sábado, 26 de maio de 2018




O JOGO DO BICHO


Conta-se que em tempos idos, lá para os lados da rua da Queimada, havia um estabelecimento que era conhecido por fazer o jogo do bicho, como complemento à sua actividade diária, porque já então as coisas não eram fáceis. Então, o “Bicheiro”, entenda-se o homem lá da tasca, escrevia o nome do bicho num papel, o qual era introduzido numa campânula e aberta no dia do sorteio. Quem tivesse apostado naquele bicho sorteado ganhava um prémio em dinheiro, e parece que até dava umas patacas jeitosas para aquele tempo. Ora, não há bela sem senão e eis senão quando, num certo dia, dois marmanjos puseram-se à cuca para espreitar que raio de bicho iria ser “escrevinhado” ; radiantes, descobrem que o nome do ansiado animal começava pela letra “A”, não esperam pelo final da palavra e desatam a “bilhardar” pela cidade o que tinham visto. 

Claro está, toda a gente começa a jogar na Águia e Avestruz, únicos bichos constantes deste jogo que começavam pela referida letra. A certeza era quase absoluta que o “Bicheiro” estava feito e que iria à falência. Chega o ansiado dia, e o pessoal já esfregava as mãos de contente, na expectativa do dinheirinho que iria embolsar. Coitado do “Bicheiro” que tinha os dias contados. Mas, surpresa das surpresas, é aberta a campânula e o bicho sorteado que lá estava escrito era nem mais nem menos que o “Alifante”. Desânimo geral, e ninguém questionou os dotes de português do bicheiro. A vitória, aparentemente fácil, transformou-se em derrota e a história conta-se até aos dias de hoje.
Como tudo, este jogo de apostas evoluiu e passou a ser jogado tendo por base os números da Lotaria Nacional, onde cada bicho é representado por quatro números consecutivos compreendidos entre 00 e 99. Não cabe aqui explicar como funciona o jogo do bicho, nem era esse o propósito deste escrito, mas sim estabelecer um paralelo entre o referido jogo, com alguma realidade vivida nesta semana cá na nossa terra.
Começando pela visita do nosso Primeiro Ministro, António Costa à Região Autónoma da Madeira e segundo julgo saber, constava da agenda um conjunto de dossiers por resolver, alguns já com barbas, cujo total ascendia a 21 assuntos pendentes (vá lá saber-se o que têm andado a fazer os nossos governantes para, quase em final de mandato, ter tanta coisa engatada). Ora, dizia eu, constava nos meandros que a expectativa era grande na solução pretendida e que sairia fumo branco na Quinta Vigia com a resolução em duas horas daquilo que não tinha sido resolvido em vários anos.
Veio o fim da reunião e, ainda hoje, estamos para saber o que é que foi exactamente discutido e aprovado mas, de certeza absoluta, não foram mais de dois ou três assuntos e, mesmo assim, com interpretação duvidosa quanto ao seu desenlace. Ou seja, e fazendo analogia com o Jogo do Bicho, apostou-se na Cabra (21) e deu Avestruz (3) ou, se quiserem, “Alifante”. Portanto, de fumo branco nada (branco só se for a Sissi) e espero é que agora não metam a cabeça na areia como faz o dito bicho sorteado e que se empenhem verdadeiramente para encontrar as soluções que todos nós madeirenses e portossantenses ansiamos e merecemos. Mas rápido, porque já falta pouco para 2019. Se fosse no Brasil, diriam, deu Zebra! (acontecimento impossível, porque a Zebra não faz parte do conjunto de bichos a sortear).
E porque estamos a falar de bicharada, fomos surpreendidos por uma notável resolução do Governo Regional e publicada em parte, tipo cronica, no DN cá da praça e que classifica a Carne Regional em duas categorias, ou seja, a rija e a super rija, perdão, a Carne Regional Extra e a simplesmente Carne Regional (faz lembrar um filme antigo, Simplesmente Maria). Isto sim, é de se lhe tirar o chapéu; que tirada diabólica! E dou Graças a Deus por me ter proporcionado a possibilidade de estar vivo e ter podido assistir a esta magnífica, diria, extraordinária sapiência no que respeita à classificação da nossa “carninha” com base no seu local de nascimento. Querem lá saber da regulamentação da classificação de carcaças, se é que sabem que isto existe. Ainda transformam isto num negócio da China, o bicho nasce cá, passa a ser extra, exporta-se e todos ganham um “balúrdio”.
Em tempos, as pessoas nascidas e residentes na Madeira eram o Povo Superior; agora, e por analogia, temos o porco , vaca , galo superiores. Fantástico. Olha, é o bicho, é o bicho, vou-te……

K-BICHO

2 comentários:

Vaca Galo disse...

Nunca tive o prazer de conhecer um bicheiro.
Em contrapartida conheci alguns(mas) políticos(as) - fica bem estes pruridos de género para evitar comentários feministas ou misóginos.
Pela amostra conhecida (de políticos e de políticas), prefiro mil vezes os "bicheiros". Nestes últimos sabemos ao que vamos na certeza da aleatoriedade dos números da lotaria. Com os primeiros, seremos sempre, sempre e em qualquer circunstância, tramados e enganados … e sem vaselina.
Politiquices à parte, só me lembro de bichos: vaca galo!

Anónimo disse...

Parece-me que para o ano vai dar Alifante.