quarta-feira, 7 de março de 2018



AS CASINHAS DA RITA

Na cerimónia de celebração de 41 contratos-programa com as Casas do Povo, Miguel Albuquerque começou a sua intervenção dando um raspanete público a Rita Andrade, a Secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais (SRIAS), lembrando que não estava presente para “fazer de cadeira”. De seguida, Miguel Albuquerque não poupou nos elogios às Casas do Povo afirmando que são “agentes dinamizadores da economia local e rural, desde as pescas à agricultura, (…) numa sociedade envelhecida (…) estas entidades farão a diferença no apoio dos idosos” ¹.


Perante tanta importância “na gestão do sucesso da Madeira” ¹, decidi analisar o trabalho das Casas do Povo. Para tal, nada melhor que analisar a informação oficial sobre as Casas do Povo disponibilizada no “Portal do Terceiro Sector” ². Surpreendentemente, quanto mais aprofundava a análise mais aumentavam as dúvidas. Nesta análise, para simplificar, vou abordar apenas duas dúvidas centrais.

A primeira dúvida tem a ver com o financiamento das Casas do Povo através dos referidos contratos-programa celebrados com a SRIAS. A notícia refere que as 41 Casas do Povo receberam 243,6 mil euros, ou seja, cerca de 6 mil euros por Casa do Povo. Este montante, equivale ao financiamento de 500 euros por mês. Se tivermos em consideração, apenas, o apoio aos 40 mil idosos que são referidos na notícia, chegamos à conclusão que o financiamento total corresponde a 6 euros anuais por idoso. Com este financiamento, como é possível fazer a diferença no apoio aos idosos?

A segunda dúvida diz respeito à missão das Casas do Povo, ou seja, aquilo que se propõem fazer e para quem. De acordo com a legislação “têm por finalidade desenvolver atividades de carácter social e cultural, com a participação dos interessados, e colaborar com o Estado e as Autarquias (…) por forma a contribuírem para a resolução de problemas da população”. Contudo, basta consultar o “Portal do Terceiro Sector” ² da SRIAS para constatar que a esmagadora maioria (72%) das Casas do Povo não define a sua missão pelo que se torna impossível verificar a coerência do que fazem com os fins que a legislação estabelece.

Acresce que algumas Casas do Povo referem missões que não são coerentes com a legislação como, por exemplo, “tornar as populações responsáveis por iniciativas de cooperação solidária no campo da cultura, da educação, do desporto e do social”. De facto, a responsabilidade é das Casas do Povo e não das populações que participam/beneficiam nas suas iniciativas. Por outro lado, a maioria das Casas do Povo não identifica as suas “respostas sociais”, ou identifica-as incorretamente, confundindo-as com as atividades e eventos sociais e culturais que promovem, o que indicia fragilidades técnicas e de gestão.

Quanto ao papel das Casas do Povo no apoio aos idosos, apenas 40% (16) referem dispor de verdadeiras respostas sociais para os idosos: “Centro de Convívio” ou “Centro de Dia” ³. Quanto à dinamização da economia local e rural, apenas 7% (3) Casas do Povo referem dispor de “empresas de inserção” ⁴, as quais visam desenvolver uma atividade económica produtora de bens e/ou serviços que satisfaça necessidades reais do mercado. Apesar do otimismo das intenções os resultados alcançados pelas empresas de inserção são praticamente nulos, pois nenhuma consegue gerar lucros para funcionar sem o apoio financeiro anual do Instituto de Emprego da Madeira. Por outras palavras, não dinamizam a economia local e rural “desde as pescas à agricultura”.

Na verdade, as Casas do Povo são meras “Casinhas da Rita” dado que apenas servem para Rita Andrade se promover, em visitas semanais acompanhadas pela comunicação social, distribuindo beijinhos aos idosos e posando sorridente para as fotografias. Contudo, na sua generalidade, as Casas do Povo dão um contributo insuficiente para resolver os problemas das populações que têm o dever de servir.

J. C. Silva


8 comentários:

Anónimo disse...

A Ritinha não devia ter falado, mas como o protocolo não faz parte do currículo dela, ela faz o que lhe dá na cabeça, ela até interrompe o presidente nos discursos. hahahaha
Isso é que é categoria.

Anónimo disse...

Volta Rubina, estás perdoada !

Anónimo disse...

Rubina fazes falta

Anónimo disse...

As casas do povo são agora a solução para tudo, o que não pode ser verdade.Bem visto o que está escrito n' "As casinhas da Rita". Aproveitamento político no seu melhor.E a Ritinha lá vai cantando e rindo.

Anónimo disse...

As casas do PSD, queriam dizer.

Anónimo disse...

Albuquerque que tome as rédeas na comunicação com as Casas do Povo, pois são nelas que se escondem os seus maiores críticos internos. Lembre-se das internas de 2014 é das inscrições de filiados através daquelas organizações

Anónimo disse...

Concordo. É preciso ter rédea curta com esses presidentes das Casas do Povo.

Anónimo disse...

Mas a Rubininha, quando saiu para concorrer à CMF pôs lá um boy, um Artur. Não lhe ensinou a fazer e comunicação? Então o homem era da comunicação . Espera, aquilo tinha a ver com programação e gestão das casas do povo. Bem não interessa, mesmo afastada não perde os vícios do velho PSD reenterpretados por estes renovadinhos - afixaste cartazes, colocaste centenas de post de apoio à leal ao funchal, mandaste falsas declarações sobre o adversário Cafofo para os blogues como este, fizeste número nos jantares e convívios da menina, gramaste cantores pimbas ( mesmo odiando) nos comícios do PPD e leal ao funchal, então tens um tachinho garantido, mesmo sendo derrotada a toda a força. Imagino se tivesse ganho.