domingo, 22 de janeiro de 2017

XVI Congresso do PSD-M chegou ao fim








Congressistas ultrapassam cúpulas
e candidatam Rubina ao Funchal
  


O congresso do PSD não tratou do que todos os delegados queriam ouvir tratar, as candidaturas às autárquicas. Foi comer milho sem peixe durante dois dias. Um congresso que evidenciou as hesitações e a insegurança dos dirigentes. Nas intervenções de fundo, houve mais governo do que partido, para fugir aos problemas internos e eleitorais. Por esta e por outras é que falaram de um "congresso histórico".
   

Fotos Gregório Cunha





No ano das eleições autárquicas mais importantes da história do PSD-Madeira, das duas, uma: ou o congresso foi realizado cedo demais ou a divulgação de candidatos às câmaras foi errada e perigosamente 'empapelada'. Miguel Albuquerque e seus colaboradores mais próximos deviam antever o óbvio: num congresso a 8 ou 9 meses de uma eleição decisiva para o futuro do partido, ninguém estaria disposto a ouvir e abordar outra coisa que não as análises políticas concelhias, propostas concretas para a vida dos municípios e das freguesias e, como é mais do que óbvio, todos queriam assistir a um espectacular, exaltado e apaixonado lançamento dos candidatos. O tempo do 11-0 é História.
Numa palavra, o anúncio das candidaturas deveria coincidir com o congresso.
Em toda a parte, os partidos políticos sobem visivelmente nas sondagens por ocasião dos seus congressos e convenções. Este XVI Congresso do PSD conseguiu apenas passar a mensagem de que os actuais dirigentes anseiam ardentemente pela reunificação do partido, depois da conturbada luta pela sucessão de Jardim. Toda a gente percebeu essa mensagem, o que não quer dizer que os alvos do apelo estejam afim de responder afirmativamente. Se nas facções dissidentes (porque as há) os gritos de 'unidade' fossem bem-vindos, com toda a frontalidade surgiriam listas concorrentes ao Conselho Regional, por exemplo, para aproveitamento da nova prerrogativa com método de Hondt. Então, os 'irmãos desavindos', com 'feridas mal curadas', como se ouviu à margem do próprio congresso, deixariam de participar "anonimamente" em "blogues anónimos' para apresentarem propostas e críticas no palanque do Centro de Congressos do Casino.
Nas 56 intervenções de delegados ao longo do congresso, as autárquicas estiveram muito presentes. Com recados sobre o processo de escolha de nomes. Mas outros fugiam ao tema. Os mais proeminentes chefes do PSD falavam de sistema fiscal próprio e de centralismo lisboeta - e os jornalistas faziam perguntas sobre Rubina Leal enquanto potencial candidata à Câmara do Funchal, ao passo que pelos corredores do Cine-Casino da Madeira os congressistas lançavam e queimavam nomes de presumíveis candidatos. Isto é, todo o mundo falava das eleições autárquicas menos quem devia aproveitar o furor para mobilizar o partido e a Madeira em redor dos candidatos. Dois dias a comer milho sem peixe.
Dizer que o partido tem agenda própria e não se deixa levar por sondagens e pressões é desculpa esfarrapada para o desnorte que grassa no seio do Laranjal no capítulo das eleições autárquicas. Pela primeira vez, o PSD vai para uma corrida às municipais em situação de desvantagem com a oposição e com necessidade imperiosa de recuperar no Outono. O Laranjal não só tem de dar a volta ao actual panorama de 4 câmaras suas contra 7 dos adversários como precisa de retomar o poder na Câmara da capital. Ao contrário do que dizia Rui Abreu, a do Funchal não é uma câmara com o mesmo peso de outra qualquer. É meia Madeira, influencia a governação e tem à frente um presidente bem colocado nas sondagens. O resultado na capital terá muita influência nas legislativas de 2019, por isso estas autárquicas são as mais importantes da história dos Netos.

Já lá vai o tempo em que o PSD partia para as autárquicas com a certeza de ganhar as 11 câmaras da Madeira. As coisas mudaram e, como dizem os comentadores de futebol, agora é "correr atrás do prejuízo". E atenção que entre Calheta, Ponta do Sol, Ribeira Brava e Câmara de Lobos - actualmente laranja - nem todas são favas contadas. 
Miguel Albuquerque proferiu um discurso final de congresso em registo 'déjá vu'. Foi rebuscando que, no ano de 1974, a Madeira rural sem água nem luz, a Madeira da emigração e do analfabetismo, a Madeira das "hierarquias sociais rígidas" - a Madeira era então a região mais atrasada do país. E que hoje, "graças ao PSD e à Autonomia", é o que se vê, uma terra "livre, democrática e europeia". Palavras que, em tempo de caça à unidade, soou a 'canção de embalar' os saudosistas do passado. Porque afinal um povo - disse Miguel no discurso de encerramento - não deve viver do passado, mas é "fundamental fazer um exercício de memória". 
O líder do PSD-M insistiu na dialéctica com Lisboa e retomou a velha ideia de que, se o Estado não pode acorrer aos direitos da Madeira, que desbloqueie os mecanismos políticos que permitirão à Madeira conseguir os seus objectivos - o sistema fiscal próprio, mais o hospital e por aí fora. 
A revisão do Estatuto da Madeira também lá pairou. E foi para Lisboa que mais uma vez o orador - que como se vê falou mais como Presidente do Governo Regional do que do PSD-M - chutou as promessas feitas nos seus tempos de Delfim-sucessor. Aproveitando a deixa, falou da oposição regional e do seu "novo malabarismo de circo": a esquerda passou anos a reivindicar ferries, hospitais e quejandos e agora que está no poder em Lisboa não consegue que a Geringonça orçamente um cêntimo às melhorias pelas quais essa mesma esquerda outrora "barafustava".
A oposição (os convidados PCP e BE não compareceram ao encerramento) foi avisada: "O governo regional não se vai calar." 

Só a terminar a curta intervenção, Miguel Albuquerque olhou para o objecto do congresso, o partido. 
Aproveitou Miguel para desfazer tabus e avançar com nomes como o de Rubina Leal, para que o partido se aproximasse da 'pole position'? Criou ele um momento de espectáculo político incentivando Rubina Leal a dizer-se, em pleno congresso, disponível para o caso de o partido a querer à cabeça-de-lista para o Funchal? Nem esse golpe de teatro nem outros. O chefe laranja disse o que todos estão fartos de saber: que "a vitória começa dentro do PSD", com unidade, mobilização e agenda política própria, e que os candidatos virão "no momento próprio". Entende que as câmaras de outras cores "não mostram obra nem ideias", que é só "conversa oca de quem justifica a sua inércia com hipotéticos erros do passado".
Finalmente, Albuquerque recomendou: não confundir sondagens com a realidade. E disse contar com todos para as vitórias na Madeira e no Porto Santo. Frases de circunstância que fizeram da intervenção de Miguel uma peça de entoação hesitante, a precisar de recurso à retórica clássica, sem que o pensamento apregoado ao microfone merecesse a subida de tom para forçar aplausos. Miguel Albuquerque, ouça a gravação sem adormecer. Porque é capaz de melhor. Precisa é de falar quando tem as ideias e as estratégias à flor do discurso, tudo claro como água, sem ambiguidade. Quando não tem nada para dizer... 
A intervenção final teve, pois, mais Albuquerque Presidente do Governo do que líder do PSD. Foi um artifício para evitar o quebra-cabeças deste ano, as tais eleições que são as mais importantes para o futuro do PSD.
Ora, neste capítulo, a presença de Rubina Leal no congresso foi a mais acarinhada e a mais focada pelos media. O que admira é os outros dirigentes acharem que traz algum lucro esconder e retardar a evidência. Isso, sim, é que pode queimar um nome. Argumentam que Rubina Leal não pode ficar oito meses sem trabalhar, sem vencimento, porque não deve andar em campanha (e será preciso fazer campanha intensa no confronto com Paulo Cafôfo) e ao mesmo tempo ser governante. De acordo. Mas esse é problema de quem anda na política. 
Rubina tem outro berbicacho: quando for à luta, pode perder. Uma derrota para o currículo, muito complicada para o caso de um dia ter de se defrontar para as legislativas regionais com aquele que a derrotou.
A moral da história deste congresso aparentemente inócuo mas comprovativo das fragilidades estruturais, é que as cúpulas do PSD fizeram questão de guardar os nomes dos candidatos ao passo que os congressistas, alheios à hipocrisia de que é preciso ouvir primeiro as bases, trataram de lançar a candidatura de Rubina. Está lançada. Foi bem audível no Casino.









26 comentários:

Anónimo disse...

Rubina disfarçou, dizendo que está disponível, o que é óbvio. Mas fonte segura afirma que ela não vai, porque gosta de fazer o que faz -a área social é a sua paixão.
De resto, há outros nomes, como Guilherme Silva e Francisco Santos, que fizeram intervenções brilhantes e põem o Cafofo num sufoco...

Anónimo disse...

Não há problema. Como diz o Presidente, o importante é uma campanha eleitoral em crescente. A Rubina não ter avançado neste Congresso é um erro. Pois só faz sentido apresentar ideias e "atacar" o Cafofo se for já a candidata, caso contrário é ridículo uma Secretária Regional dos Assuntos Sociais falar sobre ideias para o Funchal e criticar a CMF. Mas entendo a Rubina quer receber o ordenado até onde puder! Pode é já ser tarde pois a imagem dela está associada a tudo e vai cansar severamente os eleitores (e a imagem dela não é muito apelativa).É por não haver oposição na CMF que lançam os miudos da Assembleia Regional da Madeira para atacar o Cafofo, como o João Marques e o Romulo. Muito fracos

Anónimo disse...

E por falar em memória do passado era importante referir que tudo isso se deveu a uma pessoa Alberto Joao Jardim pessoa cujo trabalho em prol da Região foi assassinado pela estratégia do sr passos coelho e seguidores paeffs dívidas etc etc o que dói agora e que isso não funcionou mas já e tarde para remediar e quando não se tem melhor para apresentar vai ganhar o cafofo porque o cafofo veio do nada para captar descontentamentos não veio de traições malabaristas de quem cospe no prato que comeu aguentem

Anónimo disse...

Rubina Leal é o Manuel António deste governo. Só holofotes.

Margarida disse...

Francisco Santos, para mim é um grande estatista!!
Foi o melhor secretário da educação que a RAM já teve, um homem com ideias e ideiais, mas com os pés bem assentes na terra!
Eu admiro- me com o facto de ele estar tanto tempo arredado da política ativa e visível!!!

Anónimo disse...

Não percebo o que estão à espera para lançar nomes dos candidatos...
Ou será que eles são tão maus que se lançarem os seus nomes em janeiro, na altura das eleições já terão a sua imag desgastada?!?!?!
No Porto Santo, o PSD vai guerrear contra uma equipa de peso formada por independentes, não pelo primeiro nome da lista porque esse já deu provas daquilo que é,mas pelos nomes que constam em segundo e no resto da lista!!
Vamos lá ver no que isto dá...

Anónimo disse...

Rubina tem juizo. Não te queimes. Deixa a CMF para outros. Ainda podes ser Presidente do Governo.

Anónimo disse...

Os Ks deviam saber que há os militantes querem o Jaime Filipe, dizem que está na altura de ir a eleições e vermos o quanto ele vale. Não basta, dizer-se que tem "o melhor grupo parlamentar" e o chefe desse grupo parlamentar anda na retranca.

Anónimo disse...

Tiro certeiro, era a Rubina Leal candidatar-se por Santa Cruz. Seria vitória garantida e ganhava a segunda maior câmara da Madeira, com uma freguesia elementar, o Caniço.
Será que um dos irmãos Calado não seria o candidato acertado à CMF?

Anónimo disse...

Andam alguns a querer lançar Jaime Filipe Ramos para candidato mas o homem está bem instalado na Assembleia. Não está para se queimar.

Anónimo disse...

Jaime Filipe Ramos há quase 20 anos que beneficia do PSD como muleta dos outros. Se fosse a eleições nem ao maluco do Coelho ganhava.

Anónimo disse...

Nem para escolher quem vai perder contra o cafofo este congresso serviu...

Anónimo disse...

E é ver alguns do "antigamente" a voltar. Há prebendas para todos, sejam avenças, subsídios, etc.
O único importante que veja quem lhe era fiel. Sobra algum ?

Anónimo disse...

Este congresso foi mais um fiasco do M.A. sem ideias e sem novidades, só para cumprir calendário, as promessas eleitorais ficaram todas pelo caminho, os candidatos as Autarquias já deveriam estar no terreno, a presença do Passo Coelho outro erro fulcral, ele que foi o inimigo numero um dos Madeirenses.
A maioria dos presentes só compareceram para dar a cara com medo de retaliações e alguns para ver se arranjam taxo. Portanto mais do mesmo, já vi reuniões de condómino com mais interesse.

Anónimo disse...

Alguém falou no Francisco Santos.
Seria grande Aposta

Anónimo disse...

O maior congresso de sempre, é o mesmo que o Trump diz ter tido a maior tomada posse de sempre. Puro delírio. AHAHAHAH Eles tentam enganar toda a gente

Anónimo disse...

O Jaime Filipe é que será o candidato, só pode ser ele, ele é o mais bem preparado e nunca foi a eleições e já que tem tudo preparado para ser o próximo presidente do partido tem que ganhar ao cafofo, isto se ele os tiver no sítio.

Anónimo disse...

Por favor, escolham o Jaime Filipe para o Funchal! É tempo dos Funchalenses dizerem o que pensam da família Ramos. Para que desapareçam do espectro político de uma vez por todas.

Anónimo disse...

Jaime Filipe, até o Moises vem de Santana para leva-lo em ombros. Tem que ser o Jaiminho "o Petit Salazar".

Anónimo disse...

Então o Sócio Honorário, ressabiado por ter sido corrido, acompanhado pelo bonifrate "manelhinho" foi à bola e abandonou os companheiros de partido?
A leitura do anónimo esta manhã revela um sentimento de grande frustração pela fuga de gente das suas hostes. Leiam: "Agora que vê o regresso de muitos que andaram à volta de Jardim, como Guilherme Silva, Francisco Santos, Fernanda Cardoso, Rafaela Fernandes, Nivalda Gonçalves, Pedro Coelho, Jaime Filipe Ramos, é verdade que Sergio Marques tem sido figura de proa na família ''renovadinha'' mas há outros que seguem o percurso, como Carlos Rodrigues, Tranquada Gomes, Gualberto Fernandes, Carlos Teles, Santos Costa, e até Paulo Fontes".
Tá bonito tá.

Anónimo disse...

Estes últimos anónimos falam em Jaime Filipe, sem dúvida que era uma excelente opção para o Funchal. O Cafofo não teria hipóteses.

Anónimo disse...

Meu Deus! Que probreza o desespero dos Mudanços. Fazerem-se passar por PSDs a tentar passar a ideia que a Rubina não deve avançar porque pode ser Presidente do Governo e que o melhor candidato seria o Jaime Filipe. Estes Cafofianos querem a Câmara numa bandeja de ouro, e estão com medinho da Rubina.

Anónimo disse...

O meio Eng. Jorge Afonso, também discursou, anda à procura de tacho de Vereador na CMF, ele e tantos outros que nunca colaboraram com o PSD e agora Chegam à frente.... pouca vergonha... Miguel Albuquerque e Rui Abreu com esses o PSD nunca ganha nas autarquias.

Anónimo disse...

Os conselheiros do PSD Caniço e Santa Cruz são uma vergonha, pessoas audiadas pela população, aquele Rafael.... enfim, lá assim nunca mais o PSD ganha eleições...

Anónimo disse...

O Jaime Filipe e o Albuquerque para queimarem a Rubina e acabarem com a sombra que ela possa fazer, querem que ela seja candidata a CMF, mas depois daquelas sondagens. Que medo.

Anónimo disse...

Esta enganada amiga o melhor secretario da Educacao foi o dr Brazao de Castro.