segunda-feira, 19 de março de 2018



Desemprego jovem



Xavier Luís


A geração nascida entre 1980 e 1990, que agora tem idades compreendidas entre os 25 e os 35 anos, tem dificuldades em encontrar emprego ou tem andado de emprego em (des)emprego a ganhar uma miséria.

Parece difícil de entender esta situação, pois, por um lado, trata-se de uma geração em que os seus pais optaram por ter um ou dois filhos e, por isso, deveria ser mais fácil encontrar emprego, uma vez que a concorrência seria menor. Além disso, é uma das gerações com mais habilitações!
Então, o que é que impede estes jovens de obterem emprego?

Por um lado, o capitalismo desenfreado (a que chamam globalização) que tudo fabrica no oriente e que, por essa razão, desmantelou o aparelho produtivo nacional. Por outro lado, e quiçá o mais importante e menos falado, é o aumento exponencial dos requisitos para a reforma.
A este propósito, relembremos que, até há poucos anos, se permitia a saída para a reforma de quem tivesse 36 ou 40 anos de serviço (conforme se tratasse de funcionário público ou privado), o que bem se compreendia, dado que quem tivesse esse tempo de serviço, teria iniciado o seu percurso laboral entre os 14 e os 18 anos de idade e saía com cerca de 55 a 60 anos.
Atualmente, com a idade da reforma nos 66 anos e cinco meses, temos largas dezenas de milhares de pessoas nessas condições e que estão impedidas de ir para a reforma, poi levam um corte de cerca de 70%!
Isto é, ficam com uma reforma de cerca de um terço do seu salário!
Vejamos um exemplo prático de um português que aufira 1.000 € de ordenado. Hoje, com 58 anos e 40 anos de carreira contributiva, se quiser reformar-se faltam-se 8 anos e cinco meses (101 meses) para a idade da reforma, pelo que perderá 50,5% (101 x 0,5%) a que temos de adicionar 14,5% do factor de sustentabilidade, no total de 65%, ou seja, poderá reformar-se com um valor bruto de € 350, correspondente a 35% do seu salário.
Isto não é apenas injusto! É um roubo a quem contribuiu durante 40 anos e começou a trabalhar aos 18 anos (e alguns aos 14!).
Se esta regra é injusta para este trabalhador, é natural que ele se deixe ficar a trabalhar por mais oito anos. E qual a consequência?
Durante esse período haverá um jovem que ficará desempregado e que facilmente chegará aos 30/40 anos de idade ainda à procura do primeiro emprego. Com essa idade, quem lhe dará o primeiro emprego? Ninguém!
Corre-se o risco de toda uma geração não ter emprego devido à política errada de condicionamento das reformas.
Haverá quem defenda que o Estado não tem dinheiro para pagar as reformas. Relembro apenas a política seguida durante quatro anos pelo governo PSD/CDS que levou o país à miséria. O denominado governo da Geringonça optou por uma política contrária e eis que o País tem sido alvo dos maiores elogios e até já é o país que mais cresce na União Europeia!
A simples mudança de política, fez o país crescer. Cremos que o mesmo se passa quanto à política das reformas – a alteração desta política, combaterá o desemprego!
Haja vontade de mudar, que a realidade será outra e para bem melhor!
Voltando ao desemprego jovem e à sua causa, sobretudo a excessiva penalização das reformas, há que pensar em soluções alternativas que fomentem a saída voluntária dos trabalhadores com carreiras contributivas longas que, no máximo, retirem 20% do valor do salário.
Atrevo-me a sugerir algumas soluções:
•      Sistema de pré-reforma em que o Estado e as empresas pagariam 80% do salário do trabalhador até este atingir a idade da reforma, continuando os descontos a ser feitos pelo ordenado por inteiro, a fim de que, na altura própria, o trabalhador obtivesse a reforma completa; ou
• Diminuição das percentagens da penalização por antecipação de reforma de 0,5% ao mês para 0,1%; ou
•     Ausência de penalização por antecipação e aumento do factor de sustentabilidade para os 20%.
Com qualquer destes sistemas, se o trabalhador optasse por reformar-se voluntariamente, teria direito sempre a um mínimo de 80% do seu salário, o que seria convidativo para muitos.
Desta forma, poderíamos “arranjar” 50.000 a 100.000 “novos” empregos para os jovens, que ficariam muito gratos.
Estes “novos” empregos teriam um efeito multiplicador na economia, já que os jovens, porque ainda têm muitas necessidades por satisfazer (casa, água, luz, TV, carro, etc) gastariam a quase totalidade do ordenado em impostos e na criação de outros empregos, enquanto os que ainda trabalham e que já têm quase tudo, aforram parte do que ganham e, desse modo, entravam a economia.

A solução parece óbvia: permitir novamente a reforma com 36 e 40 anos de serviço, embora com alguma penalização. Só assim se disponibilizariam dezenas de milhares de postos de trabalho para os jovens. E nem digam que não há dinheiro, pois o que se passa é que o dinheiro é mal gasto!

13 comentários:

Anónimo disse...

O maior inimigo do emprego jovem é o vínculo para a vida dos funcionários públicos. Entraram no tempo das vacas gordas, e por mais incompetentes que sejam, não podem ser despedidos como em qualquer empresa. E assim não há renovação.
Logo os mais novos não têm hipótese. E os poucos lugares disponíveis vão para os amigos dos partidos.
Mesmo nas empresas, se houvesse um regime mais liberalizado, as oportunidades seriam maiores.
Vivi 20 anos na Dinamarca, e lá sai-se de uma empresa e entra-se noutra. Há rotação, o que cria oportunidades.

Anónimo disse...

O grande problema é haver tantas proteções para incompetentes. Hoje em dia, quem fizer mer... pode estar descansado, pois se é FP, nada lhe acontece, se é privado não pode ser despedido sem indemnizar e às vezes nem assim. Assim, quem é que quer contratar, quando os lugares estão cheios de incompetentes?

Quanto ao Governo da República, realmente foi o PSD/CDS que levaram o país à falência. O PS nada teve a ver com isso. Da mesma forma que a recuperação económica é única e exclusiva responsabilidade do Costa. Olhe, isso é história para enganar quem não tem pachorra de pensar pela sua cabeça.

Anónimo disse...

Ó das 13.44, a sua cronologia histórica está um bocado baralhada.
Quem levou o país à falência foi o governo do camarada Sócrates, também conhecido como o 44, que teve a imperiosa necessidade de chamar a troika.
Quem levou com a pastilha, foi o governo que veio a seguir PSD/CDS, que fez o que a troika exigiu, em troca de não irmos para a bancarrota.
Quanto à dita recuperação económica, basta a alteração da componente externa, subida dos juros e fim da compra de títulos de dívida pelo Banco Central Europeu, e lá vai toda a recuperação para o brejo, com a necessidade de novo resgate.
É ver que neste "milagre económico" basta acabar com as cativações, que o deficit vai logo para os 3%.

Anónimo disse...

Dá jeito culpar o Sócrates de tudo. A verdade é outra ou está muito incompleta.Ó anónimo das 15:10 e a grave crise mundial quem é que apanhou? Acabar com as cativações? Como se fosse novidade deste governo e não existisse cativações na Madeira!

Anónimo disse...

Se está tão mal aqui, sempre pode voltar para a Dinamarca...

Anónimo disse...

Ó das 23.03, depois de ter emigrado 30 anos, dos quais 20 na Dinamarca, eu estou bem aqui.
Quem não está bem aqui são aqueles que estão desempregados. Infelizmente para eles, com mentalidades tacanhas como a sua, continuarão desempregados e terão que seguir a via da emigração. Você com certeza não tem problemas desses, deve ter emprego para a vida.

Ó senhor das 20.10. Factos históricos comprovados, são factos por isso mesmo, por serem comprovados. Quem pediu o resgate foi Sócrates. Com certeza sabe disso, não ? Não foi assim à tanto tempo. A crise mundial não ajudou, mas não foi a crise mundial que a meses das eleições aumentou os salários da função pública em 2,9%, quando Portugal já estava numa situação difícil e com juros do crédito externo acima de 4,5%. Foi o governo.
Aliás, honra lhe seja feita, Costa recusa-se a seguir esse exemplo, para desespero dos parceiros geringonceiros.
Quanto a cativações, oxalá a Madeira tivesse possibilidades para isso...

Anónimo disse...

Ele tem razão e tu deves ser um funcionário público que produz zero ao longo da tua vida de tacho arranjado tem vergonha!

Anónimo disse...

Quem levou o país à falência foi o Sócrates, PS. Não se baralhem. A Troika só veio pelas aldrabices que esse senhor fez. E o PSD apenas pode aplicar o instaurado pela Troika, como qualquer outro partido que estivesse na altura no poder... Seria igual ou pior.
As pessoas é que têm memória curta.
Relativamente ao desemprego e à falta de estabilidade nos jovens, sim concordo. Tem que se antecipar a idade da reforma sem qualquer penalização. Então se há sempre dinheiro para o RSI e outros apoios sociais, muitas vezes para gente que nunca fez nada na vida, famílias inteiras a viverem só de apoios, como é que não pode ter apoio quem contribuiu com descontos uma vida inteira?!
Parem com os facilitismos a quem nunca trabalhou e comecem a apoiar os trabalhadores.

Anónimo disse...

Numa sala fria está um conjunto de pessoas vestidas. Entretanto, vão entrando mais pessoas nessa sala, só que vêm todas nuas e a tilintar com frio. A certa altura chega o senhor Xavier Luís, que, sapientemente, exclama: que estranhas são aquelas pessoas que têm roupa vestida!

Anónimo disse...

Praticamente rebentaram com as gerações dos anos 80 e 90. Incentivaram o pessoal a estudar para terem uma mão cheia de nada e precariedade. Vale para alguns a família e padrinhos para o o tradicional factor C e a emigração para outros.

SIA disse...

Detesto funcionarios publicos, sejam medicos, policias, bombeiros, cantoneiros que levam o meu lixo de casa, enfermeiros, professores que ensinam os filhos destes que aqui os criticam. Em caso de acidente automovel faço tudo para ter um policia e relatorio policial para me ajudar seja em responsabilidade por tratamentos no hospital onde estao esses medicos que nada fazem, mas que deles tudo se exige, dos bombeiros para me socorrerem e levar ao hospital para me salvar a vida, e do meu filho que ia comigo no carro.
Cambada de inuteis esses funcionarios publicos.

Anónimo disse...

Querer misturar no mesmo saco, competentes e incompetentes, que os há público como no privado, é uma acção pouco séria.
O que se condena é uma certa mentalidade de alguns funcionários públicos, que por ter emprego para a vida, mesmo que incompetentes, não podem ser substituídos por outros.
Aos competentes e sérios, que os há na função pública, e eu conheço vários, devemos estar gratos pelo seu trabalho.
Que não se confunda a árvore com a floresta.

Anónimo disse...

Sem prejuízo de Portugal ser um país de merda e a Madeira estar na ponta do cagalhão, a verdade é que enquanto médicos, enfermeiros, pessoal de saúde advogados, arquitectos, desenhadores, topógrafos, engenheiros, veterinários, entre tantos outros continuarem a ter tacho no governo (função pública) e a exercerem no privado: nao haverá trabalho para ninguém; nem no público, nem no privado. É um vê se te avias de advogados funcionários públicos nos tribunais madeirenses e nas oficiosas. É um vê se te avias de arquitectos e desenhadores, funcionários da Câmara que açambarcam todos os projectos, pedidos e licenciamentos que la entram, deixando os novos arquitectos, por exemplo, a trabalhar em lojas, como funcionários forenses e a ganhar misérias. É um vê se te avias de médicos que no público têm listas de espera absurdas, como a oftalmologia, mas no privado operam até às tantas; ou as senhoras enfermeiras, que trabalham no hospital, no medical center e ainda vão dar umas massagens; tendo os novos enfermeiros que emigrar ou sujeitar-se a trabalhar a recibos verdes por 2€/hora. Vergonha na cara, senhores governantes, é funcionário público tem contrato de exclusividade e assina declaração a assumir tal exclusividade. Ponham ordem na casa e verão o desemprego qualificado a diminuir!