sexta-feira, 17 de março de 2017

O Santo


Vale a pena Lutar? Vale a pena Votar [i]?



Há uma tendência para que o individuo que tem vantagem, na esmagadora maioria das situações, a aumente, tal como descrito na seguinte Parábola:

Parábola dos talentos (Lc 19,12-27) - 14«Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu.
16Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.


19Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. 20Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’ 21O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’
22Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: ‘Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ 23O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’
24Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: ‘Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ 26O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. 27Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.’ 28‘Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. 29Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’»
Mateus, 25:14-30

Infelizmente, esta verdade está cada vez mais a tornar-se atual: o que tem mais tem tendência a ter mais, o que tem menos tem tendência ter menos… e os filhos do que tem mais têm tendência a ter mais, e os filhos do que tem menos têm tendência a nada ter.

Na opinião de Horkheimer-Adorno expressa em “Conceito de Iluminismo”:
“É impenetrável, para qualquer indivíduo, a selva de
 camarilhas e instituições que, desde as supremas alturas
 do comando da economia até o último bando de
 assaltantes profissionais, cuidam da permanência ilimitada do status quo[ii].”

Dizem que Saramago defende: não votar ou o voto nulo.
Discordo completamente dessa opinião de Saramago, não votar, votar nulo ou votar em branco não ameaça os políticos, antes pelo contrário, permite-lhes continuar a fazer o que estão fazendo. Para um político, tal como qualquer outra pessoa, o que conta é o ordenado no final do mês, pelo que esse conselho de Saramago nada afeta para além de uns quantos discursos sobre o tema.
Um político corrupto, ou político mau ou mesmo um bom, não têm razão nenhuma para mudar devido às pessoas anularem o seu direito a voto, pois essa situação não os afeta diretamente.

Conclusão da série.

Lutar é duro, e enche a Vida… para o Bem e para o Mal, a Luta penetra todas as vivências.
A minha escolha é lutar… aqui ou noutro lugar qualquer[iii].

Quanto ao voto, que é a mínima expressão de Luta pelo Justiça Social, declaro o seguinte:
 “Numa cidade, bem dirigida, todos votam nas assembleias; sob um mau governo, ninguém aprecia dar um passo para isso fazer, porque ninguém se toma de interesse pelo que se faz, prevendo que a vontade geral não prevalecerá, e porque, enfim, os cuidados particulares tudo absorvem. As boas leis permitem que se façam outras melhores; as más conduzem às piores. Tão logo diga alguém, referindo-se aos assuntos do Estado, que me importo? pode-se ter a certeza de que o Estado está perdido.”
Jean-Jacques Rousseau, do Contrato social

“Assim que o serviço público cessa de ser a principal preocupação dos cidadãos, ao qual melhor preferem servir com a bolsa que pessoalmente, já se encontra o Estado próximo da ruína.”
 Jean-Jacques Rousseau, do Contrato social
Depois da dívida ter sido contratualizada, já só resta ao cidadão a pagar… e a paga não só com dinheiro mas também com direitos, liberdade e garantias[iv].

Desejo e peço aos cidadãos, que mostrem amor por aqueles que amam, votando naqueles dos quais fundamentadamente suspeitam que não são corruptos nem grandessíssimos imbecis.



Eu, O Santo




[i] Há o mito que qualquer entidade pública antes de indigitar alguém num qualquer cargo, pergunta na Junta de freguesia sobre essa pessoa, incluindo se vota.
[ii] Exemplo para manter o status quo: colocar nos anúncios públicos para cargos de dirigente: “privilegia-se a experiência em cargos de direção” pelo que ou já foi dirigente (pelo que faz parte da “camarilha”) ou foi nomeado discricionariamente em regime de substituição (pelo que suas qualidades agradam ao dirigente máximo). Outra maneira, é não considerar para a avaliação a Formação e Currículo do Candidato.
[iii] Uma conta bancária recheada, torna a vida confortável em qualquer lugar. Pelo contrário, viver num “Paraíso”, com pouco poder desfrutar é desconfortável.  Também é claro que esse “paraíso” em pouco tempo virará inferno.
[iv] Exemplo. A pensão de reforma. Se conseguirem manter o emprego até ao final da vida active – 67 anos – receberão no máximo cerca de metade do ultimo ordenado. Será que isso vos chega?
Por outro lado, também é justo para os que não votam: ao não votar estão a ajudar os que roubam o vosso concidadão, a vosso consorte, os vossos pais, os vossos a migos, os vossos filhos, os colegas….

[1] Há o mito que qualquer entidade pública antes de indigitar alguém num qualquer cargo, pergunta na Junta de freguesia sobre essa pessoa, incluindo se vota.
[1] Exemplo para manter o status quo: colocar nos anúncios públicos para cargos de dirigente: “privilegia-se a experiência em cargos de direção” pelo que ou já foi dirigente (pelo que faz parte da “camarilha”) ou foi nomeado discricionariamente em regime de substituição (pelo que suas qualidades agradam ao dirigente máximo). Outra maneira, é não considerar para a avaliação a Formação e Currículo do Candidato.
[1] Uma conta bancária recheada, torna a vida confortável em qualquer lugar. Pelo contrário, viver num “Paraíso”, com pouco poder desfrutar é desconfortável.  Também é claro que esse “paraíso” em pouco tempo virará inferno.
[1] Exemplo. A pensão de reforma. Se conseguirem manter o emprego até ao final da vida active – 67 anos – receberão no máximo cerca de metade do ultimo ordenado. Será que isso vos chega?

Por outro lado, também é justo para os que não votam: ao não votar estão a ajudar os que roubam o vosso concidadão, a vosso consorte, os vossos pais, os vossos amigos, os vossos filhos, os colegas….

2 comentários:

amsf disse...

Tenho a certeza que ficaríamos mais bem servidos, nos vários níveis de poder, se os cargos fossem simplesmente tirados à sorte entre pessoas que tivessem um mínimo de habilitações, não tivessem cadastro e não sofressem de atraso ou doença mental. Cada cargo seria sorteado entre pessoas com habilitações específicas cujo nível de exigência teria que ver com o nível de exigência do cargo político. Os cargos de uma assembleia e junta de freguesia seriam sorteados entre aqueles que tivessem no mínimo a escolaridade obrigatória. Etc, etc...
Quem pensar um pouco perceberá que a Bíblia é composta de meias verdades, ideias simplistas, e não podia ser de outra forma pois foi escrita por homens que não tiveram a vantagem de conhecer o percurso da humanidade nos últimos séculos. Nem equaciona a possibilidade de haver perda do investimento.
Rousseau também escreve umas coisas agradáveis se não tivermos em conta a verdadeira natureza humana.

Eu, O Santo disse...

Tal como em tempos propus.