil Canha em entrevista à Antena 1. Em que ficamos? Utilizou técnicos da Câmara? Ou "foi com muita resistência que conseguiu que a arquitecta ingressar se novamente nos quadros da Câmara?" É que acaba perdendo a credibilidade com as suas contradições.

Anónimo disse...

adorei a cena dos nacionais socialistas. o Glesias e um Martin Borman

Anónimo disse...

ó comentador das 0025 , tem cuidado com a poncha , a Arquiteta Cristina é e era já quadro da camara , tinha estado numa situação de licença mas já tinha regressado á camara a quando as eleições autarquicas.
Não existem contradições a não ser as provocadas por um cérebro baralhado.

Anónimo disse...

Demitiu-se e agora quer abrigo outra vez?
Mas quem vai nesta?
E quer acumular Vereador com Deputado? e este?

Anónimo disse...

Mas qual é o curriculo ds arquiteta cristina em planeamento?alem de ter um mestrado, nunca essa funcionaria elaborou um um plano de urbanização, ou um plano de pormenor, zero.O PDM Funchal está na mao de uma amadora, apenas isso.

Anónimo disse...

Se a tal arquitecta já tinha regressado à Câmara nas eleições autárquicas não faz sentido afirmar que foi com muita resistência que conseguiu que a mesma ingressasse novamente nos quadros da Câmara.

Anónimo disse...

Tem razão sim senhor. Contratam por ajuste direto um arquiteto cujo mérito é ser família de um comunista, quando existem vários arquitetos na câmara a coçar a micose. A Dra da divisão da contratação deixou passar este ajuste direto, ela não sabe que por lei é proibido contratar serviços que possam ser feitos pela câmara? Será que o seu amigo Iglesias já está a mover influências?
E o gabinete da cidade? Paga-se fortunas para manter aqueles meninos lá, com equipamentos do bom e do melhor enquanto os funcionários da câmara nem um rato para o computador podem comprar. Será que a câmara não tem arquitetos competentes para fazer o que aquele gabinete de vaidosos faz????
Falavam do Albuquerque??? Estes são mil vezes piores

Anónimo disse...

Comentário tonto, está cristina era a única assessora que era quadro da câmara, logo a sua nomeacao não carretou custos para a câmara!!!!
Já agora, todos os outros vereadores, nomearam assessores que não são funcionários da câmara e que por isso representam custos acrescidos com ordenados (para não falar das festas e almoçaradas).
O presidente nomeou o mentor da campanha para chefe do seu gabinete e o filho da vereadora alicia para seu assessor, a idalina nomeou o seu compadre, a madalena o seu amigo desempregado, o miguel a sua "grande amiga" e o Domingos uma estagiária bonitinha. Tudo custos extra. 6 ordenados extra que o povinho vai pagando. E tudo gente que não percebe nada de nada. Os anteriores, embora mais elitistas, só nomearam 2 assessores que não eram da câmara. Tudo o resto era prata da casa e a coisa funcionava bem melhor

Anónimo disse...

Dah! A arrogante da Cristina é prata da casa!!!!!!!!

Anónimo disse...

Basta uma pessoa pensar de forma diferente que já é apelidado de tonto. Esse é realmente um raciocínio de uma pessoa super dotada. Eu como cidadão tenho direito de manifestar a minha opinião e a meu ver o ex deputado Gil Canha não tem estofo para ser Presidente da Câmara. Vamos a ver se no dia das eleições estamos rodeados de um bando de tontos ou de pessoas que pensam por si próprias e não se deixam influenciar por terceiros.

Anónimo disse...

Nao viram que o tonto que anda para aqui a opinar sobre a arq. Cristina é um nacional socialista