Powered By Blogger

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019




25 de Fevereiro 2019


Com vossa licença:
'Fake news' ou 'Fuck news'?


O presidente do governo regional foi ao Norte da Ilha com um discurso engatilhado que está na ordem do dia: denunciou as 'fake news' que, tanto quanto diz saber, enxameiam sobretudo as redes sociais.
Se se trata de 'fake news', a mim não me merecem atenção nenhuma. Por ter o tempo demasiado ocupado, e não por snobismo ou desconsideração, não ando ultimamente nas redes sociais. Por isso não sei de que se queixa concretamente o nosso Blue Albuquerque. Preciso porém de observar que se as tais 'fake news' existem, então há tribunais para julgar os seus autores. E se não existe autor à vista, também não existem as 'fake news', é sorrir e seguir para bingo.

Recorde-se que a velhíssima expressão 'fake news' foi desenterrada por Donald Trump em 2016 com o fim de descredibilizar as 'true news' que destapavam as carecas ao então candidato à Casa Branca. Um mentiroso e troca-tintas compulsivo a chamar mentirosos jornais acreditados já no tempo dos trisavós do inenarrável troglodita! 
E não é que a moda de mentir dizendo que a verdade é que é 'fake', não é que a moda  chegou à Madeira?! 
Sai a lume uma 'fuck notice', isto é, uma daquelas 'news' verdadeiras mas lixadas com 'F' grande para o protagonista noticiado, este reage desvalorizando a bronca: é tudo 'fake news'. E pronto, está o caso ultrapassado. O protagonista sai ilibado e o noticiarista é crucificado por mentiroso. 
Olhem que não. Olhem que o caso não fica ultrapassado, não. É capaz até de acicatar o autor das 'fuck news' levando-o a sentir a obrigação de escarafunchar mais no tema para provar que ali não há 'fake news' nenhumas. Há é uma verdade lixada com um 'F' enorme.
Por andar ausente das redes, pois, acusei o toque ao ouvir a dissertação de Miguel Albuquerque na TV sobre a seriedade e a mentira das notícias. Ouvi com atenção a sua denúncia de que andam pelas redes a manipular a informação "tendo em vista objectivos perversos para a sociedade". Uma criação de factos falsos, insistiu, para "enganar as pessoas", "inventar situações", "atacar as pessoas" e "denegrir as instituições".
Chiça! 
Só falta uma lição sobre a mentira repetida mil vezes e sobre as teorias do Voltaire na matéria em apreço. 
Acusei o toque porque nos últimos dias abordei duas vezes um determinado procedimento de Miguel Albuquerque: por um lado, ele elogiou prodigamente o sistema regional de Saúde como o melhor do planeta e arredores; e por outro lado foi a Lisboa submeter-se a uma consulta médica, desprezando os melhores do mundo. O que me leva a duvidar: quando Albuquerque diz que o sistema regional é o melhor na saúde mundial, não estará ele a produzir uma dessas famosas 'fake news' de que com tanta veemência se queixa?
Se por acaso o Fénix e eu merecemos no Porto da Cruz a atenção do sr. presidente no tocante a 'fake news', peço que o senhor se explique. Explicite com clareza que notícias falsas foram publicadas neste modesto espaço. Se se refere à divulgação da referida consulta em Lisboa, que o levou a perder a tomada de posse do bispo, diga-o claramente. Na resposta, serei eu a especificar com todo o gosto de que consulta se tratou. 

Enfim. 
Garanto, Leitoras e Leitores, que não será a condenação sumária com recurso ao espantalho das 'fake news' que desencorajará a publicação das 'fuck news' (e não 'fake news') que forem chegando a este lado. Pelo contrário.
Uma nota final: em lugar de falar de 'fake news' para confundir a verdade, fale o sr. presidente das suas idas a Lisboa e ao Alentejo e à savana, com cuidado, para não ser acusado de 'mentir com quantos dentes tem na boca'.
Não sei se me faço entender.

PS 1 - Ouvi dizer que a brigada dos loucos que já se dão como futuros governadores da Tabanca também começam a ensaiar como desfazer as 'fuck news' rotulando-as de 'fake news'. Mas aí o descaramento é tão flagrante que provoca gargalhadas. Logo os cristãos-novos que à custa dos bolsos do povo enchem de mentiras e aldrabices os espaços diários supostamente informativos! Se até Setembro não rebentarem, como a rã que quis ser boi, teremos muito que rir. 

PS 2 - Apresento humildes desculpas aos Leitores pelo recurso neste texto a uma obscenidade em Inglês. Uma 'liberdade poética' para rimar com 'fake news'.

11 comentários:

Anónimo disse...

As declarações de Albuquerque pretendem descredibilizar as denúncias públicas sem identificá-las.
A razão para este ataque é que as denúncias são verdadeiras, e o Governo Regional não as consegue rebater.

Anónimo disse...

O artigo 9º da constituição da República Portuguesa -Tarefas fundamentais do Estado - estabelece:
"São tarefas fundamentais do Estado:(...(
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;"
Isto significa que o Estado deve informar e esclarecer os cidadãos sobre a gestão da Coisa Pública, ao invés de rotular notícias não identificadas como "fake news".
A crítica de Albuquerque desincentiva a participação democrática dos cidadãos e a longo prazo põe em causa essa mesma participação.

Mas sim, existem perfis falsos. Até vão defender as declarações de Albuquerque e criticar quem tem posição contrária (embora eles mesmo comentam e difundam informações não provadas).

Anónimo disse...

Sou funcionário público.
Acredito que Albuquerque pense que muitas notícias sobre a sua governação sejam "fake", porque Albuquerque só ouve os dirigentes e nunca os funcionários sobre um qualquer assunto.
È natural que os dirigentes mintam-lhe para manterem o cargo (e continuarem a roubar), e até rotulem os denunciantes como "ressabiado", "louco", "anda a ser manipulado por elementos da oposição".
Devido às poucas demissões de dirigentes, não me parece que Albuquerque tenha a capacidade intelectual para perceber que tem que imediatamente demitir os dirigentes que rotulem os seus funcionários com os epítetos supra indicados. Esses dirigentes declaram isso por falta de argumentos, estão no cargo para tratar de sua "vidinha".
Se eu presidente, eram exactamente esses denunciantes que eu de certeza ouviria. Enumero duas vantagens: 1. conhece-se os podres dos dirigentes pelo que se passa a tê-los completamente na mão; 2. tem-se a oportunidade de impedir que algo negativo para a imagem da governação seja publicado, 3. Quem critica é porque se interessa, pelo que é possível utilizar essa energia para bem da Sociedade.

Anónimo disse...

Grande texto , religiosamente escrito! O BLUE que engola em seco juntamente com a cachaço do JAVALI!!

Anónimo disse...

Alguém disse em política: "declara que o adversário faz os vícios que tu praticas".
Assim sendo, Albuquerque está a preparar levar as "fake news" a um novo nível (para além dos perfis falsos).
Lembro-me perfeitamente que Albuquerque, pouco antes de começar a tirar selfies e fotos para o fazerem passar como cidadão normal, declarou "o partido não trabalha para 'selfies', nem para "sorrisos", mas para cumprir os seus compromissos para com as populações."

Anónimo disse...

De facto não havia pessoa mais habilitada na mamadeira, para falar de "fake news", que o nosso conde do Arco! Ele sabe do que fala, e dos perfis falsos que a corja laranja tem para desmentir as notícias verdadeiras e incómodas para o regime alaranjado. O problema é que essa gente é paga pelos nossos impostos, e aí, é que a porca, torce o rabo! Comigo não há fake news, porque só leio dois ou três blogs na madeira credíveis, e a imprensa do continente. A imprensa de cá há muito que perdeu toda a sua credibilidade, pela política editorial: "Quem dá mais"? E propaganda política paga com o dinheiro dos nossos impostos, eu abomino!

Anónimo disse...

Nisto de fake newsletter aqui na terriola, não se vê quem ganga a guerra.
Por um lado uns têm o DN, e outros têm uma máquina bem oleada pela ilha.
Ambos recorrem às redes sociais, com perfis mais ou menos falsos.
É coisa que já faz parte da comunicação.
Por isso, não me parece que estejam uns melhores que os outros nesta matéria.

Anónimo disse...

Ahahaha

Então ele não deu uma fakenew ao Bispo?
Disse que não foi à tomada de posse , porque tinha ido a Lisboa a uma consulta?
Será? Uma consulta no Alqueva numa reserva de caça?
Ou não acredita no sistema Regional de saúde e vai ao médico fora?

Anónimo disse...

O melhor médico da Madeira chama-se...avião!

Anónimo disse...

Deixem-se de tretas, todos sabemos que as fake news são hoje uma arma usada por todos os partidos, pelos que estão no poder, e ainda mais pelos que desejam o poder.
Deixem de ser virgens ofendidas e encarem a reslidade como ela é, fria e crua!
Parecem criancinhas choramingonas.

Anónimo disse...

Preocupante é ver num estudo da UE, que, mais de metade dos portugueses não sabe distinguir uma fake new.
Daí ser um campo tão explorável.
A iletracia e ignorância são as maiores pragas das democracias.