sexta-feira, 8 de junho de 2018


A “ORGANICA” E O PASTOREIO

No passado dia 04 como presidente da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, assinei um texto com a posição da nossa instituição de utilidade pública, registada na Agência Portuguesa do Ambiente, sobre o “PASTOREIO NAS SERRAS DA MADEIRA”.
Ontem surgiu um texto duma tal “Organica”, não assinado mas com difusão nas redes sociais e em órgãos de comunicação que dão cobertura ao anonimato, pretensamente a contestar as posições e o trabalho da AAPEF.
Para os mais incautos é importante esclarecer que a dita “Organica” é controlada pelo diretor do departamento de ciência da Câmara do Funchal e assessor da associação de criadores de gado das serras de Santo António, José Carlos Marques, e pela mulher Sílvia Sousa Silva, coordenadora para as questões ligadas à agricultura e florestas do PS-Madeira.

Desvendado o nome dos autores do comunicado dessa organização, passemos aos factos:

-  O maior incêndio dos últimos 50 anos ocorreu em 1976, quando o pastoreio estava espalhado por toda a cordilheira central e pelo Paul da Serra. Arderam 15.000 ha e morreram mais de 4000 animais (ovelhas, cabras e porcos). Ou não conhecem os dados oficiais ou mentem intencionalmente, o que é pior;
- Não mostram uma só imagem das áreas que a Associação dos Amigos do Parque Ecológico está a recuperar desde outubro de 2001 e que infelizmente foram quase totalmente destruídas por um incêndio em agosto de 2010, ateado por um criminoso na zona de mata pirófila de Santo António. A propósito dos criminosos que têm atentado contra o património florestal da Madeira nem uma só palavra, o que é sintomático;
- Falam do seu notável trabalho, mas não dizem onde. Seria importante compará-lo com o dos voluntários da AAPEF;
- Querem voltar a colocar ovelhas no Parque Ecológico do Funchal e até já falam em manadas de vacas, o que é uma completa loucura e é exatamente o contrário do que preconiza o “Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira” elaborado após a aluvião de fevereiro de 2010 por uma equipa multidisciplinar (IST, UMa, LREC) coordenada pelo Professor Doutor António Betâmio de Almeida;
- Defendem a transumância, mas como não dominam o conceito de escala, não percebem que a Madeira não possui área territorial para implementar esse método de criação de gado;
- Também, ainda não perceberam que a pujança e a riqueza biológica da Laurissilva são completamente alheias à presença do gado, o mesmo acontecendo com a formação vegetal do quarto andar fitoclimático da Ilha da Madeira, o que é natural pois só citam pretensos estudos científicos doutras realidades geográficas e históricas.

Independentemente de posicionamentos políticos, os madeirenses e muito especialmente os técnicos que trabalham nos domínios das florestas, agricultura e pecuária, que têm consciência da propaganda mascarada de científica que certas organizações estão a veicular na Madeira e que se perspetiva piorar, devem publicamente manifestar a sua indignação.
Se não o fizermos, corremos o risco de virmos a ser mandados por políticos com perfil à Bruno de Carvalho, incensados por claques de oportunistas. E isso será terrível para quem ama esta ilha e deseja que as gerações vindouras a recebem melhor do que nós herdámos.

Finalmente, porque o trabalho da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal está à vista de toda a gente e aberta à participação de todas as pessoas, aqui ficam 3 fotografias da área próxima do topo do Pico do Areeiro onde estamos a trabalhar.

Área desertificada aos 1700 metros de altitude onde a AAPEF iniciou os trabalhos de recuperação da biodiversidade, fevereiro de 2003.

A mesma área em Maio de 2010, três meses antes do incêndio ateado por um criminoso na Ribeira da Lapa no dia 12 de Agosto e que destruiu a plantação na noite de 13 para 14 de Agosto.

A mesma área das duas fotografias anteriores, mas em Maio de 2014, menos de 4 anos após o incêndio.
As imagens valem muito mais que as palavras.

 Funchal, 08 de junho de 2018

       Raimundo Quintal
       (Presidente da Direção da AAFEF)

3 comentários:

Anónimo disse...

A Orgânica, associação, não confundir com mer.. orgânica, é a organização paga pelos cabreiros, para que as alarvidades que eles querem que sejam verdade, passe para a opinião pública com uma aura de sapiência científica.
De facto, a asneira da teoria dos benefícios do gado na serra, de tanto ser defendida por cabreiros e políticos sem escrúpulos e que se estão completamente a borrifar para o bem público, de tanto ser repetida, pode levar os incautos a ter dúvidas.
Não as tenham. Gado nas serras da Madeira, acima da cota 600, é criminoso.

Anónimo disse...

Caro Raimundo, infelizmente ainda vivemos numa terra atrasada. Noutros sítios mais evoluídos, esta é uma situação que nem se coloca. Até nas Canárias, que estes cabreiros tanto gostam de usar como exemplo, existem áreas totalmente interditas, pois eles sabem que a floresta natural das suas ilhas, tal como a da Madeira, não pode se desenvolver com gado, nem ordenado nem desordenado...

Abraço

Anónimo disse...

Lembram-se do tempo em que o Governo mandou tirar o gado da serra pagando um X por cabeça?
Cabreiros e ovelheiros não paravam de guardar as cabeças no frigoríficos para exibirem em datas certas
Que grande sociedade que houve entre estes e guardas florestais
Povo burro.
É a lei do esperto...
Víamos há dias os amigos das nacarronadas na televisão, ávidos e a mangueirar bem
O que os nossos políticos se obrigam para agarrar os votos
Vale tudo...